segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

VIAGEM

A partir deste mês estarei viajando para a Europa e volto no final de janeiro. Até lá estarei contando as novas aventuras pelo velho mundo  no meu outro blog, o www.tiszaglobetrotter.blogspot.com.br.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

BRÉSILIENNES FONT TROUBLE

        Reclamava com uma recepcionista de um hotel na França, quando ouvi desta: " brésiliennes font trouble", que podemos traduzir como: brasileiros fazem confusão. Meio sem graça, respondi: "c'est bien", já decidida à "descer do salto" e encerrar a discussão.
         Desde então venho pensando como nós, brasileiros, nos comportamos como cidadãos. E hoje, passada as eleições, onde imperou a intolerância e a intriga nas redes sociais creio que é chegado o momento de fazermos uma autocrítica.
         Como nos comportamos no dia a dia, nas nossas relações sociais, nas ruas. Será que somos cordiais como sempre se disse ou, não será que estamos confundindo nosso temperamento latino com gentileza e educação? Sergio Buarque de Holanda fala que "Seria engano supor que essas virtudes possam significar "boas maneiras", civilidade. Nossa forma de convívio social é o contrário da polidez, mas ilude na aparência.

         Temos aversão ao ritualismo social e gostamos de estabelecer intimidade, que pode ser observado no habito da omissão do nome de família no trato social,  que esta relacionado ao desejo em abolir barreiras, eliminar distâncias
           Em "Raízes do Brasil", S.B.H. diz também: 
              "(...) onde predomina ainda a família do tipo patriarcal [Brasil e países
          emergentes] tende a ser precária a formação e evolução da sociedade. (...) Âmbitos 
          familiares excessivamente estreitos e exigentes circunscrevem demasiado os horizontes do indivíduo 
          dentro da paisagem domestica (...) havendo necessidade de uma revisão por vezes radical dos 
          interesses,  valores, sentimentos, atitudes e crenças adquiridas no convívio 
          da família. (...). A função da rua é separar o indivíduo da comunidade domestica, a liberta-lo
          das "virtudes familiares"."  
         
         Herdamos dos portugueses o hábito de viver em torno da casa, da família enquanto que na Europa a vida se dá nas ruas. O espaço público é o espaço da democracia, onde todos são iguais, onde aprendo a conviver democraticamente e nele eu me contituo como indivíduo político. 
         Ao contrario dos europeus nós, brasileiros, temodificuldade em aceitar as diferenças e somos preconceituosos. Mas a maior dificuldade ainda é lidar com situações de conflito: o vizinho faz barulho e o q fazemos é ir à janela e berrar para que baixe som. Tomamos como se fosse algo pessoal e respondemos da mesma forma, fazendo barulho. Quando, talvez, o vizinho não passe de um adolescente (ou não...) sem noção. 
         E ainda gostamos de dizer que os franceses é que são mal humorados! Nous faisons troubles, évidentimente!





sexta-feira, 3 de outubro de 2014

DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

Vivemos em um modelo de democracia onde a sociedade delega a um representante o direito de representá-la, e isto se da através de dois sistemas eleitorais: o Majoritário e o Proporcional.
O MAJORITÁRIO é usado para eleger os chefes do executivo: o presidente, os governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes e para eleições ao Senado. Nas eleições presidenciais, para governadores, prefeitos e senador o sistema empregado é o de maioria absoluta onde o eleito precisa de mais de 50 % dos votos válidos.
Na eleição PROPORCIONAL, bem mais complexa, são eleitos os vereadores, os deputados estaduais e federais. Nesse sistema o total de votos válidos é dividido pelo número de vagas em disputa. O resultado é o quociente eleitoral (número de votos correspondente a cada cadeira). Ao dividir o total de votos de um partido pelo quociente eleitoral, chega-se ao quociente partidário, (é o numero de vagas que ele teve). É comum acontecer de candidatos serem eleitos com menos votos que outros que não são eleitos.


O sistema representativo vem ao longo dos anos recebendo diversas críticas visto que os representantes já não representam o povo que, por sua vez, não demonstra interesse pela política. Uma das causas estaria na falta de legitimidade dos partidos. Possuímos 30 partidos que, salvo raras exceções, não representam ideologia alguma e não passam de partidos de aluguel. E, só em SC temos 580 candidatos nesta eleição impedindo o eleitor conhecer a todos. Por isto, não só precisamos acabar com essa enorme quantidade de partidos como também precisamos instituir o voto distrital, somente assim acabaremos com o fosso que separa representantes de representados. E, como não há vínculo com o eleitor, abre-se espaço para que os interesses da população sejam deixados de lado, prevalecendo o interesse próprio, o 
corporativismo e o patrimonialismo, mãe de todas as nossas mazelas políticas.

Tudo isto vem gerando uma crise institucional, indicando a necessidade de uma reforma política. O que vemos hoje é uma grande insatisfação com o modelo representativo e, como bem disse Fernando Henrique Cardoso em seu discurso na Academia Brasileira de Letras: "Temos um sistema político enfermo. Precisamos reinventar a democracia. Falta o essencial: a alma democrática.”.


  



   

domingo, 31 de agosto de 2014

ELEIÇÕES

Com a proximidade das eleições, o que mais se ouve é que precisamos escolher bem nossos candidatos, que precisamos votar naqueles que não tem ficha suja, que são honestos. O que, sem duvida, é importante, mas não é tudo. 
O problema não esta só no candidato, mas principalmente, no nosso Sistema Político. 
E, enquanto não adotarmos o voto distrital que permite ao eleitor ficar mais próximo do seu representante; enquanto não acabarmos com os partidos de aluguel, com os suplentes de deputados e senadores; enquanto não instituirmos o financiamento público de campanha, terminando com a influência do poder econômico,  este país não vai avançar na construção de uma verdadeira democracia. 

A candidata Marina Silva se diz representante da mudança, porem tem como seu vice um político que sempre defendeu o agronegócio, seu oposto ideológico afim de compensar o que falta aquele, num típico comportamento da velha política, que diz combaterTambém acusa o PT e o PSDB de continuísmo, mas diz que vai governar com os melhores dos dois partidos - é sua resposta a acusação de que não tem equipe. 

Sua figura carismática esconde mais ambiguidades: até recentemente era contra o uso de células tronco embrionária, contra a descriminalização do aborto, contra os transgênicos, contra o casamento gay, e hoje é a favor - antes, fundamentalista e hoje libertaria - o que a torna uma incógnita, fazendo com que o sonho de mudança ainda possa se tornar um pesadelo.

Mas tudo leva a crer teremos no segundo turno Dilma e Marina, com Aécio apoiando Marina e o PSDB sendo convidado a fazer parte do governo marineiro. Mas Marina também vai precisar do PT assim como precisara de maioria no Congresso e, como na velha política, terá que negociar cargos em troca de apoio - e a dita Terceira Via nada mais será que falácia de campanha. 

Dai porque a necessidade de uma mudança estrutural das nossas instituições. Mas para que isto aconteça precisamos do Congresso, não basta que o executivo defenda a mudança política, para que isto aconteça é necessário o apoio do Legislativo. Por isto é tão importante que votemos no candidato a deputado federal e ao senado que se comprometa com a reforma.  

Sabemos, também, que os parlamentares só aceitarão fazer a Reforma Política se houver pressão da sociedade. É necessário, portanto, que nos mobilizemos e através de uma ampla campanha e de um plebiscito popular possamos convocar uma Constituinte Exclusiva da Reforma do Sistema Político.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A CULTURA DO MEDO



Moro em Floripa há mais de 15 anos e nunca fui assaltada. Em compensação, em Bruxelas, tentaram me roubar um notbook. Como leio jornal, concluo que sou uma pessoa de sorte. Ou, talvez porque me exponha menos que a maioria da população: circulo pela cidade de carro e, sempre que posso, uso os shoppings para fazer compras. Estatisticamente é muito maior o número de roubos e assaltos nas ruas de maior movimento, como a Conselheiro Mafra, ruas de comércio popular, e nos transportes coletivo, do que nos shoppings.
Ou, seja, é a classe C quem mais sofre com a violência. Também se formos olhar as estatísticas veremos que morre muito mais gente nas favelas do que fora delas, e não só pela disputa de pontos de droga entre grupos de traficantes, mas também por assalto e o chamado "conflito do cotidiano", que nada mais é que briga por motivo fútil.
Mas é a classe média e alta que mais se queixa da violência. É ela quem se diz vítima. 
O sociólogo americano Barry Glasser, em seu livro Cultura do Medo diz "estamos vivendo em tempos muito seguros, de forma geral, do que vivíamos no passado, na maioria dos lugares. (entretanto) O nível de medo do crime em uma população não se assemelha as reais taxas de crime. (...) a maioria das pessoas nunca teve experiência direta com a violência. (a causa esta em) grupos e indivíduos que promovem o medo e o panico em seu próprio beneficio. Parte da mídia extrai audiência da espetacularização da violência; políticos e grupos religiosos se apoiam no medo para acuar a população (...) com interesses diversos."
Um exemplo recente é o da dona de casa da comunidade Morrinhos, no Guarujá, que foi linchada injustamente pela comunidade onde morava depois da publicação de um retrato falado em uma página no Facebook que mostrava uma mulher que realizava rituais de magia negra com crianças sequestradas. O que me fez lembrar "As Bruxas de Salen", filme norte-americano de 1996, dirigido por Nicholas Hytner. O filme é baseado na peça de mesmo nome de Arthur Miller sobre os fatos históricos envolvendo o julgamento por bruxaria na pequena povoação de Salém, Massachusetts numa noite de outubro de 1692.
Jornais estrangeiros publicam artigos aterrorizastes sobre o Brasil. Esquecem que foi em Paris, nas suas periferias (banlieus) onde começou a onda de carros queimados como forma de protesto. Uma vez em Paris, quando manifestei que queria conhecer Belle Air, o bairro "barra pesada", me disseram que se entrasse lá não sairia viva. O que era um enorme exagero, como constatei depois. Fora alguns olhares hostis, não mais ocorreu que me deixasse apreensiva. 

É freqüente lermos que nos USA alguém invadiu uma escola e matou dezenas de crianças.  Também nos chegam notícias de alguém que encarcerou mulheres ou mesmo crianças durante anos. E não sei onde o número de pedófilo é maior mas, certamente, não menor do que no Brasil. De cada 9 adolescentes, 1 já sofreu abuso sexual. Nos USA a violência está mais ligada a problemas mentais, enquanto que no Brasil ela esta mais associada a questões econômicas.
Mas, é também o preconceito e a marginalização uma das causas da violência. São as cercas de arame, os vidros do carro levantando cada vez que uma criança pobre se aproxima, a hostilidade aos flanelinhas, comportamentos comuns à classe média e alta, gerando sentimento de exclusão e revolta. 
Embora seja ela, a classe média e alta que se diz vítima, fingindo ignorar que o perigo esta na enorme desigualdade de renda entre ricos e pobres. Que a pobreza correlaciona-se com crimes e consumo de drogas, com molestamento de crianças, etc.

domingo, 24 de agosto de 2014

RITO DE PASSAGEM

       Era o ano de 1968 e fazia o Clássico no Colégio Pedro II em Blumenau. Estudava Latim, francês e começava a me interessar pela literatura graças a uma colega da escola que me levava na Biblioteca Municipal e me apresentara aos grandes autores. Começara lendo os russos: Dostoiévski, Tolstói, Maiakóvski.
                Suely, era o nome da colega, que passara a andar com o "Livro Vermelho" de Mao Tse Tung embaixo do braço, também me levava para as portas das fabricas para ajudá-la a entregar panfletos de propaganda comunista. Era o ano dos movimentos estudantis por todo o país, das passeatas, dos Congressos da UNE, 
das prisões e do AI-5.
                 Suely vivia também em constante conflito com a mãe, que frequentava a igreja Batista e não aceitava que a filha andasse metida com "subversivos". Contou-me que um dia a mãe deixou a bíblia em cima de uma mesa e ela, folheando, achara a foto de um casal. Quando indagou quem eram percebeu que a mãe ficou nervosa e fugiu do assunto. Notou que o homem da foto era muito parecido com ela, reacendendo uma antiga suspeita em relação a sua paternidade. Pensou que ele poderia ser seu pai - precisava descobrir sua identidade, disse-me. Tinha Imaginado uma história de paixões inconfessáveis, traições e renúncias.
                Outro dia contara que no colégio das freiras, onde fizera o ensino fundamental, havia conhecido uma noviça com quem havia tido um envolvimento amoroso. Suspeitava
que inventava as histórias mas escutava-a deixando-me, assim, entreter com o que suponha ser fruto de uma mente muito fértil.
                 Na mesma época conhecera também uma turma de intelectuais e boêmios, e passara a frequentar o Cine Bar, ao lado do Bush, cinema que nas segundas era ced
ido ao Cine-Clube Sergueï Eisensteïn, divertia-me muito com suas irreverências. Fazia, assim, meu rito de passagem para a vida adulta e para o mundo das palavras. 
                 Percebendo que divagava, Interrompi minha narrativa e passei a folhear o "Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, do Aurélio Buarque de Holanda, que trazia nas mãos, e completei: foi nesta época que ganhei do meu pai este dicionário que me traz tantas lembranças e tornou-se um objeto de grande afeto.

NOTA: texto escrito no Curso de Escrita do Jairo Schmidt e, como  ele esta fora do  contexto da aula, talvez não fique muito claro os demais que lerem.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

REFORMA POLÍTICA

A Folha de São Paulo vem publicando diariamente comentários sobre o aeroporto construído nas terras da família do candidato Aécio Neves esquecendo que o também candidato Eduardo Campos nomeou a mãe para o cargo de ministra do Tribunal de Contas quando ainda era governador de Pernambuco; que Lula deu a nora e outros apadrinhados uma sinecura no SESI, com altos salários, sem que precisem ao menos comparecer para assinar o ponto; que parlamentares fazem uso de avião da FAB para fazer implante de cabelo no seu Estado. Mas, principalmente, faltou também dizer que são exemplos de uma mentalidade patrimonialista profundamente enraizada na cultura brasileira.

Com a proximidade das eleições, o que mais se ouve é que precisamos escolher bem nosso candidato, que precisamos votar somente naqueles que não tem ficha suja, que são honestos - isto sem duvida, é importante, mas não é tudo. O problema não esta só no candidato, mas também, e principalmente, no nosso Sistema Político. Enquanto não adotarmos o voto distrital e eleições proporcionais em dois turnos que permita ao eleitor ficar mais próximo do seu representante; enquanto não acabarmos com os partidos de aluguel; com os suplentes de deputados e senadores; enquanto não instituirmos o Financiamento Publico de Campanha, terminando com a influência do poder econômico, este país não mudará e continuará com sua mentalidade patrimonialista, que tanto mal tem feito à nação.

Sem uma mudança estrutural das nossas instituições o país não vai avançar na construção de uma verdadeira democracia. Mas, para que isto aconteça, é importante que votemos nos candidatos que também se comprometam com a mudança. 


Sabemos, no entanto, que os parlamentares só aceitarão fazer a Reforma Política se houver pressão da sociedade, por isto é necessário que nos mobilizemos e através de uma ampla campanha e de um plebiscito popular possamos convocar uma Constituinte Exclusiva da Reforma do Sistema Político.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

A LEI DO PAI

O pai acusado de abusar de duas filhas durante vinte anos na cidade de Rio Negrinho era, Ele mesmo, a lei dentro da sua casa (o déspota ou o “pai da horda primitiva” de Freud em Totem e Tabu) e não, como seria desejado, aquele que representa a Lei, entendida como aquela que foi criada para ordenar as ações dos indivíduos de acordo com os princípios da sociedade e que deve ser seguida por todos, compulsoriamente.

Viviane Bevilacqua, na sua crônica do DC do dia 17 deste mês, fala sobre a perplexidade dos leitores ante estes fatos. Entre outros, cita o leitor Renato, que escreveu: "... As meninas terem medo é uma coisa, mas a mãe, o que fez nestes 20 anos? ...". Gostaria também de chamar a atenção para este detalhe: era dever desta mãe proteger as filhas, portanto, é necessário que a Lei incida sobre esta mãe também. Entendam-me, não estou defendendo que vá para a cadeia ou mesmo que sofra qualquer tipo de pena. Cabe ao juiz decidir se ela se omitiu ou se foi impedida de qualquer ação e, neste caso, inocenta-la. O que digo é que é preciso que a Lei se inscreva nesta família e que neste mundo sem Lei ela se faça presente.

Embora tenha sido usada a palavra reclusão em nenhum momento foi dito que viviam em prisão domiciliar, que não havia contato desta mãe com pessoas fora do circulo familiar. Penso que, mais do que tudo, foi por estar subjugada, não a lei do Direito e da Justiça, mas a lei despótica do marido, que ela se calou. E, excluí-la da letra da Lei significa dizer Lei é uma palavra vazia portanto, incapaz de por um limite a este pai.

Tempos atrás fui convidada para fazer um trabalho no interior do Estado e precisei entrevistar algumas mães que teriam direito a um auxílio do governo e, bastante chocada, ouvi de uma delas que o marido abusava da filha e justificava: "ele diz que não cria filha para dar aos outros..." (SIC). A palavra daquele homem era absoluta e à ela e as pessoas próximas só cabia acatar

Para Lévi-strauss é através da proibição do Incesto que o homem faz a passagem do estado primitivo para o de cultura e é a não inserção do sujeito no registro simbólico da Lei que faz com que surjam patologias como a do pai de Rio Negrinho.

terça-feira, 24 de junho de 2014

SOBRE FILMES 13

O QUE OS HOMENS FALAM - Dirção: Cesc Gay, Argentina, 2012.
Oito homens enfrentam a crise da meia idade: E. perde tudo e volta a morar na casa da mãe; j. conquista tudo o deseja mas fica deprimido; S. tenta retomar o casamento dois anos após o  divorcio; G. confessa a L. que sua esposa o trai; P. tenta conquistar uma colega de trabalho. Já A. e M. tem seus segredos íntimos revelados.
Excelente comédia, diálogos inteligentes , texto refinado e ótimos intérpretes. Mas talvez o título mais correto fosse: "O que os homens  não falam".

terça-feira, 13 de maio de 2014

RESOLVENDOS CONFLITOS

O brasileiro adora criticar tudo e todos, desde que não seja ele o objeto da crítica.  E esta será sempre rebatida com mal humor. Herrança portuguesa, dirá a atriz e escritora Maitê Proença. Norberto Elias, sociólogo alemão, no seu livro “O Processo Civilizador” relata que durante o século XVIII, nos salões da aristocracia a sátira, as frases de múltiplos sentidos e os elegantes jogos com as palavras eram considerados de bom tom. Mas, na nossa cultura, a crítica ou o simples fato de discordar de alguém, é visto como falta de educação. Como consequência, não aprendemos a debater ideias e, menos ainda, a lidar com a oposição a elas. 
Uma das frases mais ouvidas da depois do incidente na UFSC foi: "se tivessem dialogado   não teria ocorrido o confronto". Também já ouvi muito: " 'cai' fora porque não queria brigar". E ocorre porque não nos ensinaram a usar o diálogo e a negociação para resolvermos situações de conflito. 
Ao contrário de Rousseau que dizia que o homem nasce bom e é a sociedade que o degenera, Freud afirma que é a civilização que molda o homem impondo limites aos seus impulsos agressivos. Contardo Calligaris vai além ao dizer que “(...) é a falência  do  simbólico que produz a violência", ou seja, é a falência da Lei (representação simbólica das regras da sociedade) que produz a violência. Quando um pai estaciona o carro em cima da calçada ele esta dizendo ao filho que a Lei não precisa ser respeitada tem valor algum. Também Getúlio Vargas quando dizia: para os inimigos a Lei e para os amigos tudo estava dizendo que ela não tem valor algum. Também quando a classe política, a quem caberia dar o exemplo, coloca seus interesses pessoais acima das Leis.  
Só quando esta deixar de ser uma palavra vazia, sem um significado maior conquistaremos uma sociedade verdadeiramente democrática. 
E só quando aprendermos a valorizar o diálogo e o confronto físico der lugar ao confronto de idéias. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

SOBRE FILMES 12



O PALÁCIO FRANCÊS (Quai D'Orsay) - Dir. Bertrand Tavernier, França, 2013.
Recém formado na Escola Nacional de Administração, Arthur Vlaminck é chamado para trabalhar no Ministério das Relações Exteriores à serviço do ambicioso ministro Alexandre Taillard. Arthur será responsável por elaborar os discursos do ministro, mas logo percebe que em meio a golpes políticos e vaidades pessoais, esta tarefa não será nada fácil.Super, magnifique, parfait !!!

Ok, talvez não seja o maior filme do mundo, mas é o tipo de filme que amo porque os diálogos são inteligentes, embora nem sempre fáceis de acompanhar, é um filme extremamente ágil, foi comparado a um vaudeville moderno pela Variety. Porque é uma sátira saborosa sobre os bastidores do poder na "côrte" francesa atual e uma brilhante adaptação da história em quadrinhos de Antonin Baudry baseada na sua experiência pessoal como secretário de Dominique de Villepin, quando ministro das Relações Exteriores da França (mais tarde foi primeiro-ministro).

Em 2003 D.Villepin fez um discurso na ONU onde se opôs fortemente à invasão do Iraque. Para a Variety "... é um homem em constante movimento, que se move através do próprio Ministério provocando estrondo - qualquer coisa que não seja pregado será pego em seu vento de cauda. O personagem sai do quadro para, em seguida, quase que instantaneamente, re-entrar a partir do oposto e cada abertura de uma porta é acompanhado por um assobio- vendaval." Tavernier consegue que a energia explosiva do ator - seus gritos exuberantes de "camarade," seu solilóquio sobre os benefícios do marcador de texto, apesar do exagero, não se torne caricatural. "Responsabilidade. Unidade. Eficiência" é a máxima de Taillard" e Arthur acaba percebendo que há astúcia por traz do jogo de cena de Taillard. Outro personagem excelente é também do ator Niels Arestrup que faz o papel do responsável por apagar incêndios durante a crise no Iraque (Lousdemistan).

Tavernier filma em locações reais (incluindo o Conselho de Segurança da ONU), misturando farsa e realidade. O ministério é mostrado como um labirinto quase infinito de longos corredores dourados que se abrem para grandes salas palacianas. E o nome Quai D'Orsay deve-se ao local, na margem esquerda do Sena.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

ELEIÇÕES INDIRETA PARA PREFEITO

Fico pensando qual prefeito não gostaria de transformar as escolas e postos de saúde do seu município em modelos de eficiência e qualidade? De dotar sua cidade de transporte coletivo de primeiro mundo, de belos parques e jardins? Qualquer um que tivesse dinheiro sobrando não pensaria duas vezes, mais ainda sabendo que estaria com a reeleição garantida.
Infelizmente não é assim que as coisas funcionam, a escolha das obras depende da conveniência dos grupos econômicos que financiaram o caixa dois da campanha. Para estes, interessam as grandes obras como viadutos, pontes e, a reforma da escola ou do posto de saúde só acontecerá se houver pressão da comunidade e apoio da mídia. Mas o valor gasto hoje na construção de um viaduto – se não houvesse superfaturamento – daria para construir não só o viaduto, como mais meia dúzia de escolas. O que significa que, somente quando o financiamento de campanha for publico e não privado o prefeito terá autonomia e sobrará dinheiro para construir escolas e reformar hospitais. Já avançamos um passo na semana passada quando o STJ votou a favor da ADI que acaba com o financiamento privado. Mas precisamos mais, precisamos de uma ampla reforma política.
Penso que acabaríamos com a corrupção e haveria uma melhora na qualidade da administração pública se a eleição para prefeito fosse indireta, através de um Colégio Eleitoral formado por um conjunto de delegados (o município seria dividido em regiões e cada região teria seu representante) - como ocorre na França na eleição para o Senado e na Suiça, para o Conselho de Estado, onde cada Cantão escolhe seu representante - pois se elegeria um técnico, não um político.
Já tivemos no Brasil, entre 64 e 80, quando os “prefeitos biônicos” eram eleitos indiretamente pelas Forças Armadas, porém sem a participação popular e totalmente dependente do poder central – vivíamos então em uma ditadura.

quarta-feira, 12 de março de 2014

SOBRE FILMES 10

PREENCHENDO O VAZIO - Israel, 2012. Direção Rama Burshtein. 
Shira está para se casar quando sua irmã mais velha morre no parto. É um choque para toda a família. Seguindo uma tradição dos ortodoxos o viúvo deverá preencher o vazio, buscando nova companheira para substituir a mulher falecida e decide casar com uma judia belga. Isso significa que ele vai deixar Israel e mudar-se para a Europa. Os pais de Shira não apenas perderam a filha como poderão perder o neto. A mãe impõe sua solução: Shira vai desistir do casamento e se unir ao cunhado, assumindo os encargos de esposa e mãe da irmã mesmo que para isso, tenha que abrir mão de seus sonhos, de sua identidade.

É o olhar de uma cineasta - ela própria uma judia ortodoxa - sobre uma tradição que oprime as mulheres e o faz através de uma observação delicada, em que os pequenos gestos possuem significados mais amplos. O que discute nas entrelinhas é tanto a ética quanto o significado da própria religião. Fala de uma violência que não é física e, talvez por isso seja até mais insidiosa e perturbadora. Para a vítima é sempre mais fácil aceitar-se como tal e dobrar-se, o difícil é resistir. Porem, sem resistência, não há mudança e esta saída, a da resistência não é mostrada, ficando a dúvida de que lado se encontra Burshtein.  


domingo, 23 de fevereiro de 2014

O BRASILEIRO É CORDIAL?

Cordialidade, hospitalidade, generosidade – qualidades tão elogiadas por estrangeiros – representam, com efeito, um traço do caráter brasileiro mas seria engano supor que estas virtudes possam significar “Boas maneiras”, civilidade. Elas são, antes de tudo, expressão de um fundo emotivo rico e transbordante, como observa Sergio Buarque, em Raízes do Brasil.
Observem passageiros entrando em um ônibus e como eles vão se empurrando, tentando um passar na frente do outro para conseguir um lugar para sentar; o morador que faz barulho depois das dez da noite e o vizinho vai à janela e, aos berros, ameaça chamar a polícia; a criança que foi xingada pelo coleguinha de escola e o pai vai lá “tirar satisfações”.

Sergio Buarque usa o termo cordial que vem de “cuore” – coração, em latim – para dizer que o brasileiro tudo faz em nome do coração, de interesses particulares. Não existe a idéia de comunidade, o compromisso é antes de tudo com a família, o que esta na origem não só da falta de polidez como do comportamento corrupto (tudo é justificado desde que seja para beneficiar os parentes, o emprego público para o genro, o dinheiro desviado para deixar todos na família “bem”, etc.). O político, formado dentro destes valores não compreendem a distinção entre o privado e o público, dando origem ao comportamento patrimonialista.

O problema esta, portanto, na família patriarcal (ainda hoje predominante) que educa seus filhos dentro de valores estritamente doméstico, fazendo com que o brasileiro tenha aversão ao ritualismo social, goste da intimidade e esteja sempre procurando abolir as barreiras. O brasileiro gaba-se de ser caloroso, mas confunde expansividade com polidez, pois esta exige respeito a rituais e hierarquias, onde a lei geral suplanta a lei particular.




domingo, 16 de fevereiro de 2014

SOBRE FILMES 9

A GRANDE NOITE - França, Bélgica e Alemanha, 2012. Direção: Gustave de Kerven e Benoît Delépine. Os mesmos diretores de "Mamute". Sinopse: Os irmãos Bonzini são completamente opostos: Not é um punk enquanto o irmão, Jean-Pierre é vendedor de colchões. Quando este é demitido os dois irmãos se reencontram e vão desencadear uma revolução à sua maneira. O filme ganhou o prêmio especial do júri na mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes de 2012.
Filme delicioso, divertido e nada convencional, é uma sátira da situação socio-econômica da França e, por extensão, da Europa. Ao traçar o retrato de dois irmãos sem muita perspectiva de futuro, os cineastas denunciam o vazio existencial que tomou o continente, um dos reflexos da crise. 
Cena do filme 'A grande noite' (Foto: Divulgação)Cena do filme 'A grande noite' (Foto: Divulgação)

RESPONDENDO AS VOZES DA RUA

Após as manifestações de junho/2013 a presidente Dilma declarou: “cabe a todos nos, servidores, responder essas vozes”. Com todo respeito, gostaria de perguntar: nós, quem, cara-pálida? V. Exa. é a chefe e deveria dar o exemplonvestindo mais na qualidade do Serviços Público.

Quando menina escutava que existiam servidores públicos em excesso. Entretanto, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) o total de servidores no Brasil representa 15% do total de empregos, enquanto na maioria dos países é de 22% e somente o Japão tem um número menor, de 10%. Diariamente lemos no jornal que faltam fiscais nas praias, anestesistas nos hospitais públicos, policiais nas ruas e, basta entrar em uma repartição para ver em cima das mesas montanhas de papéis que demorarão meses para serem despachados. Sei que vocês vão dizer: se a turma do cafezinho e do atestado médico trabalhasse... Também escutava que funcionário público não gosta de trabalhar. Mais tarde, tendo eu mesma me tornado uma Servidora Pública verifiquei que, assim como existe a turma que faz “corpo mole”, há também muitos que “vestem a camisa”, apesar das dificuldades muitas vezes encontradas. Na sala onde atendia os pacientes não tinha ar-condicionado, mas um ventilador que precisei levar de casa. Some-se a isto tudo a falta de gestão de recursos humanos, a falta de qualificação da mão de obra e os chamados “cargos de confiança”, que nada mais são do que “cabides” de emprego.

O processo de desenvolvimento e modernização do país exige que o governo invista em melhores condições dos serviços públicos. E, caso queira responder as vozes das ruas o governo precisará investir muito em saúde, educação, segurança, etc. Uma sociedade verdadeiramente democrática é aquela em que todos têm acesso a bens de serviços de qualidade.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

SOBRE FILMES 8



A GRANDE BELEZA - filme de Paolo sorrentino, Italia, 2013. Mesmo diretor de "El Divino" e "Aqui é Meu Lugar". Sinopse: Quando o escritor Jap Gambardella faz 65 anos começa a refletir sobre a vida. Desde o gde sucesso do primeiro e único romance "O Aparelho Humano" sua vida se passa entre festas da alta sociedade, os luxos e previlégios da fama.
O filme é maravilhoso, uma fotografia belíssima. Retrata a decadência não só da elite mas também do clero e da política italiana. É uma continuação de "A Doce Vida”, de Fellini. Pena que Jap Gambardella não tenha o mesmo charme de Marcelo Mastroiano e pareça um pouco desorientado no meio mundano, embora o personagem principal seja Roma e Jap, somente seu cronista. É também felliniano nos personagens exóticos que frequentam as festas. Enquanto que, o vazio da vida em alta sociedade e a busca do prazer sem fim parecem inspirados em “A Noite” de Antonioni. Uma homenagem ao cinema italiano dos anos 60?

JOVEM E BELA - filme de François Ozon, França, 2013. Mesmo diretor de "Potiche", "O Refúgio", "Swimming Pool", "Dentro de Casa", "O Amor em 5 Tempos". Sinopse: Izabella é uma bela jovem de 17 anos que, apesar da confortável condição social e familiar divide seu tempo entra a escola e o trabalho como prostituta de luxo. Desprovida de culpa ou moral, a adolescente dissocia sexo de emoção.
Lacan fala que se deseja o que não se tem. Portanto, qdo a mãe diz: “não lhe falta nada” significa que se Izabelle tem tudo e todos os seus desejos são satisfeitos, só lhe resta desejar o que não pode, o que esta interdito. Poderia optar pela droga mas escolhe tornar-se uma prostituta e oferecer seu corpo em troca de dinheiro. A escolha é narcissica: oferece seu corpo para admiração dos homens e, impedida de gozar, se oferece para o gozo de outros. Seu prazer esta em oferecer o corpo, mas é com o dinheiro - que goza. É uma critica a sociedade de consumo? Talvez.





quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

REFORMA POLÍTICA

POR UMA CIDADE VIVA E DEMOCRÁTICA

O RIO CONTINUA LINDO

Este ano passei o revéillon em Copacabana, no Rio de Janeiro, e adorei. O carioca vibra mais, canta, dança, é mais entusiasmado com  os fogos do que nós, catarinenses. No Rio parece que tudo é mais intenso. Até a violência. Por sorte estava em um local tranquilo e só fiquei sabendo no dia seguinte que houve um tiroteio em frente ao Copacabana Palace e que haviam muitos batedores de carteira na orla da praia. 
 Foi neste bar do centro do Rio que nos refugiamos fugindo do calor de 40o e sensação térmica de 50. Refeitos pelo ar condicionado fomos, eu e Flavio, ao museu MAR mas quando chegamos já eram 17h e não conseguimos entrar. Voltei no dia seguinte e não me arrependi porque o museu tem belos espaços interativos, embora o acervo de gravuras e cartografias do Rio antigo seja bastante grande mas a disposição é um pouco confusa
Na foto à direita, atrás da  minha cabeça fica a obra do museu do Calatrava, ainda em fase inicial.  


Fui também ao CCBB ver a exposição da artista japonesa Yayoi Kusama, aquela que tem o atelier em um hospital psiquiátrico. Creio que o melhor da Yayoi é ela mesma (o pior é pronunciar o nome dela!). A exposição também traz, em ordem cronológica, um histórico das suas intervenções nos espaços públicos, uma delas em New York que me pareceu mais interessante do que a exposição.     




Fugindo do roteiro mais tradicional, fui com a Cláudia e Juliana a Ilha Fiscal ver de perto parte da história do Brasil. Infelismente os salões onde ocorriam os bailes da monarquia estavam fechados para reforma e somente foi possível ver um salão onde encontra-se o  quadro do último baile, na véspera da proclamação da República, quando, D.Pedro II, já sabendo dos acontecimentos, não compareceu. Mas, o melhor de tudo foi que soprava um vento maravilhoso para quem vinha derretendo no calor do verão carioca.

                                                           
Meus lugares preferidos no Rio são o Jardim Botânico e o Parque Lage, porque não só é maravilhoso passear pelos seus jardins como também possuem excelentes cafés. O do Jardim Botânico fica dentro do jardim, debaixo de caramanchões e ainda serve um autêntico creme Brûle.









Desta vez pensei que iria conhecer Búzios mas depois da experiência contada por uma turista argentina desisti. Ela e outras amigas contrataram uma Van e sairam cedo para a região dos Lagos. No meio do caminho ar condicionado deixou de funcionar e tiveram que viajar com a porta do carro aberta, mas o pior mesmo foi terem levado quatro horas para chegar ao destino. Na volta, o mesmo sofrimento. Também pensei em ir a praia de Grumari, a mais bonita do Rio, mas tive que desistir por causa do engarrafamento e porque, além de longe, não tem onibus até lá.  
Mas esta é a única falha do transporte público no Rio. No Rio é incrível como se consegue ir para todos os lugares sem necessitar fazer conexão - assim como você pode ir do centro direto para todos os bairros, também há os inter-bairros - e, na maioria dos pontos há painéis com informações bastante claras, ao contrário de Florianópolis onde não há informações alguma. Mas nem todos os onibus possuem ar condicionado, parece estar previsto para este ano ainda, assim como o metrô que também não demorará muito para chegar até a Barra.  


Adoro o Rio, apesar do calor,  dos engarrafamentos, da desorganização, da violência, da mania de só falarem em assalto, roubo e, as vezes,  mal
 al educados e não terem paciência para dar informações, mesmo assim, amo o Rio e os cariocas e sonho que um dia ainda vou morar lá.  





SOBRE FILMES 7

Tres filmes catarinenses estão em cartaz nas salas de cinema de Florianópolis: Giuseppe e Anita GaribaldiEnsaio e Minhocas. Algo inédito, que mostra o quanto a cidade está em plena efervecência cultural.

GIUSEPPE E ANITA GARIBALDI - filme de Alberto Rondalli tem o mérito de ser o primeiro filme sobre a maior personagem da história catarinense, Anita de Jesus, que junto com Giuseppe Garibaldi participou da Revolução Farroupilha. Isto só já justificaria que lhe perdoássemos as falhas, mas, não, o Diário Catarinense publicou na capa do Caderno Variedades uma crítica bastante negativa do jornal Folha de São Paulo. Que a FSP critique, posso entender e até concordar com elas, mas faltou ao DC um pouco mais de generosidade com os catarinenses que tiveram participação na produção deste filme. Pouco sei sobre o diretor, a não ser que é italiano e que contou com a participação de catarinenses. 

ENSAIO - Entrelaçar dança, dramaturgia e cinema foi o maior desafio da cineastaTânia Lamarca (também diretora de Tainá) que faz um filme também usando como tema Anita Garibaldi. Eva é uma dançarina que sonha em interpretar a história de Anita e quando esta prestes a realizar seu sonho uma paixão secreta pelo seu parceiro pode atrapalhar seus planos. Nos bastidores dos ensaios, amor, inveja, arrependimento e obsessão são sentimentos que tomam todos os envolvidos; do diretor, marido de Eva (Chico Caprario), até a maquiadora da companhia de dança, (Renato Turnes) no papel de um travesti. Os protagonistas (Lavínia Bizzotto e Bruno Cezario) estão ótimos embora o mesmo não se possa dizer dos demais. Infelismente o filme peca também na edição, no excesso de cortes.

MINHOCAS - Neco (9 anos) enfrenta o terrível tatu-bola Ninguém, ditador maníaco que, com a ajuda dos vermes da Gangue da Lama, pretende dominar todas as minhocas da terra através do hipnotismo e construir um Império onde os tatus-bola serão os senhores. Durante a aventura, Júnior, antes um garoto mimado e inseguro, descobrirá o valor da amizade, da coragem e da confiança em si próprio. 
Além de uma qualidade de imagem impecável e de uma história interessante, que narra as aventuras de uma minhoca adolescente levada à superfície por uma retroescavadeira “Minhocas”conta com as vozes de três ilustres brasileiros: Rita Lee, Anderson Silva e Daniel Boaventura. Filme de animação em stop-motion (pioneiro no país ao utilizar a técnica stop-motion em longa-metragem), produzido por Animaking, no Sapiens Park em Florianópolis e dirigido por Paolo Conti e Arthur Medieros Nunes. Fotografia de Klaus Schlickmann e Philippe Arruda. É inspirado num curta-metragem homônimo, vencedor de 11 prêmios no Brasil, incluindo Animamundi SP e RJ e Fesival de Gramado, e do prêmio de exelência JVC Tokio 
Video Festival.

Minhocas


SOBRE FILMES 6

Aqueles que acham filme francês chato recomendo que assistam " Anos Incríveis" (Télé Gaucho) de Michel Leclerc, 2012 e "Um Castelo na Itália" de Valeria Bruni Tedeschi, 2013. São dois filmes deliciosos. "Anos Incríveis" trata de assuntos como novos modelos de família, a manipulação da mídia, o que é ser de direita e esquerda de uma maneira leve e divertida.Sinopse: meados da década de 90, Victor tem apenas 20 anos e seu maior sonho é se tornar diretor de cinema. Sua vida toma um rumo inesperado qdo ele é contratado por uma rede de TV de Paris. Ali ele conhece Jean-Lou, que dirige uma estação de TV anarquista com sua equipe descolada. Juntos eles vão viver por cinco loucos anos, de desafiadores manifestações de rua à frequências piratas de TV, de noites de bebedeiras a casos frustrados de amor em uma Paris alternativa.  

A comédia dramática "Um castelo na Itália" tem um roteiro bem amarrado e uma excelente fotografia de Jeanne Lapoirie fazendo deste um belo filme e que se deve principalmente ao talento da protagonista, que além de atuar e dirigir, ainda assina como co-roteirista.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sobre Filmes 5

NINFOMANÍACA, Volume 1 -  filme de Lars Von Trier, de 2013. Como todo filme do diretor dinamarques, não é fácil falar sobre ele. Mas quem espera um filme polêmico ou mesmo pornográfico engana-se. Diria mesmo que é um filme chato, tem uma narrativa mto linear, embora a historia seja contada em flashbacks. A personagem conta a história da sua vida a um sujeito que faz interpretações baseadas na pesca ou na música de Bach dando a impressão que, não fosse o sentimento de culpa da protagonista, poderíamos concluir que sexo é algo que pode se trocar por um pacote de balas (na cenas iniciais ela conta que apostou com uma amiga um pacote de balas para ver quem trasava com mais homens em uma viagem de trem) e que "amor é luxúria com ciúmes".


AZUL É A COR MAIS QUENTE - filme Abdel Latif Kechiche, de 2013. Embora fale sobre o relacionamento entre duas mulheres o foco não é o lesbianismo mas a experiência amorosa vivida por uma adolescente, Adèle, com uma garota mais velha. É um belo filme. O jornal O Globo vai direto ao ponto quando diz "até chegarem à cama Adèle e Emma perderão muito tempo se conhecendo. (...) é justamente essa detalhada e delicada construção da intimidade (...) e do desejo que move "La Vie d'Adèle".