Moro em Floripa há mais de 15 anos e nunca fui assaltada. Em compensação, em Bruxelas, tentaram me roubar um notbook. Como leio jornal, concluo que sou uma pessoa de sorte. Ou, talvez porque me exponha menos que a maioria da população: circulo pela cidade de carro e, sempre que posso, uso os shoppings para fazer compras. Estatisticamente é muito maior o número de roubos e assaltos nas ruas de maior movimento, como a Conselheiro Mafra, ruas de comércio popular, e nos transportes coletivo, do que nos shoppings.
Ou, seja, é a classe C quem mais sofre com a violência. Também se formos olhar as estatísticas veremos que morre muito mais gente nas favelas do que fora delas, e não só pela disputa de pontos de droga entre grupos de traficantes, mas também por assalto e o chamado "conflito do cotidiano", que nada mais é que briga por motivo fútil.
Mas é a classe média e alta que mais se queixa da violência. É ela quem se diz vítima. O sociólogo americano Barry Glasser, em seu livro Cultura do Medo diz "estamos vivendo em tempos muito seguros, de forma geral, do que vivíamos no passado, na maioria dos lugares. (entretanto) O nível de medo do crime em uma população não se assemelha as reais taxas de crime. (...) a maioria das pessoas nunca teve experiência direta com a violência. (a causa esta em) grupos e indivíduos que promovem o medo e o panico em seu próprio beneficio. Parte da mídia extrai audiência da espetacularização da violência; políticos e grupos religiosos se apoiam no medo para acuar a população (...) com interesses diversos."
Um exemplo recente é o da dona de casa da comunidade Morrinhos, no Guarujá, que foi linchada injustamente pela comunidade onde morava depois da publicação de um retrato falado em uma página no Facebook que mostrava uma mulher que realizava rituais de magia negra com crianças sequestradas. O que me fez lembrar "As Bruxas de Salen", filme norte-americano de 1996, dirigido por Nicholas Hytner. O filme é baseado na peça de mesmo nome de Arthur Miller sobre os fatos históricos envolvendo o julgamento por bruxaria na pequena povoação de Salém, Massachusetts numa noite de outubro de 1692.
Jornais estrangeiros publicam artigos aterrorizastes sobre o Brasil. Esquecem que foi em Paris, nas suas periferias (banlieus) onde começou a onda de carros queimados como forma de protesto. Uma vez em Paris, quando manifestei que queria conhecer Belle Air, o bairro "barra pesada", me disseram que se entrasse lá não sairia viva. O que era um enorme exagero, como constatei depois. Fora alguns olhares hostis, não mais ocorreu que me deixasse apreensiva.
É freqüente lermos que nos USA alguém invadiu uma escola e matou dezenas de crianças. Também nos chegam notícias de alguém que encarcerou mulheres ou mesmo crianças durante anos. E não sei onde o número de pedófilo é maior mas, certamente, não menor do que no Brasil. De cada 9 adolescentes, 1 já sofreu abuso sexual. Nos USA a violência está mais ligada a problemas mentais, enquanto que no Brasil ela esta mais associada a questões econômicas.
Mas, é também o preconceito e a marginalização uma das causas da violência. São as cercas de arame, os vidros do carro levantando cada vez que uma criança pobre se aproxima, a hostilidade aos flanelinhas, comportamentos comuns à classe média e alta, gerando sentimento de exclusão e revolta.
Embora seja ela, a classe média e alta que se diz vítima, fingindo ignorar que o perigo esta na enorme desigualdade de renda entre ricos e pobres. Que a pobreza correlaciona-se com crimes e consumo de drogas, com molestamento de crianças, etc.
Jornais estrangeiros publicam artigos aterrorizastes sobre o Brasil. Esquecem que foi em Paris, nas suas periferias (banlieus) onde começou a onda de carros queimados como forma de protesto. Uma vez em Paris, quando manifestei que queria conhecer Belle Air, o bairro "barra pesada", me disseram que se entrasse lá não sairia viva. O que era um enorme exagero, como constatei depois. Fora alguns olhares hostis, não mais ocorreu que me deixasse apreensiva.
É freqüente lermos que nos USA alguém invadiu uma escola e matou dezenas de crianças. Também nos chegam notícias de alguém que encarcerou mulheres ou mesmo crianças durante anos. E não sei onde o número de pedófilo é maior mas, certamente, não menor do que no Brasil. De cada 9 adolescentes, 1 já sofreu abuso sexual. Nos USA a violência está mais ligada a problemas mentais, enquanto que no Brasil ela esta mais associada a questões econômicas.
Mas, é também o preconceito e a marginalização uma das causas da violência. São as cercas de arame, os vidros do carro levantando cada vez que uma criança pobre se aproxima, a hostilidade aos flanelinhas, comportamentos comuns à classe média e alta, gerando sentimento de exclusão e revolta.
Embora seja ela, a classe média e alta que se diz vítima, fingindo ignorar que o perigo esta na enorme desigualdade de renda entre ricos e pobres. Que a pobreza correlaciona-se com crimes e consumo de drogas, com molestamento de crianças, etc.
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