quarta-feira, 12 de março de 2014

SOBRE FILMES 10

PREENCHENDO O VAZIO - Israel, 2012. Direção Rama Burshtein. 
Shira está para se casar quando sua irmã mais velha morre no parto. É um choque para toda a família. Seguindo uma tradição dos ortodoxos o viúvo deverá preencher o vazio, buscando nova companheira para substituir a mulher falecida e decide casar com uma judia belga. Isso significa que ele vai deixar Israel e mudar-se para a Europa. Os pais de Shira não apenas perderam a filha como poderão perder o neto. A mãe impõe sua solução: Shira vai desistir do casamento e se unir ao cunhado, assumindo os encargos de esposa e mãe da irmã mesmo que para isso, tenha que abrir mão de seus sonhos, de sua identidade.

É o olhar de uma cineasta - ela própria uma judia ortodoxa - sobre uma tradição que oprime as mulheres e o faz através de uma observação delicada, em que os pequenos gestos possuem significados mais amplos. O que discute nas entrelinhas é tanto a ética quanto o significado da própria religião. Fala de uma violência que não é física e, talvez por isso seja até mais insidiosa e perturbadora. Para a vítima é sempre mais fácil aceitar-se como tal e dobrar-se, o difícil é resistir. Porem, sem resistência, não há mudança e esta saída, a da resistência não é mostrada, ficando a dúvida de que lado se encontra Burshtein.  


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