domingo, 27 de dezembro de 2015

BALNEARIO CAMBORIÚ - UMA CIDADE BOA PARA SE VIVER

Para o arquiteto dinamarquês Jan Gehl*, uma cidade boa para se viver é aquela que transmite uma sensação de proteção, conforto e prazer. Podemos dizer que Balneário Camboriú se encaixa dentro desta categoria porque possui ambientes públicos cheios de vida, com espaços que convidam a caminhar, assim como bons lugares para sentar, apreciar a paisagem e observar as pessoas. Também tem uma boa iluminação que transmite segurança e suas calçadas possuem rampa de acesso. Na região central, são razoavelmente largas (embora, nem sempre dentro do padrão recomendado de 5m, que é o que permite maior conforto aos pedestres).
A construção de uma ciclovia e a retirada dos carros estacionados na Avenida Atlântica desobstruiu a visão do mar e valorizou a paisagem, além de ter aumentado o uso de bicicletas e patinetes na via, merecendo aplausos. 

Por tudo isto, podemos dizer que Balneário Camboriú é uma cidade boa para se morar. É a nossa Flórida, para onde muitos sonham mudar depois da aposentadoria.
Mas, ela tem também sérios problemas como os  arranha-céus, à lá Dubai, que fazem sombra na praia à partir das 14 horas. Dubai é uma cidade feita para automóveis com alto nível de ruído, largas avenidas e grandes edifícios. Somos um balneário, uma cidade voltada para o lazer das pessoas e o respeito à escala humana significa criar bons espaços urbanos para os pedestres - a conexão entre o plano das ruas e os edifícios altos se perde depois do quinto andar. Até o quinto podemos ver e acompanhar a vida na cidade. 

Também podemos dizer que uma cidade se torna mais interessante quando há um padrão arquitetônico único para todo o conjunto dos edifícios, tornando-o harmonioso e criando uma identidade ao lugar, como é o caso de Paris, Londres, Amsterdam, Roma, Mikonos, na Grécia, Marrakesche, no Marrocos, etc. Esta identidade vai se refletir nos vínculos que vamos estabelecer com a cidade. O arquiteto Arthur Casas no seu livro Studio Arthur Casas - Works 2008-2015 diz q "(...) na maioria das cidades europeias os projetos tem um diálogo com o entorno e você não consegue fazer um projeto em Londres ou Paris ignorando o vizinho, o bairro (...) isto faz você ter vontade de ir para a cidade, por serem bonitas."

Ainda, observando a região central veremos que há um forte comércio com lojas voltadas para a rua, com  vitrines no térreo, proporcionando prazer as pessoas que caminham pela via. Porém, a quantidade de anúncios e placas com o nome das lojas provocam intensa poluição visual.

Mas, é a fiação elétrica exposta o que mais enfeia a cidade e o aterramento da fiação mudaria muito sua estética. E, embora tenha havido um esforço para melhorar os espaços público com a reforma da Avenida Central, esta ficou muito à dever na qualidade dos materiais usados e no mobiliário que não segue um padrão único para as mesas, cadeiras e guarda-sóis dos bares e restaurantes, criando uma mistura de estilos que em nada favorece o local. Também o paisagismo, quase inexistente, não valoriza em nada o espaço. 

A faixa de areia, que é usada com frequência para a pratica de atividades físicas durante o dia e a noite, tanto no verão quanto no inverno deveria espaços exclusivos para o esporte, de modo que este não interferisse no uso da praia para caminhadas, banho de mar e o descanso.Também faltam espaço para as crianças, como playground. E, na orla do mar observo que falta mais verde, mais árvores e plantas para um melhor aproveitamento do sol/sombra, calor/frescor propiciando uma maior diversidade de experiências sensoriais.   


Orla do mar em Miami, USA
Ainda, segundo J.Gehl "um bom espaço público e um bom sistema público de transporte são dois lados da mesma moeda." Mas não é o que ocorre com o nosso conhecido Bondinho. Necessitamos de investimentos em um sistema de transporte público que ofereça conforto e, principalmente, acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida e para os idosos. O ideal seria um veículo sobre trilhos que fizesse o circuito Avenida Brasil/ Avenida Atlântica, diminuindo grandemente o número de carros no centro. 

transporte coletivo Atenas, Grécia
transporte coletivo Montpellier, França

transporte coletivo Nice, França
transporte coletivo Istambul, Turquia

Transporte coletivo em N.Y., USA

Concluindo, diria que precisamos, acima de tudo, de um planejamento urbanístico amplo e de longo prazo baseado nos conceitos modernos de cidade para as  pessoas. Mas também, da parte do moradores, um olhar mais crítico para as cidades. A maioria das pessoas espera que sua casa seja acolhedora, confortável e bonita mas não exigem o mesmo da cidade como se a única função desta fosse o de possibilitar o acesso aos bens de serviço, facilitar as trocas econômicas e os deslocamentos e nos aproximar dos locais de trabalho, nada mais.

Herdamos dos portugueses o hábito de viver em torno da casa e não valorizamos a função social que tem a rua mas ela é o espaço da democracia, onde todos são iguais, onde aprendemos a conviver com as diferenças e desenvolvermos noções de cidadania.


(*) Este texto foi baseado na obra do arquiteto dinamarquês Jan Gehl, cujo escritório foi encarregado da requalificação dos espaços públicos do bairro Cidade Pedra Branca em Palhoça, SC. É autor do livro "Cidade Para Pessoas", 2010, da Editora Perspectiva, SP.   

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A CULTURA DA CORRUPÇÃO

Todo mundo já ouviu: "A corrupção no Brasil não vai acabar nunca porque ela é cultural". O que é uma meia verdade, porque parte da premissa de que o que é cultural não muda. Lembro daquela mãe que diz: "ele já  nasceu assim, é o jeito dele". Como se houve um determinismo no comportamento humano: brasileiro vai ser sempre corrupto, criança que é agitada vai ser sempre agitada e assim por diante. Acima de tudo, revela um grande comodismo: "se as coisas são como são, não preciso me esforçar para mudar".

Freud, em Totem e Tabu, diz que: "a proibição ao incesto é o ato fundador da civilização". Traduzindo:  é a partir da  interdição, das leis, que a sociedade se estrutura em um sistema simbólico, que  entra na cultura. São, portanto, as leis ou o conjunto de ideias, comportamentos e práticas sociais, que determinam uma cultura.
Ocorre que no Brasil as leis são frágeis ou, usando um expressão de Lacan, são  "palavras vazias". Estamos na fase concreta do pensamento, não atingimos o estágio simbólico - que é o que me "permite" parar o carro em lugar proibido, mesmo com uma enorme placa indicando que é proibido estacionar ali. Mas se tiver um guarda no local, com um bloquinho na mão, a história será outra.
Se as Leis são " palavras vazias"  é também porque existe impunidade. Como disse Maquiavel "Aos amigos os favores, aos inimigos a lei"; que Getulio Vargas adaptou, quando disse: "para os amigos tudo, para os inimigos a lei."

A forma como encaramos as leis é também a raiz do que é chamado de "patrimonialismo". Sérgio Buarque de Holanda diz que o brasileiro tudo faz em nome de interesses particulares e o compromisso dele é antes de tudo com a família - tudo é justificado desde que seja para beneficiar os parentes, dar um emprego público para o genro, ajudar o cunhado e,  por isto, desvia dinheiro: para deixar todos na família “bem”.
O político, que é  formado dentro destes valores não compreende a distinção entre o privado e o público, dando origem, assim, ao comportamento corrupto.

Já ouvimos muito:"todos os políticos são corruptos". O que também não é totalmente verdade. Mesmo que dos 513 deputados e 81 senadores, só se salvem meia dúzia. E cito alguns que, até prova em contrário, não são corruptos: José Serra, Jarbas Vasconcelos, Miro Teixeira, Jean Wyllyans, Luíza Erundina, Cristóvão Buarque. Marina Silva (e deve ter mais gente.....assim espero) são a prova de que não também não há um determinismo na política e podemos, sim, ter políticos honestos. Para tanto, depende que votemos em candidatos que tenham um passado ético e, para isto é preciso que analisemos sua vida pregressa.
Precisamos também de uma  reforma na legislação eleitoral, com proibição do financiamento empresarial, com voto distrital, com cláusula de barreira, etc. Mas, acima de tudo, é necessário que as Leis deixem de ser meras palavras vazias.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

NÃO AO FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO


(texto publicado inicialmente em meu blog em 20/04/2015)
Estava em Budapeste e deveria ir a Paris dali a tres dias quando soube do ataque de um grupo mulçumano a revista Charlie Hebdo. Liguei a TV e ouvi de uma repórter que havia o perigo do aumento da islamofobia e o fortalecimento da extrema direita.
Lembrei dos museus sobre o holocausto que havia visitado na viajem pela Europa Central e veio-me a pergunta: não haveria uma semelhança entre o radicalismo islâmico e o nazismo? Sendo que o nazismo, assim como o islamismo visa eliminar aqueles que são diferentes, que não comungam das suas ideias. Mesmo a igreja católica da idade média quando mandava para a fogueira aqueles que eram hereges também praticava o fundamentalismo religioso.
Considero a afirmação de que o Corão não defende a violência equivocada. A ex-deputada da Holanda, nascida na Somália mas de origem muçulmana, Ayaan Hirsi Ali, que fez um documentário sobre o islamismo com o sobrinho-neto do pintor Van Gogh, Théo Van Gogh - Théo foi assassinado pelos muçulmanos e ela sofreu uma fathva (ameaça de morte) e hoje encontra-se exilada nos USA, sem poder retornar à Holanda - mostraram que em várias passagens do "Corão" ele incita, sim, a violência. Mario Vargas Llosa, em 19/04, no Estadão fala sobre o novo livro de Ayaan.  Herectic - Islam Needs a Reformation Now, "Herege - Porque o Islam precisa de uma Reforma Já" (em uma tradução livre). Ayaan sustenta que a origem da violência praticada por organizações como Al-Qaeda e Estado Islâmico tem sim sua raiz na própria religião e a única maneira eficaz de combatê-la é mediante uma reforma radical de todos aqueles aspectos da fé muçulmana incompatíveis com a modernidade, a democracia e os direitos humanos. Critica também os governos ocidentais que, seguindo o politicamente correto, empenham-se em afirmar que o terrorismo é alheio a religião, o que afirma ser rigorosamente falso.
Perguntaria também se o ocidente não está sendo condescendente com o islamismo, como foi no passado com o nazismo, quando só se deu conta da dimensão do mal que representava para a humanidade quando muitas vidas tinham se perdido. Concordo que nem todo islamista é radical, assim como nem todo nazista saía queimando judeus e homossexuais. O problema é quando a religião ou a ideologia incita o radicalismo através de um pensamento absolutista - sua verdade é única e absoluta e não aceita que alguém possa pensar diferente.
Assim como hoje o Nazismo é proibido, penso que o islamismo também deveria ser proibido nos países da UE se quisermos evitar mais tragédias. Não seríamos nós também antidemocráticos? você vai perguntar. Porém, porque proibir o nazismo é democrático e o islamismo não, se ambos pregam a destruição? O nazismo matou mais de 6 milhões de judeus e o terrorismo muçulmano vem matando milhares de "hereges" e continuará fazendo vítimas.
O muçulmano que vive no ocidente não compartilha dos seus valores e não procura se aculturar: muitos não aprendem o idioma local, por isto não encontram trabalho, vivendo à custa dos impostos pagos pelos cidadãos do país onde mora. Mas vem para o ocidente porque seu objetivo é sua islamização. Assim como o nazismo pretendia dominar o mundo, o Islã pretende expandir suas idéias. Idéias que nada tem haver com Igualdade, Fraternidade e Liberdade.
(*) Leiam também "Infiel, a historia de uma mulher que desafiou o islã", da Companhia das Letras.


17/11/2015 - Sexta-feira,13 deste mês de novembro houve novo atentado do Estado Islâmico. Oito terroristas invadiram alguns bares e restaurantes do 10o e 11o arrodissement de Paris e assassinaram 128 pessoas, de maneira bárbara. Novas ameaças de atentados terroristas estao sendo divulgados pelo EI, desta vez contra os USA.
Também a questão dos imigrantes sírios tornou-se um problema para o Ocidente. Em relação a estes, esclareço que não penso que são as pessoas, ou os sírios que devam ser proibidos de fugirem para a Europa; mas, sim, o islamismo. Se alguém, de fora, vem para minha casa, ele devera se adaptar aos costumes da família, só assim será bem vindo. O mesmo deveria ocorrer com todos os imigrantes.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

MARROCOS

Não tenho mais tempo a perder, tenho que jantar fora, viajar, conhecer coisas novas, me renovar. O que me leva, no final deste mês, para mais uma viagem, desta vez para o Marrocos.
A tout a l'heure
bissus

Notícias da viagem no blog www.tiszaglobetrotter.blogspot.com


ACESSIBILIDADE NO TRANSPORTE COLETIVO


Semana que passou precisei viajar a Curitiba - levaria meus pais, que já tem idade avançada. Como não queria dirigir, propus a eles irmos de ônibus e entrei no site de venda de passagem da empresa Auto Viação Catarinense que anunciava: "Viaje como celebridade (...) serviço VIP". Feliz com a opção que havia feito, falei: "iremos de leito, com todo conforto".
Só não sabia que, embora cumprissem o que haviam prometido: ônibus novo, poltronas confortáveis, frigobar, Wi-Fi, etc., haviam esquecido o mais importante: a Acessibilidade, num total desrespeito com os idosos e os portadores de mobilidade reduzida. E, em desacordo com a Lei 10.048 de 8 de novembro de 2000, que diz: “Os veículo de transporte coletivo a serem produzidos após doze meses da publicação desta Lei serão planejados de forma a facilitar o acesso a seu interior das pessoas portadoras de deficiência”.E, em 2 de dezembro de 2004 esta Lei foi regulamentada através do Decreto 5.296, que acrescenta: "Os serviços de transporte coletivo terrestre são (...) classificado em urbano, metropolitano, intermunicipal e interestadual”. Portanto, inclui todo transporte coletivo concessionário de serviços  públicos.
Porém, passaram-se 15 anos e a Lei ainda não foi cumprida. Fui me informar com a empresa e, constatei que nenhum dos seus ônibus possuem elevador para cadeirantes, impedindo o acesso destes ao transporte intermunicipal e interestadual. E, os idosos e pessoas com déficit de mobilidade também sofrem, pois são obrigados a subir escadas que, até os mais jovens o fazem com dificuldade.
Por falta de iniciativa do motorista, precisei pedir que auxiliasse meu pai, de 93 anos. Embora, a já citada Lei, diga também que “(...) empresas concessionárias de serviço público estão obrigadas a dispensar (...) tratamento diferenciado e atendimento imediato [aos portadores de deficiência, os idosos, etc.]...”.
Bem, depois desta infeliz experiência só posso concluir que o conforto é exclusivo para "celebridades" jovens e, não para idosos ou pessoas com mobilidade reduzida como meus pais.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

SALIVA, SUOR E SOLA DO SAPATO

Com a proibição pelo STF do financiamento empresarial de campanha os candidatos verão seus caixas de campanhas minguarem e terão que apelar para os famosos 3Ss: saliva, suor e sola de sapato. O que será mto bom porque obrigará uma maior aproximação com o eleitor.
Mas não é só de reforma política que precisamos -  vivemos uma combinação de crise política com crise econômica e uma vem alimentando a outra. O que significa que  precisamos também de medidas que resolvam a questão econômica  para  colocarmos novamente o país nos eixos.
Com o impedimento da presidente e, independente de quem venha a assumir o próximo governo, é preciso que este se comprometa com mudanças estruturais.
A constituição de 88 engessou as finanças do país quando determinou que 75% do orçamento da União fosse  vinculado ao aumento da receita. Portanto, se aumentamos  a receita, aumentamos  na mesma proporção a despesa. Ou seja, não adianta o país crescer 5% se a despesa cresce na mesma proporção. Precisamos desingessar as finanças.
Mas também, urgentemente, de uma reforma na previdência. Antigamente o brasileiro começava a trabalhar muito cedo justificando que se aposentasse também mais cedo. Com 50 anos já se era um idoso, mas hoje não podemos aceitar que com esta idade se pare de trabalhar.
E, principalmente,  precisamos acabar com a quantidade enorme de subsídios, isenções e privilégios que beneficiam uma grande parcela dos contribuintes. Uma pesquisa constatou que 60% da população recebe algum tipo de pagamento da União.
Isto tudo só foi agravando com a política social do PT, o que significa que precisamos de menos populismos e mais capitalismo. Acima de tudo, precisamos diminuir o tamanho do Estado. E acho que não seria nada mal se privacisassemos a Petrobras. Se já tivéssemos feito isto, provavelmente ela estaria dando muito mais lucro ao país e não teríamos tanta corrupção.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O GATO SUBIU NO TELHADO

O gato subiu no telhado...e, ao que tudo indica, não demorará a cair. Para alguns, o gato/Dilma não passa de Setembro, para outros, ela resistirá até Novembro, quando o PMDB rompe oficialmente com o governo e ela perde totalmente sua base de apoio.
Torcemos por mudanças e, acho mesmo que sabemos o que queremos: menos corrupção, melhores serviços públicos, etc., mas, para isto, é necessário a união da população e das lideranças em busca de um consenso em torno de reformas. Hoje,  tudo o que vemos são os diversos  segmentos da sociedade falando sozinhos, quando seria necessário um pacto entre as lideranças políticas empresariais e jurídicas para criarmos um novo projeto para o país. Não podemos é ficar assistindo inertes o país ir para o buraco.
Começaria propondo mudar o sistema de governo. Deste sistema Presidencialista - que não é de coalizão mas, de cooptação - deveríamos passar para o sistema  Parlamentarista.
“Não aconteceria mais um cenário, como o atual, em que um governo sem maioria, acumulando derrotas no Congresso, continua governando. Em casos assim, simplesmente cai o gabinete. Se não for possível compor uma nova maioria, dissolve o Congresso e convoca novas“ Nas palavras do deputado do PPS,  Roberto Freire, que completa: "não se pode correr o risco de que alguém fique dizendo que é golpe. Vai ficar claro que só vale a partir de 2018. Mesmo que a crise se aprofunde a ponto de viabilizar o impeachment, quem viesse saberia que teria de preparar o país para o parlamentarismo.”

No Brasil, o parlamentarismo esteve em vigor no final do Império, de 1847 a 1889 e ao passar a ser república, o Brasil adotou o Presidencialismo como sistema governamental. Com a renúncia de Jânio Quadros adotamos novamente o Parlamentarismo, como uma tentativa de solucionar a crise, durante o período de setembro de 1961 a janeiro de 1963. E em 1993 houve um plebiscito mas o Parlamentarismo foi rejeitado por  55% dos eleitores. Somente 24% optaram pelo parlamentarismo.
Hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vem afirmando que pretende apresentar uma proposta de emenda à Constituição para trocar o sistema presidencialista pelo parlamentarismo. Ao mesmo tempo, um grupo que, já conta com a adesão de 216 deputados e 11 senadores pretendem desenterrar uma antiga Proposta de Emenda Constitucional do ex-deputado Eduardo Jorge (PV), apresentada em 1995. Basta que seja enviado ao plenário de a PEC (proposta de emenda à Constituição) que está pronta para ser votada há 14 anos, desde 2001 e prevê a adoção do regime parlamentarista.
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domingo, 6 de setembro de 2015

CONDOMINIZAÇÃO DOS SINTOMAS

"Não é por temor ao abuso que se deve proibir o uso"
Ministro Ayres Brito

Unindo teoria social e psicanálise Christian Dunker* escreve que a vida em condomínio com seus regulamentos, síndicos,  muros, câmeras, portarias - sonho de consumo da classe média brasileira, elevado a paradigma de forma de vida segura - leva a formação de sintomas, que chama de CONDOMINIZAÇÃO.

A lógica do condomínio tem por premissa excluir o que está fora de seus muros e o precedente de nossos modernos condomínios são os grandes hospitais psiquiátricos do séc. XIX. A psicanálise nos ensina a ver com suspeita tais produções sociais que acenam com uma região de extraterritorialidade protegida onde se concentraria a realização da fantasia de segurança como suplência do mal-estar que produzido pelo medo da violência.

Esta fantasia passa, nos condomínios, a ser instrumentalizada em procedimentos normativos, surgindo a compulsão legislativa, característica da gestão condominial.      
Apesar de toda tecnologia e apesar dos síndicos, dentro de um condomínio surgem eventos inesperados, formas imprevistas de encontro e desencontro, irrupções da vida como ela é. Mas tais eventos são interpretados como disfunções (sintomas) que devem ser debelados imediatamente com novas proibições, sanções e prescrições.

P.ex.: uma bicicleta largada na calçada da ensejo ao tropeço da senhora idosa, que redunda na libertação do seu cão de estimação, causando perdas irreparáveis as begônias do jardim. Solução: proíbem-se as bicicletas fora do lugar, depois as begônias e, em seguida os passeios de idosos.

O condomínio como espaço apartado do espaço público e regido por leis de exceção engendra patologias, com suas aspirações de identidade, emergindo o que Freud chamou de "narcisismo das pequenas diferenças". Diferenças essas que fundamentam os sentimentos de estranheza e hostilidade entre os moradores.  E a figura do síndico, com seu regulamentos sádicos nos serve de alegoria para entender a gênese de uma patologia do reconhecimento.

Nosso déficit de felicidade nos leva ao sentimento mais ou menos invejoso de que o vizinho roubou um fragmento do nosso gozo e o mal estar é interpretado como violação de um pacto de obediência.
A autoridade do síndico não se discute, não considera exceções nem pondera casos únicos. É fria ou violenta, sem dois pesos nem meias medidas.Regras extremamente severas e punições draconianas são estabelecidas para pequenos atos infracionais, traço bizarramente identificado ao que se verifica no interior das prisões.

Violência - nome para o mal-estar social em torno do qual novas narrativas de sofrimento puderam se articular. cujos sintomas serão as formações de enclaves fortificado ou condomínios.
O Brasil pôs-inflacionário gerou um novo tipo social, o batalhador ou a nova classe trabalhadora e a antiga classe média vive momentos de insegurança crescente pelo fantasma da proletarização. Mas também pelos miseráveis - chamados de ralé - que consegue se incluir em padrões mínimos de consumo e cidadania. Sua própria existência questiona a posição daqueles que exibem signos de status.
A ascensão social sem uma história que a legitime pode ser tão suspeita ou condenável quanto a exclusão. Há, assim, uma dívida simbólica que leva a necessidade de criar novas narrativas de sofrimento e novos tipos de sintomas. E observações do tipo: "não há mais segurança para se andar nas ruas" ou "precisamos de mais câmeras no condomínio para nos proteger" denunciam a estratégia de se inverter o papel da vítima.



(*) Texto baseado na obra "Mal Estar, sofrimento e Sintoma" de Christian Ingo Lenz Dunker, 1.ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2015 (Estado de Sítio).

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

POR FAVOR, ATENDAM O TELEFONE!



                                                                         E todo aquele q acima país [do bem comum] 
                                                                         Coloca seu amigo , eu o terei por nulo
                                                                                                   Creonte, em "Antígona", de Sófocles 

Lembro daquele dia em Paris, eram três horas da madrugada e chovia torrencialmente. E eu alí na calçada naquele telefone público implorando a telefonista do Banco no Brasil, que me passasse para o gerente. "Droga de fuso horário ...e está chuva que não para pensava quando escutei do outro lado da linha: "ele está com um cliente e não pode atendê-la".

Lembro agora também do médico que não atende telefone de pacientes e da moça da agência de viagem que não pode interromper a conversa com o cliente a sua frente para atender uma ligação. Nossa "etiqueta" não permite interromper o cliente a nossa frente, por mais grave e urgente que seja o motivo da pessoa do outro lado da linha.
Mas também não posso deixar de lembrar das vezes em que, no consultório do médico, este interrompeu a consulta para atender a concessionária que ligou para avisar que seu carro novo chegou ou o corretor que sugeria uma aplicação na bolsa, ou mesmo o amigo que ligou para combinar um jantar. Aí pode passar a ligação, somente com os clientes a regra é "não se interrompe!".
Se é pode pedir licença a pessoa que está a frente deles e atender a concessionária, o corretor, etc., porque não fazer o mesmo com o paciente, se este argumenta haver uma urgência? 
No meu entendimento, deve-se atender para confirmar a urgência e caso não haja dizer que retornará a ligação dali a pouco. Mas, por favor senhores, atendam o telefone!! Sejam educados com todos, não só quando for do seu interesse.
Naquele dia em Paris, tudo teria sido resolvido em segundos, embora fosse urgente. Caso contrario não estaria ali, de madrugada, na chuva, tentando falar com o banco. Mas fiquei eu ali, parada na calçada, as lágrimas escorrendo de indignação, de frio e sono.

Criamos algumas regras que acreditamos serem corretas mas que só favorecem a nós, em uma total indiferença com o outro. Simplesmente porque o outro não existe para nós. Na nossa cultura só  existem nossa família e os nossos amigo e aqueles que não se encaixam nestas categorias não são nada, não existem para nós.
Lacan escreve a palavra Outro com letra maiúscula, por ser aquele que é pleno de significados. Neste caso, em contraponto, nosso outro se escreve com letra bem pequenina. Este outro - cliente  ou paciente - é totalmente destituído de significados para nós.
Estava na Recepçao de uma clínica e, enquanto aguardava ser atendida, ouvia a conversa da atendente com uma senhora idosa, dizia aquela: ".....está faltando o carimbo do médico, volte outro dia" . A senhora idosa, estava vestida com simplicidade e provavelmente pegou 2 ônibus para chegar até lá mas, a atendente, que provavelmente  também não tem carro e deveria saber das dificuldades de quem depende de transporte público, mostrava-se indiferente aquela pessoa a sua frente. Para a atendente, não era uma pessoa a sua frente, era "uma cliente" e  só o papel importava. Eu torcia para que ela dissesse: "falta o carimbo mas, vou ver o que posso fazer pela senhora" mas vi que era esperar demais.

REFORMA POLÍTICA 2

REFORMA POLÍTICA JÁ

O país vem afundou em uma crise financeira e política de dimensões nunca antes vista e afundará ainda mais se não houver uma ampla reforma, a começar pela reforma política. Mad, para que isto aconteça é importante que o legislativo se comprometa com verdadeiras mudanças e não com essa reforma de "faz de conta" do presidente da Câmara, dep. Eduardo Cunha. Porem, os parlamentares só aceitarão fazer uma Reforma Política "de verdade" se houver pressão da sociedade é, portanto necessário que nos mobilizemos através de uma ampla campanha em prol destas reformas.

Enquanto não adotarmos o voto distrital e eleições proporcionais em dois turnos, que permita ao eleitor ficar mais próximo do seu representante; enquanto não acabarmos com os partidos de aluguel; com os suplentes de deputados e senadores; enquanto não instituirmos o financiamento público de campanha, terminando com a influência do poder econômico - ou seja, sem uma mudança estrutural das nossas instituições - o país não irá avançar na construção de uma verdadeira democracia.

Enquanto não desfizermos o tripé no qual está alicerçada nossa economia, que é:  empresa estatal + partidos políticos + empresa privadas que vem a ser = CORRUPÇÃO, não sairemos deste mar de lama em que estamos afundados. E a alternativa é uma Reforma Política que acabe com o financiamento privado das campanhas políticas e acabe com campanhas cada vez mais caras, o que só ocorrerá com voto distrital, simples ou misto.

Àqueles que são contra o financiamento público gostaria de explicar que, quando a empresa UCT doa milhões de reais para o caixa de campanha dos partidos,  este dinheiro vem do superfaturamento das obras públicas, portanto saiu do caixa do governo e, portanto, do nosso bolso. Ou você pensava que saia do bolso deles, dos empresários? E quem diz isso e demonstra com riqueza de detalhes, não sou eu, mas o Sr. Ricardo Pessoa e os demais presos da Lava Jato.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

U.S.A.

Retorno de uma viagem de 20 dias aos Estados Unidos e tenho dificuldade em explicar porque adorei a viagem mas não o país.
Primeiro tenho que dizer que é impossível não gostar de algumas coisas em Manhattan, como o Central Park, os museus, a ponte do Brooklyn mas, também é  impossível não odiar o trânsito engarrafado, a poluição e o barulho.
Mas, nada disto marcou tanto quanto a impressão de um país dividido entre uma classe rica que anda de carro, frequenta bons restaurantes e o povão que anda de metrô e come fast food. São dois mundos muito distantes um do outro e a diferença em qualidade de vida entre essas duas classes me fez questionar o conceito de justiça social americano - não são eles os defensores da democracia no mundo?

Considero que um país democrático é aquele em que todos têm acesso à serviços públicos de qualidade e não foi o que vi em NY. O que vi foi um transporte coletivo péssimo, razão pela qual as ruas vivem congestionadas de carros e o cheiro de gás carbônico e resina asfáltica é terrível.
Alguém disse que país democrático não é aquele em que todos tem carro mas sim aquele em que todos andam de transporte coletivo. Como é o caso de Londres e Paris onde o congressista e o banqueiro vão para o trabalho de metrô.
E o metrô de NY deve ser o pior do mundo porque as linhas não possuem conexão entre si - a linha 6, em direção a Dowtown não passa pela mesma estação que a 6 em direção à Upptown, você tem que sair à rua e pegar outra estação se quiser mudar de direção - entendeu? Não? Não se preocupe, ninguém entende. Também as estações são mal conservadas e raras as que possuem escadas rolantes.

É difícil acreditar mas tem  muita gente que fica fascinada com o ritmo frenético da cidade, mesmo sendo impossível flanar pelas ruas de Manhattan, parar para admirar uma vitrine, tomar um sorvete andando pela calçada,  porque as pessoas vivem correndo, se esbarrando.
Esta não será nunca minha cidade preferida que, continua sendo Paris...agora também Viena...mas pode ser também Amsterdã - enfim, amo a Europa toda.


Outras observações sobre a U.S.A.:
1. O ar-condicionado era muito gelado em todos os ambientes, mesmo naqueles com pouca circulação de gente e, mesmo quando a clima era ameno, mostrando que não há preocupação com o desperdício de energia.
2. Tive muita dificuldade em encontrar alguns produtos europeus como La Roche Posay, encontrei Uma única e pequena loja da Benetton e nenhuma da Oysho. Ficou a pergunta: haveria dificuldade em entrar no mercado americano e seria isto um sinal de um protecionismo tão criticado pelos americanos em relação aos países do terceiro mundo, em especial ao Brasil?





segunda-feira, 22 de junho de 2015

CARTA AO PSDB

Venho, através desta, solicitar minha desfiliação do Partido da Social Democracia Brasileira pois  a palavra DECEPÇÃO é a que resume melhor o que sinto hoje. Embora tenha resistido a admitir que "nem o PSDB escapa", hoje vejo que a afirmação não é totalmente errada, embora não significa que coloque o partido junto aos corruptos mas, junto aos omissos e à aqueles que confundem estratégia política com oportunismo. Vide as últimas votações no Congresso.

Também é do conhecimento de muitos que as eleições foram fraudadas e, que a presidente tinha 35% dos votos antes da apuração no Acre. E, em vista disto, venho me perguntando porque não foi feita uma investigação para anular o resultado? Até agora não vi explicação alguma.
Também só ouvi até agora evasivas e respostas não muito convincente sobre o motivo pelo qual o PSDB não entrou com um uma ação de Improbidade Administrativa contra a Presidente pelas suas "pedaladas fiscais", mesmo com o parecer favorável de vários jurista. 

Minha decepção é maior ainda depois de ter feito campanha para o senador Aécio Neves; de ter  acreditado no partido, ter sofrido, chorado e, principalmente de ter tido esperança de que finalmente o PSDB voltaria ao poder e o país, ao seu rumo correto. Porém hoje o senador Aécio parece estar mais preocupado em criar factoides como foi sua ida à Venezuela.
E as reformas estruturais e a reforma política. Qual é a posição do PSDB? Ninguém sabe.
Fui Serrista até debaixo d'água, mas depois de 2 campanhas presidenciais desastrosas, comandadas por marqueteiros desisti, perdendo a esperança de que um dia chegará ao Planalto, mesmo considerando que é o mais bem preparado para governar este país.
Fui também fã de FHC e ainda o admiro, mas como teórico, porém como político, ele é ótimo professor universitário. Seus conselhos mais atrapalharam até agora, do que ajudaram.

Hoje só o que vejo é um partido fraco, sem garra, preso a briguinhas paroquiais, sem um projeto de país, sem defender posições claras e lutar por elas. Um desperdício porque conta ainda com as cabeças mais brilhantes deste país.

Como muitos brasileiros meu desejo hoje é ir embora do Brasil pois vejo que a política brasileira está decadente enquanto que a população em geral evoluiu, ficou mais politizada, mais consciente.  Por isto creio que, não somente eu, mas toda a população está muito decepcionada.
Hoje só me resta pedir a desfiliação do Partido que tanto admirei no passado e torcer para que um dia as coisas mudem para melhor, que o Lula não se eleja em 2018 e que o PSDB possa tomar "prumo" e rumo em direção  ao Planalto.

Atenciosamente
Beatriz de Sousa Arruda


P.S. - Acrescento que li no D.C. que o dep. Marcos Vieira foi eleito presidente do partido e fiquei muito feliz com a notícia. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

REFLEXÕES QUE FAÇO A PARTIR DAS MINHAS EXPERIÊNCIAS ALÉM MAR

PARTE 1 - TRISTES TRÓPICOS
Passeava com um amigo peruano pelas ruas de Paris qdo ouvi dele: aqui todos tem cara de feliz. Olhei-o, surpresa com a afirmação - afinal, ouvira a vida toda que os brasileiros são os mais alegres e cordiais do planeta. Como se me tirassem um troféu. 
Na verdade é um mito este do brasileiro cordial, alegre. Ele é mal é humorado, encrenqueiro, assim como é também os portugueses. Os brasileiros tem a desculpa da crise econômica, do trânsito infernal, dos serviços públicos de péssima qualidade, etc. Não é caso dos lusitanos, que vivem em uma cidade super tranquila, organizada, onde tudo funciona bem.
Confundimos nosso temperamento latino, expansivo, com cordialidade, gentileza e educação. Sergio Buarque de Holanda em "Raízes do Brasil" fala que Seria engano supor que essas virtudes possam significar "boas maneiras", civilidade. Nossa forma de convívio social é o contrário da polidez, mas ilude na aparência.

O brasileiro não é sociável, ele interage muito pouco com a cidade e as pessoas e não o faz também porque quase não há espaços públicos para o seu lazer e este se dá quase sempre dentro do seu círculo familiar, do seu ambiente doméstico. O que é também parte da cultura que herdamos dos portugueses, voltada para a casa.
Em viagem pela Europa descobri como a vida (com excessão dos ibéricos) é voltada para a rua, para os espaços públicos. E existem inúmeros locais de lazer: no inverno eles têm as pistas de patinação, as piscinas térmicas, os museus, os salões de dança, etc.; e, no verão tem o ciclismo, os concertos ao ar livre, os pic-nic nos seus parques maravilhosos e bem cuidados - todos  públicos e, portanto, acessíveis a todos.

Buarque diz também  (...) onde predomina ainda a família do tipo patriarcal [Brasil e países
emergentes] tende a ser precária a formação e evolução da sociedade. (...) Âmbitos familiares excessivamente estreitos e exigentes circunscrevem demasiado os horizontes do indivíduo dentro da paisagem domestica (...) havendo necessidade de uma revisão por vezes radical dos interesses,  valores, sentimentos, atitudes e crenças adquiridas no convívio da família. (...). A função da rua é separar o indivíduo da comunidade domestica, a liberta-lo das "virtudes familiares".

E o brasileiro cada vez mais se fecha dentro de muros. O psicanalista Christian Dunker no seu recente livro"Mal-estar, Sofrimento e Sintoma: uma Psicopatologia do Brasil entre Muros" publicado pela Boitempo Editora, unindo teoria social e psicanálise conclui que a privatização do espaço público sob a forma de condomínio, com seus regulamentos, muros, câmeras, portarias,  transforma o sonho de consumo do brasileiro, elevado ao paradigma de forma de vida segura, no imaginário nacional, a uma condominização do sintoma.
Mas o muro só produz monstros com seu objetivo de controle de todo tipo de mal estar, nos
impedindo de reconhecer  a aspiração liberdade presente em toda formação de sintoma.
Vivemos a era da cultura do medo. O sociólogo americano Barry Glasser, em seu livro "Cultura do Medo" diz estamos vivendo em tempos muito mais seguros, de forma geral, do que vivíamos no passado, na maioria dos lugares. (entretanto) O nível de medo do crime em uma população não se assemelha as reais taxas de crime. (...) a maioria das pessoas nunca teve experiência direta com a violência. [a causa esta em que] grupos e indivíduos que promovem o medo e o panico em seu próprio beneficio. Parte da mídia extrai audiência da espetacularização da violência.