Para
o arquiteto dinamarquês Jan Gehl*, uma cidade boa para se viver é aquela que
transmite uma sensação de proteção, conforto e prazer. Podemos dizer que
Balneário Camboriú se encaixa dentro desta categoria porque possui ambientes
públicos cheios de vida, com espaços que convidam a caminhar, assim como bons
lugares para sentar, apreciar a paisagem e observar as pessoas. Também tem uma
boa iluminação que transmite segurança e suas calçadas possuem rampa de acesso. Na região central, são razoavelmente largas (embora, nem sempre dentro do
padrão recomendado de 5m, que é o que permite maior conforto aos pedestres).
A construção
de uma ciclovia e a retirada dos carros estacionados na Avenida Atlântica
desobstruiu a visão do mar e valorizou a paisagem, além de ter aumentado o uso
de bicicletas e patinetes na via, merecendo aplausos.
Por tudo isto, podemos dizer que Balneário Camboriú é uma cidade boa para se morar. É a nossa Flórida, para onde muitos sonham mudar depois da aposentadoria.
Mas, ela tem também sérios problemas como os arranha-céus, à lá Dubai, que fazem sombra na praia à partir das 14 horas. Dubai é uma cidade feita para automóveis com alto nível de ruído, largas avenidas e grandes edifícios. Somos um balneário, uma cidade voltada para o lazer das pessoas e o respeito à escala humana significa criar bons espaços urbanos para os pedestres - a conexão entre o plano das ruas e os edifícios altos se perde depois do quinto andar. Até o quinto podemos ver e acompanhar a vida na cidade.
Também podemos dizer que uma cidade se torna mais interessante quando há um padrão arquitetônico único para todo o conjunto dos edifícios, tornando-o harmonioso e criando uma identidade ao lugar, como é o caso de Paris, Londres, Amsterdam, Roma, Mikonos, na Grécia, Marrakesche, no Marrocos, etc. Esta identidade vai se refletir nos vínculos que vamos estabelecer com a cidade. O arquiteto Arthur Casas no seu livro Studio Arthur Casas - Works 2008-2015 diz q "(...) na maioria das cidades europeias os projetos tem um diálogo com o entorno e você não consegue fazer um projeto em Londres ou Paris ignorando o vizinho, o bairro (...) isto faz você ter vontade de ir para a cidade, por serem bonitas."
Ainda, observando a região central veremos que há um forte comércio com lojas voltadas para a rua, com vitrines no térreo, proporcionando prazer as pessoas que caminham pela via. Porém, a quantidade de anúncios e placas com o nome das lojas provocam intensa poluição visual.
Mas, é a fiação elétrica exposta o que mais enfeia a cidade e o aterramento da fiação mudaria muito sua estética. E, embora tenha havido um esforço para melhorar os espaços público com a reforma da Avenida Central, esta ficou muito à dever na qualidade dos materiais usados e no mobiliário que não segue um padrão único para as mesas, cadeiras e guarda-sóis dos bares e restaurantes, criando uma mistura de estilos que em nada favorece o local. Também o paisagismo, quase inexistente, não valoriza em nada o espaço.
Mas, é a fiação elétrica exposta o que mais enfeia a cidade e o aterramento da fiação mudaria muito sua estética. E, embora tenha havido um esforço para melhorar os espaços público com a reforma da Avenida Central, esta ficou muito à dever na qualidade dos materiais usados e no mobiliário que não segue um padrão único para as mesas, cadeiras e guarda-sóis dos bares e restaurantes, criando uma mistura de estilos que em nada favorece o local. Também o paisagismo, quase inexistente, não valoriza em nada o espaço.
A faixa de areia, que é usada com frequência para a pratica de atividades físicas durante o dia e a noite, tanto no verão
quanto no inverno deveria espaços exclusivos para o esporte, de modo que este
não interferisse no uso da praia para caminhadas, banho de mar e o descanso.Também faltam espaço para as crianças, como playground. E, na
orla do mar observo que falta mais verde, mais árvores e plantas para um melhor
aproveitamento do sol/sombra, calor/frescor propiciando uma maior diversidade
de experiências sensoriais.
| Orla do mar em Miami, USA |
Ainda, segundo
J.Gehl "um bom espaço público e um bom sistema público de transporte são
dois lados da mesma moeda." Mas não é o que ocorre com o nosso conhecido
Bondinho. Necessitamos de investimentos em um sistema de transporte público que
ofereça conforto e, principalmente, acessibilidade para pessoas com mobilidade
reduzida e para os idosos. O ideal seria um veículo sobre trilhos que fizesse o
circuito Avenida Brasil/ Avenida Atlântica, diminuindo grandemente o número de
carros no centro.
| transporte coletivo Atenas, Grécia |
| transporte coletivo Montpellier, França |
![]() |
| transporte coletivo Nice, França |
| transporte coletivo Istambul, Turquia |
| Transporte coletivo em N.Y., USA |
Concluindo,
diria que precisamos, acima de tudo, de um planejamento urbanístico amplo e de
longo prazo baseado nos conceitos modernos de cidade para as pessoas. Mas também, da parte do moradores,
um olhar mais crítico para as cidades. A maioria das pessoas espera que sua
casa seja acolhedora, confortável e bonita mas não exigem o mesmo da cidade como se a única função desta fosse o de possibilitar o acesso aos bens de serviço,
facilitar as trocas econômicas e os deslocamentos e nos aproximar dos locais de
trabalho, nada mais.
Herdamos dos
portugueses o hábito de viver em torno da casa e não valorizamos a função
social que tem a rua mas ela é o espaço da democracia, onde todos são iguais, onde
aprendemos a conviver com as diferenças e desenvolvermos noções de cidadania.
(*) Este texto foi baseado na obra do arquiteto dinamarquês Jan Gehl, cujo escritório foi encarregado da requalificação dos espaços públicos do bairro Cidade Pedra Branca em Palhoça, SC. É autor do livro "Cidade Para Pessoas", 2010, da Editora Perspectiva, SP.

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