quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A CULTURA DA CORRUPÇÃO

Todo mundo já ouviu: "A corrupção no Brasil não vai acabar nunca porque ela é cultural". O que é uma meia verdade, porque parte da premissa de que o que é cultural não muda. Lembro daquela mãe que diz: "ele já  nasceu assim, é o jeito dele". Como se houve um determinismo no comportamento humano: brasileiro vai ser sempre corrupto, criança que é agitada vai ser sempre agitada e assim por diante. Acima de tudo, revela um grande comodismo: "se as coisas são como são, não preciso me esforçar para mudar".

Freud, em Totem e Tabu, diz que: "a proibição ao incesto é o ato fundador da civilização". Traduzindo:  é a partir da  interdição, das leis, que a sociedade se estrutura em um sistema simbólico, que  entra na cultura. São, portanto, as leis ou o conjunto de ideias, comportamentos e práticas sociais, que determinam uma cultura.
Ocorre que no Brasil as leis são frágeis ou, usando um expressão de Lacan, são  "palavras vazias". Estamos na fase concreta do pensamento, não atingimos o estágio simbólico - que é o que me "permite" parar o carro em lugar proibido, mesmo com uma enorme placa indicando que é proibido estacionar ali. Mas se tiver um guarda no local, com um bloquinho na mão, a história será outra.
Se as Leis são " palavras vazias"  é também porque existe impunidade. Como disse Maquiavel "Aos amigos os favores, aos inimigos a lei"; que Getulio Vargas adaptou, quando disse: "para os amigos tudo, para os inimigos a lei."

A forma como encaramos as leis é também a raiz do que é chamado de "patrimonialismo". Sérgio Buarque de Holanda diz que o brasileiro tudo faz em nome de interesses particulares e o compromisso dele é antes de tudo com a família - tudo é justificado desde que seja para beneficiar os parentes, dar um emprego público para o genro, ajudar o cunhado e,  por isto, desvia dinheiro: para deixar todos na família “bem”.
O político, que é  formado dentro destes valores não compreende a distinção entre o privado e o público, dando origem, assim, ao comportamento corrupto.

Já ouvimos muito:"todos os políticos são corruptos". O que também não é totalmente verdade. Mesmo que dos 513 deputados e 81 senadores, só se salvem meia dúzia. E cito alguns que, até prova em contrário, não são corruptos: José Serra, Jarbas Vasconcelos, Miro Teixeira, Jean Wyllyans, Luíza Erundina, Cristóvão Buarque. Marina Silva (e deve ter mais gente.....assim espero) são a prova de que não também não há um determinismo na política e podemos, sim, ter políticos honestos. Para tanto, depende que votemos em candidatos que tenham um passado ético e, para isto é preciso que analisemos sua vida pregressa.
Precisamos também de uma  reforma na legislação eleitoral, com proibição do financiamento empresarial, com voto distrital, com cláusula de barreira, etc. Mas, acima de tudo, é necessário que as Leis deixem de ser meras palavras vazias.


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