domingo, 3 de novembro de 2013

QUANDO CHEGARÁ O DIA EM QUE DEIXAREMOS O CARRO NA GARAGEM?

Venho a algum tempo acompanhando as discussões sobre Mobilidade Urbana e novos modais de transporte coletivo, como o marítimo, o teleférico, o BRT que, em conexão com os ônibus, permitirão a população deixar o carro na garagem e passar a usar o transporte de massa, acabando com os engarrafamentos.  
Semana passada fiquei sem carro e precisei pegar um ônibus. Ao me  aproximar do ponto, um ônibus acabava de abandonar o local mas, como não consta o nome na traseira ou mesmo na lateral não sabia se era ou não o “meu ônibus”. Procurei alguma informação no ponto e não existia. E fiquei ali esperando por quase uma hora até que resolvi perguntar soube que “meu  ônibus" não mais passava por ali.
Enquanto que, na Europa, nos pontos de ônibus existe um painel digital que informa não só quais as linhas que passam no local, bem como o tempo que falta para chegarem ao ponto, aqui não há qualquer informação, ficando o usuário entregue a própria sorte.
Quando finalmente embarquei percebi que além de sorte precisava de preparo físico porque as escadas dos ônibus são feitas para pessoas jovens e subir seus degraus exige uma dose grande de esforço. Já dentro do ônibus me vi, então, jogada para todos os lado, até que consegui sentar e passe a observar o entorno. Notei que também não há um mapa com os pontos de parada e tive que pedir ajuda do cobrador. Vi que este tinha também como função ajudar as pessoas obesas, as que carregavam criança no colo ou muitos pacotes a passarem pela catraca, uma tarefa nada fácil. Pensei: porque não usam catracas modernas, dessas que encontramos na entrada das salas de cinema?
Ao chegar ao meu destino conclui que nossos ônibus não passam de latas velhas recondicionadas. E que, mesmo que venhamos a ter novas modalidades de transporte, como o marítimo, o teleférico, o BRT se, continuarmos a depender desses "latões", não somente eu, mas acredito que a maioria da população, não vai deixar o carro na garagem e continuaremos a ter congestionamento.
Perde a cidade e perdemos nós que gostaríamos de ter um sistema de transporte coletivo mais parecido com o do 1o. mundo e menos com o da Índia ou Paquistão.

Texto publicado em 28 de novembro de 2013 no jornal Diário Catarinense, de Florianópolis,  SC.






















segunda-feira, 21 de outubro de 2013

EM DEFESA DE BONS ESPAÇOS PARA SE ANDAR

                                                                                                                  

                                                  "A vida só se desdobra diante de nós                                                                                                 quando estamos a pé."                                                                                                                                       Jan Gehl                                                                             

                                                                          "o ser humano precisa caminhar                                                                                                           para se sentir feliz."                                                                                                                                              Enrique Peñalosa


Evito ir aos shoppings nos finais de semana ou à noite quando estão muito lotados, mas fora isto, é p lá que vou sempre que preciso comprar uma roupa ou um livro ou mesmo fazer um lanche rápido. As melhores lojas, livrarias e cafés estão nestes que são chamados pela esquerda festiva de “templos do consumo”;  mas, não só por isto, vou também aos shoppings porque sãos bons lugares para se andar.

No entanto, quando estou na Europa, gosto de caminhar pelas ruas, gosto de fazer compras nas lojas da Rue de Rivoli, andar pela Via del Corso em Roma, etc.. O mesmo prazer não encontro no Brasil onde as ruas pertencem aos carros e o pedestre aqui é um cidadão de 2ª. classe. Resta a ele o único espaço público onde ainda pode andar com segurança e encontrar pessoas - o que não ocorre dentro de um carro - os shoppings centers.
Como não encontramos em nossas cidades boas calçadas para andar, praças e jardins para neles permanecer é para shoppings que vamos em busca da nossa cidadania e do nosso direito de caminhar.

Mas nem tudo é primeiro mundo dentro de um shopping, dentro dele não há a diversidade e a riqueza existente em uma rua. O shopping é o lugar da segregação social, da discriminação de classe, enquanto que o espaço urbano da rua é democrático e permite a troca social. Mas a cidade como este local de encontro cedeu lugar aos carros - os atuais "cidadãos" de 1a. classe.

Beatriz

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

FRONTEIRAS DO PENSAMENTO

Fui a duas palestras do ciclo "Fronteiras do Pensamento": a do ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa e do psicanalista Contardo Caligaris.

A palestra do economista e hoje urbanista E. Peñalosa foi de longe a mais interessante. Descobri porque um país da America-latina, com um pib per-capita inferior ao nosso, com problemas sociais maiores ainda, consegue o que prefeitura alguma no Brasil conseguiu até hoje: uma reforma urbana nos moldes do primeiro mundo. 

Ele conta que durante sua gestão na prefeitura de Bogotá chegou a 85% de rejeição e que foi, na época, considerado o "inimigos público n.1" da Colômbia. Descontando o exagero do "inimigo público n.1", pude concluir que teve autonomia para fazer as mudanças que desejava apesar de todas as pesquisas de opinião. E que este, certamente, é o nosso problema:  aqui, o administrador público que chegar a índices tão baixos de aprovação, imediatamente convocara seu marqueteiro e tratara imediatamente de reverter a situação.

Ao se eleger Prefeito ele esta ainda no início da sua escalada rumo ao Planalto e suas ações serão sempre voltadas para esse que é seu objetivo maior - o Congresso ou mesmo o Planalto - e a administração municipal nunca será um fim em si mesmo, mas só mais um degrau para chegar ao topo.

Portanto, enquanto não houver uma Reforma Política que acabe com a reeleição para cargos executivos - penso que o cargo de prefeito deveria ser meramente administrativo e não político, mas aí já é outro "papo" - não teremos grandes mudanças, nem mesmo a reforma urbanística que a cidade tanto necessita e; enquanto o nosso sistema eleitoral permitir que o candidato dependa do famoso caixa 2 de campanha, que é abastecido com dinheiro da iniciativa privada, a administração pública continuará a ser pautada por grupos econômicos. 

Durante a campanha o candidato apresenta propostas que encantam a todos - são novas áreas de lazer, transporte de massa de primeiro mundo, teleféricos, etc. Quando eleito, inicialmente, se mostra disposto a colocá-las em prática, cria uma equipe técnica para dar início aos projetos mas não demora muito para percebermos que ele começa a ceder, a adiar, a formar comissões para discutir as reformas, reuniões, etc, etc mas nada vai para a frente porque seus projetos entram em conflitos com os interesses dos grupos econômicos. E, aos poucos, aquelas propostas maravilhosas começam a ir por "água à baixo". Percebemos, frustrados, que o interesse da população vai ficando em segundo plano. Ou em terceiro:  em primeiro esta o dele, o político, em segundo o dos grupos econômicos e só em terceiro o da cidade.

Na dia seguinte fui então assistir a palestra do psicanalista, escritor e articulista da FSP, Contardo Caligaris. O auditório estava lotado e haviam colocado cadeiras e um telão na recepção ao lado. Todo o mundo "psy" estava lá e a maioria foi para ouvir ele falar sobre os Seminários de Lacan, o Homem dos Ratos, etc., ninguém ali sabia quem era realmente Caligaris ou que ele estava ali para falar do seu último romance "A Mulher de Vermelho e Branco". E, aos poucos o pessoal foi abandonando o auditório até que a pláteia resumiu-se a metade e ele continuasse a falando sobre seu processo de criação literária.
                                                                                                                                          

                                                                                                                            Beatriz

sábado, 12 de outubro de 2013

SOBRE FILMES 4

Terça resolvi ver o filme " Frances Ha" que tinha sido muito elogiado pela crítica e era a última semana que passaria em Floripa. Decidi que iria na última seção, a das 21h10 porque poderia, assim, ainda assistir ao jornal na TV. 
Mas o tempo voa e quando olhei em direção ao relógio ele marcava 21h - vai dar tempo, pensei (por sorte a sala de cinema fica próxima da minha casa) - e saí correndo. Só depois de comprar o ingresso e sentar na platéia percebi o engano: iniciava "Os Sabores do Palácio" e não "Frances Ha" - havia errado de cinema!  
Mas a decepção cedeu lugar ao interesse: o filme mostrava o jogo de poder nos porões (literalmente o Local da cozinha) do Palais de l' Élysée e relatava a amizade entre a protagonista, a excelente Danièle Delpeuch, no papel da chef particular do presidente, e François Mitterand em torno de receitas culinárias. Sua rebeldia e dificuldade em lidar com a burocracia do poder, faz com que troque o cargo no Palácio pela cozinha de um posto avançado na Antártica. 
O único problema com o filme foi a fome que aquelas receitas fantásticas tinham despertado e o ClubSandWich com requeijão que tive que encarar no lugar do "foie gras com figos grelhados". 

Dia seguinte fui, finalmente, ver "Frances Ha". E uma nova decepção, era americano! E lembra alguns seriados feitos para a TV com ares de Nouvelle Vague. Diria que é um filme frugal, levemente agradável, nada além disto. Discordo da crítica que, na minha opinião, exagerou nos elogios.

sábado, 21 de setembro de 2013

DISCUTINDO A CIDADE

Chovia e fazia frio, resolvi então assistir pela TV a Audiência Pública sobre o projeto do Aterro da Baia Sul (projeto de Burle Marx descaracterizado por contínuas intervenções) convocada pelo vereador e Prof. Lino Peres, que ocorreria no Plenarinho da  Assembleia Legislativa.
Discutiram o sistema integrado de mobilidade, o BRT, o teleférico, os projetos para implantar novos modais, etc. - que, sabemos, não sairá do papel. Como não existe um projeto amplo de cidade, os órgãos públicos, estadual e municipal continuarão a tratar tudo de forma fragmentada e, que embora se discuta um Plano Diretor e um Plano de Mobilidade Metropolitano, não há referência as áreas de circulação de pedestres, que vemos cada dia ficar mais reduzida para ceder lugar aos carros - as calçadas são uma verdadeira vergonha e continuam a ser ignoradas pelos órgãos públicos. 
Para Jan Gehl (1)  “uma cidade é boa para as pessoas quando as calçadas permitem que (as pessoas) circulem com segurança, conforto e qualidade visual. Ainda, 2º. Jan Gehl “ (...) a função do espaço da cidade como local de encontro e fórum social para os moradores foi reduzida, ameaçada ou progressivamente descartada.”   
Representantes da PMF e do governo do Estado estavam presentes, assim como várias associações comunitárias, ONGs, Polícia Militar, órgãos de classe, estudantes de arquitetura, havendo um grande engajamento das pessoas com a cidade e também um grande interesse urbanístico pelo Aterro Sul.
Como já manifestei anteriormente neste blog,  penso que o Aterro deveria ser mantido como uma grande área verde de lazer, com muita grama, algumas árvores (se o vento sul permitir) e alguns carrinhos de pipoca, e só. Mas gosto da passarela que liga a Praça XV ao mar e não gosto das quadras de esporte nem dos equipamentos e construções pré-determinando a ocupação dos espaços.
Anos atrás, fiz um curso no CIC e, no meu contato com crianças do Morro do Mocotó que frequentavam o estacionamento (não lhes permitiam entrar no prédio) fiquei sabendo que , quando iam jogar bola no gramado embaixo do viaduto em frente a polícia os expulsava e depois de um tempo a PMF plantou no local algumas árvores, provavelmente para impedir o uso do espaço.
Voltando ao Aterro da Baía Sul: nele hoje encontramos várias edificações (todas de péssimo gosto), entre as quais o Centro Sul, a Passarela Nego Quirido, o Direto do Campo, o Camelódromo, os estacionamentos, que foram privatizados, a estação de tratamento da Casan, a base da Central de Operações Policiais, o terminal central de ônibus, equipamentos urbanos que não estava prevista no projeto original e que necessitam ser retirados.
Assim como as crianças do Morro do Mocotó foram expulsas do viaduto do CIC, também as do Maciço do Morro que, antes da construção do Centro de Eventos, ali jogavam bola (sem a necessidade de nenhuma quadra de cimento, para tal) segundo o Tenente Coronel Araújo. 
Como ressaltou o vereador e prof. Lino Peres, “A cidade, sua população e o Aterro merecem um tratamento urbanístico, paisagístico e arquitetônico condizentes com a memória da ocupação da Ilha (...)”.


Uma pergunta: porque  lazer e cultura devem ficar sitiados em espaços pré-determinados? 
                                                                                                                    
                                                                                                                       Beatriz

terça-feira, 10 de setembro de 2013

SOBRE FILMES 3

Hoje assisti a "Nota de Rodapé", um filme israelense de 2011, dirigido por Joseph Cedar. Já recebeu 3 e 5 estrelas, significando que  não há unanimidade. Nem todos gostam, é um filme claustrofóbico, pesado, mal humorado mas, ainda assim, eu daria 5 estrelas. Ele é, antes de tudo, um filme psicanalítico (não por coincidência Freud também era judeu) e fala sobre o embate entre um pai e o filho, ambos pesquisadores e professores universitários. O pai é um sujeito frustrado porque nunca teve seu trabalho reconhecido enquanto que   o filho é uma estrela em ascensão. O conflito vem a tona quando o pai ganha um premio almejado durante toda a vida. O mal estar dentro desta família nos remete a "Totem e Tabu" e à culpa do filho pela morte do "pai da horda primitiva". É, portanto, um filme de grande profundidade, conciso, denso, mas excelente.

AS MULHERES E A RELIGIÃO





O texto abaixo foi extraído do livro "Sexo sem Nexo" da catarinense, nascida em Florianópolis, mas atualmente mora na Itália onde desenvolve pesquisa sobre a condição da mulher no mundo.
No capítulo sobre as religiões ela mostra como estas sempre serviram para que os homens dominassem as mulheres através do seu poder de manipulação.
Começa falando da Igreja Católica e conta que "O 1º. Holocauslo de que a humanidade tem conhecimento e registro foi executado pela Igreja Católica. Teve início no século XIV e durou até o sec. XVIII, chamando-se Santa Inquisição. 85% das pessoas executadas eram mulheres.
Nos países do terceiro mundo a Igreja continua controlando a vida sexual das mulheres mas esquecendo de regrar a devassa vida sexual de seus padres e punir com rigor a pedofilia cometida por eles.
No hinduísmo, a situação das mulheres é ainda mais grave, elas não tem direito a herança e somente recebe o dote no matrimônio, que é repassado à família do marido. Também não tem direito a propriedade ou de pedir o divorcio. E o infanticídio feminino é praticado por muitas famílias para escaparem da obrigatoriedade de, no matrimônio da menina, dividir os bens com outra família.
E, no judaísmo o casamento e o divorcio obedecem às leis rabínicas e somente os homens podem pedir o divorcio. (No divórcio) elas perdem o pátrio poder dos filhos e também o direito sobre os bens do casal. (...) a esposa rejeitada é obrigada a aceitar a situação e sair de casa somente com as joias e as roupas, deixando os filhos e as propriedades p o marido."
Mas é na religião islâmica que se pratica as maiores violências contra as mulheres e, "Apesar de a Arábia Saudita ser membro das Nações Unidas ela não respeita a Declaração Universal do Direitos Humanos e menos ainda os direitos de suas cidadãs. Em alguns países como Líbia, Egito e Marrocos as mulheres são frequentemente estupradas e seviciadas. São também muitos os exemplos de desigualdade de direitos em países como Síria, Marrocos, Irã e a Jordânia. Neles o desrespeito à mulher não conhece limite. No caso de estupro, a mulher vítima é que deve provar que foi estuprada, que o homem a submeteu ao ato sem o seu consentimento. E, nos muitos casos em que as mulheres não conseguem provar, ao invés de vítimas, transformam-se em acusadas e são presas e condenadas por terem tido um relacionamento sexual sem estarem legalmente casadas!
Em países como Argélia e Paquistão, as mulheres não tem direito algum, nem mesmo a uma carteira de identidade ou a qualquer outro documento legal. Quando Khomeini tomou o poder, no Irã, as mulheres que ousaram protestar foram executadas, penduradas dentro de sacos e mortas com rajadas de metralhadora. Outras foram apedrejadas e esfaqueadas pela população civil masculina. Totalizando 20 mil mulheres executadas. Valia tudo para manter o poder masculino e a total obediência das mulheres ao Estado Islâmico.
O 1º. Mundo vem combatendo o terrorismo islâmico. Mas não é terrorismo o que esses homens fazem com as mulheres e meninas? Para elas não existem vida, não existe liberdade, não existe saída. A Anistia Internacional denuncia: Cerca de 110 milhões de mulheres sofrem graves ferimentos (mtas vezes letais) por toda a sua vida, resultado das mutilação dos orgãos genitais femininos ás quais muitas adolescentes e meninas são submetidas.
Os dados são impressionantes: cerca de 2 milhões de meninas são mutiladas a cada ano, seis mil são mutiladas ao dia e 130 milhões de mulheres em todo o planeta.
É desolador vermos que essa realidade desumana ocorre todos os dias e nada de concreto, absolutamente nada, é feito para que tenha um fim. Porque as mulheres ocidentais não defendem as meninas e adolescentes destes países? Será porque esta realidade esta muito distante de Paris, Londres e Nova York? Porque nenhum país ou organização tomou até agora alguma atitude que realmente ponha um fim a tal crueldade? Será porque as mulheres não são tão importantes quanto os homens neste planeta?"

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

SOBRE FILMES 2

Assisti 2 filmes maravilhosos, embora totalmente diferentes: “Branca de Neve” de Pablo Berger, um conto de fadas espanhol e “Tese sobre um homicídio” de Hernán Goldfrid, um thriller psicológico também espanhol.
“Branca de Neve” é um filme sem diálogos (mudo), preto e branco e, mesmo assim, ganhou o premio Goya. Baseia-se no conto dos irmãos Grimm, mas não é um filme infantil, ao contrário tem algo de sombrio. Passa-se em Sevilha, no começo do século passado. É a historia de um toureiro famoso que é ferido durante uma apresentação, cuja mulher morre ao dar a luz a uma menina.
Carmem, a filha, é cuidada pelos avos, e aos 10 anos vai morar com o pai e a madrasta má. Esta obriga o motorista (seu amante) a mata-la, mas ela consegue fugir e é adotada por uma trupe itinerante de anões que lhe dão nome de Branca de Neve.
Ao final do filme, durante uma toureada, assistimos ao embate entre as 2 mulheres: Branca de Neve (o bem ) e a madrasta (o mal). É um belíssimo filme, com uma estética deslumbrante.

Em “Tese Sobre um Homicídio”, um professor universitário de direito criminal (o excelente Ricardo Darín) resolve investigar um assassinato ocorrido na frente da universidade e, com o tempo ele passa a suspeitar de um aluno. O roteiro é inteligente, cheio de nuances e sutilizas e a direção é perfeita, além do ator, que leva o filme praticamente sozinho.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

FLORIANOPOLIS PARA PESSOAS


As cidades devem pressionar os urbanistas e os arquitetos a reforçam as áreas de pedestres como uma política urbana integrada para desenvolver cidades vivas, seguras, sustentável e saudáveis.
Jan Gehl

Depois de uma semana de chuva hoje finalmente saiu o sol e pude pegar minha câmera fotográfica e me dirigir ao centro da cidade. Vou, finalmente, colocar em prática o projeto de escrever no meu blog sobre as calçadas do centro de Florianópolis.
Como toda grande cidade também aqui se anda muito a pé no centro - são pessoas que vão para o trabalho, para o consultório do médico, para as compras, etc. E, como o trânsito de pedestres é mais intenso nas Ruas Esteves Jr. (no espaço entre o Tribunal do Trabalho e a Rua Vidal Ramos), Jerônimo Coelho e Osmar Cunha foi para lá que me dirigi munida da minha Nikon, sem importar-me com o que poderiam estar pensando daquela mulher maluca fotografando calçadas. Ou talvez nem prestassem muita atenção: a maioria passava grudada nos seus celulares, muito rápidas, sem olhar para os lados.

Rua Tenente Silveira - FLORIANÓPOLIS


Rua Nereu Ramos, FLORIANÓPOLIS

As ruas se tornaram impessoais e as pessoas anônimas. Não são mais lugares de encontro, de convivência, são lugares nenhum, como abserva Jane Jacobs em “Morte e Vida de Grandes Cidades” (1961), a bíblia dos urbanistas. Vai dizer que “A feição urbana foi desfigurada a ponto de todos os lugares se parecerem com qualquer lugar, resultando em Lugar Algum. (...) (Em função dos automóveis) as ruas são destruídas e transformadas em espaços imprecisos, sem significados (...). Os pontos de referências são aniquilados ou tão deslocados de seu contexto na vida urbana que se tornam trivialidades irrelevantes.” O aumento do tráfico de automóveis e a falta de políticas públicas voltadas ao pedestre estão acabando com a vida nas cidades (...)."

Rua Osmar Cunha - FLORIANÓPOLIS

Hoje, quando se fala em mobilidade urbana esquece-se que mobilidade não pode ser só para os carros, que precisamos pensar também em mobilidade para as pessoas e que as calçadas são os órgãos vitais de uma cidade. Também o arquiteto Dinamarquês, Jan Gehl, em “Cidades para Pessoas” da Ed. Perspectiva, fala que “...uma cidade se torna viva sempre q as pessoas sintam-se convidadas a caminhar, pedalar ou permanecer nos espaços da cidade. (...) e reforçar a função social do espaço da cidade como local de encontro (...) contribui (...) para uma sociedade democrática e aberta.”
Dei-me conta do absurdo que são nossas calçadas depois de morar em Nice e viajar por diversos países da Europa e poder sentir o que é andar com conforto e segurança, sem pressa.

Place Masséna - NICE, FR


Av. Médecin - NICE


Transporte Coletivo - NICE


Promenade des Anglais - NICE

Promenade des Anglais - NICE


Pl. Garibaldi - NICE


Hôtel Dieu, Île de La Cité - PARIS

Jd de Luxembourg - PARIS

Banlieues - PARIS, França


emigrantes nos banlieues parisiense


                                                                                                             Beatriz Arruda











































quarta-feira, 21 de agosto de 2013

OS DOIS LADOS DA MESMA MOEDA: O PRÓDIGO E O AVARENTO

As questões relativas ao dinheiro estão sempre relacionadas a circulação do desejo. No caso do avarento, ele não converte o dinheiro em objetos de desejo, o dinheiro em si é o objeto do seu desejo; enquanto que o pródigo, ao contrário, parece impossibilitado de guardar dinheiro, o dinheiro se converte em objetos e, por sua vez, “desaparece”. O oposto acontece com o avarento que quer transformar tudo em dinheiro.
Mas acumular dinheiro sem outro desejo que o de aumentar sua quantidade é não somente perverter todas as trocas sociais e subtrair dos desejos sua circulação, visto é aquilo que vivifica as relações sociais.
Tanto no caso da avareza e como na prodigalidade, estas questões estão relacionadas às ligações amorosas originárias. O apego ao dinheiro do avarento refere-se a uma recusa ao amor ou a presença de algo que o impossibilita. Enquanto que o perdulário usa o dinheiro para receber amor. Ele não quer adquirir objetos, mas sim amigos - como o faz Timão, o mecenas em “Timão de Atenas”, de Shakespeare. Para a psicanálise, ele possui uma inibição em sua capacidade para amar, e “dá presentes para não precisar oferecer seu próprio ser”. Ele se sente amado pelo que tem e não pelo que é (se eu tiver um apartamento bonito você vai me amar mais). Parece haver uma confusão entre ser e ter nesse tipo de caráter. Para ele, ninguém pode ser amado senão pelo que tem. Ser equivale ao ter.
No caso do avarento há dificuldade em aceitar a troca amorosa entre as pessoas: ele deseja não desejar, é regido pelo princípio da realidade e pela necessidade. O avarento é alguém que teve uma infância afetivamente pobre e o dinheiro que acumula é apenas um símbolo do afeto que precisava e não recebeu. O avarento trata o outro tal como foi tratado em suas origens (é geralmente incapaz de dar alguma coisa, e se e quando o faz, submete o outro a juros extorsivos). Tende a ser sádico com as pessoas próximas e escolhe o autoerotismo como defesa.
A prodigalidade tem fonte semelhante à da avareza. O avarento trata o outro e a si mesmo como foi tratado, o pródigo trata o outro, e a si mesmo, como gostaria de ter sido tratado. De qualquer forma, tanto o perdulário quanto o avarento reproduzem, em eterna repetição, a situação originária que viveram.
A prodigalidade parece ser uma tentativa de apaziguamento de um Outro odiento; supondo que teve pais que o odiaram inconscientemente, o ódio que sente por eles permanece inconsciente e uma formação reativa fará com que este se transforme em altruísmo. Boa parte dessa atividade libidinal está ligada a fantasias inconscientes de agressão e ódio.
O desejo que o avarento sente em acumular dinheiro parece estar relacionado ao controle de uma angústia proveniente de fantasias inconscientes de destruição do ego.
Como Harpagão, o personagem de Moliére em “O Avarento”, ele repete seu passado e, ao invés de fazer algo para mudar, age com os outros de tal forma que leva-os a mesma rejeição que sofreu na infância.
Comparar esse par de opostos mais que nunca mostra como a oposição significa a mesma coisa no inconsciente: ambos estão tomados pela compulsão à repetição, um tenta recusar o desejo, o outro tenta satisfazer todos eles.

Beatriz

(texto retirado da obra “Avareza e Perdularismo” de Fábio Roberto Rodrigues Belo e Lúcio Roberto Marzagão)
























sábado, 20 de julho de 2013

CARTA AO CESAR FLORIANO

Oi Floriano

Li a matéria sobre a nova Baía Sul no DC de 27 de junho e queria dizer que achei excelente o projeto, mas queria discordar do item 1 onde fala em 180 boxes - acho que não devia ter lojinha nenhuma, só praça de alimentação, banheiros e banca de revistas, no máximo.
Gostaria mesmo é q fosse tudo grama e só algumas árvores pois nd melhor do q pisar na grama, dormir sobre ela ou assistir a um concerto ao ar livre. Tb não gosto de quadras de esporte - pq não jogar futebol diretamente na grama? Por mim, teria no máximo, um carrinho de pipoca.
Mas claro, a passarela-jardim suspensa, alem de linda é importante pq conecta ao mar.
E, por fim, obrigado pelo trabalho fantástico que vc e o Dalmo estão fazendo na Prefeitura de Floripa.

Bjs Tiza




OI TIZA

Eu também acho isto, mas as lojinhas são as condições judiciais que irão viabilizar a construção desta passarela jardim, quanto a quadra existe uma demanda do pessoal do morro que não tem campo de futebol, estamos revendo o programa pois o que falas é de criar vazios, gramas, flores e arvores o que é lindo, mas aqui não funciona, isto vira área abandonada, precisamos atrair as pessoas de todas as idades, dia e noite...e agora....a passarela jardim irá concectar todo os modais, onibus, teleférico e barco, será um evento arquitetonico. Iremos detalhar e em 2 anos estará pronta......ufffffffffffffa










quarta-feira, 26 de junho de 2013

SOBRE FILMES 1


Esta semana assisti a 3 filmes com a mesma temática: o conflito árabe-israelense, todos excelentes. Gostei, nesta ordem:
"O Sonho de Wadja" (arábia saudita/ Alemanha) é a historia de uma menina que, embora viva em uma sociedade extremamente opressiva, é cheia de vida; mas suas dificuldades aumentam quando resolve comprar um bicicleta pois a religião proíbe as meninas andar de bicicleta. A mãe, que a apoia, tambem é discriminada pela família do marido porque não pode lhe dar um filho homem. Mostra o quão injusta e absurda é a cultura islâmica.
"O Filho do Outro" (França) é também um filme muito bonito. Dois adolescentes, Joseph, criado em uma família judia e Yacine, criado na Palestina descobrem que foram trocados na maternidade e possuem nacionalidades diferentes daquelas que acreditavam ter, o judeu é palestino e o palestino é judeu, cada um é outro. Muito interessante como eles lidam com suas novas identidades e com o choque de valores.
E "Uma garrafa no mar de Gaza" (frança/Israel/Canadá) fala sobre atentados terroristas e como dois jovens: Tal, uma judia que mora em Jerusalém e Naïm, palestino, tentam fugir ao seus destinos. A aproximação entre os dois se dá através de uma garrafa jogada ao mar.
Beatriz

                                                                                                           

segunda-feira, 17 de junho de 2013

PRIMAVERA ÁRABE?

Segundo Nelson Rodrigues, torcedor brasileiro vaia até minuto de silêncio por isto não fiquei muito impressionada com a vaia recebida pela nossa presidente, o mesmo não acontecendo com a notícia das passeatas que vem ocorrendo em diversas capitais do país contra o aumento das passagens de ônibus .Como muita gente, tenho me perguntado se as manifestações tomarão maiores proporções ou se, atendidas as reivindicações os estudantes voltarão as salas de aula e os demais, as suas rotinas.
Em Porto Alegre o governo baixou o preço das passagens e mesmo assim o povo continuou nas ruas e mesmo aqueles que não andam de ônibus tem aderido aos protestos.
O aumento das passagens e os gastos excessivos com as obras da copa parece ser só um pretexto, por trás o que existe mesmo é uma grande insatisfação com o país, com a corrupção, um descrédito com a classe política e, principalmente, uma sensação de que o país não vai bem, que a educação não avança, a saúde continua o caos de sempre e as desigualdades continuam.
Há, portanto, um clima de desconforto que vem sendo manifestado nas redes sociais, que vem repercutindo na sociedade e que poderá tira-la da zona de conforto em que finge viver, levando- a a finalmente dizer " basta".
Se for esta a proposta - exigir mudanças – pretendo estar junto aos manifestantes de Floripa nesta quinta-feira empunhando também meu cartaz, que será: "por reformas políticas já".
Agora, se for uma nova Primavera, que seja uma Primavera Tupiniquim e não árabe, pois estes países acabaram em governos menos democráticos.

Beatriz

domingo, 16 de junho de 2013

PLANO DIRETOR

Segunda começa um Ciclo de Palestras sobre o Plano Diretor e resolvi voltar para Florianópolis para acompanhar os debates. Após visitar a Exposição Internacional de Arquitetura no CIC sobre projetos premiados em diversas bienais e sair dela frustada, pensando que nenhum daqueles projetos de reurbanização e recuperação dos nossos espaços públicos, como o do Jardim Botânico, não se concretizariam, eis que surge uma esperança. Preciso, portanto, acreditar que algo vai ser feito para que Floripa tenha um futuro melhor.
Propostas para o Plano Diretor publicada no DC do dia 16/06/2013:
1. Recuperação do centro histórico
2. Transporte marítimo
3. Elevador no mirante da Ponte Hercílio Luz
4. Valorizar a ponte H.L.
5. Transporte coletivo terrestre
6. Altura dos prédios (foto abaixo)
7. Áreas de centralidade
8. Moradias populares em áreas de concentração urbana
9. Incentivo a bicicletas
10. Reurbanização da Baía Sul

                                                                                                   Beatriz




sexta-feira, 14 de junho de 2013

ANALFABETISMO VISUAL

Tentava compreender os argumentos daqueles que são a favor do empreendimento Hotel Marina Ponta do Coral – dizem que trará mais empregos e mais turistas para Florianópolis – e lembrei-me da expressão “analfabetismo visual” ou “analfabetismo urbanístico”, ouvida recentemente em um evento de arquitetos e urbanistas.

Considerando que , em geral, nossas cidades pouco oferecem aos seus moradores - em Florianópolis não há parques onde as pessoas possam relaxar, caminhar, deitar na grama, levar o cachorro para exercitar-se; também não há museus e prédios para serem apreciados ou belos jardins e monumentos para serem fotografados - mas possui uma paisagem natural exuberante que necessita ser preservada, impedindo-se que arranha-céus venham a ser construídos, escondendo-a.

Considerando também que há um desinteresse pela cidade - a maioria dos moradores vê sua cidade como um local hostil: é o trânsito que causa stress, a rua que a noite gera desconfiança, o lixo nas calçadas, o transporte coletivo superlotado, etc., fazendo com que a maioria só enxergue nela aquilo que a incomoda.

E, como só se cuida daquilo que se ama, aqueles que defendem o hotel e Marina Ponta do Coral não veem as consequência negativas para a cidade, não percebem que do ponto de vista urbanístico o empreendimento em nada contribuirá para torna-la melhor, mais humana, para transformá-la em um lugar de encontro, de cidadania e criação de identidade.

Beatriz






HOTEL PONTA DO CORAL

São tantos os absurdos neste país que assuntos não faltarão para este blog, a começar pelo tema do momento nesta ilha da magia chamada Florianópolis: a construção de um hotel na avenida beira-mar, no local conhecido como Ponta do Coral.
A discussão vem se estendendo há um longo tempo entre a prefeitura, ministério público, urbanistas e população através do jornal local. Alguns contra e outros a favor do empreendimento. Os que estão a favor da sua construção argumentam que vai gerar mais empregos e trazer mais turistas para a cidade.
Ok, quem não quer progresso, mais emprego e turistas gastando dinheiro? E mesmo aqueles que são contra o empreendimento, como eu, não são contra o projeto, mas contra o local onde se pretende construí-lo. A Ponta do Coral é um dos cartões postais da cidade e como tal achamos que deve ser preservada e se possível, transformada num belo parque para a população, tão carente de áreas de lazer.

Movimentos surgiram em defesa da preservação do local, como o movimento “Ocupa Ponta do Coral” e “Ponta do Coral 100% Pública” que vem organizando protestos no decorrer do último mês e lançaram um abaixo-assinado que será apresentado à Câmara de Vereadores na próxima terça-feira. O projeto pede a alteração do zoneamento do local – atualmente a área é considerada espaço turístico, o que permite a construção de um empreendimento privado – e, caso seja aprovada a mudança para área verde a prefeitura poderá adquirir o local e transforma-lo em um parque.
Devemos lembrar que existem também motivos de ordem históricas, culturais e ambientais para a preservação da área: a Ponta do Coral já pertenceu ao poder público e nele havia um abrigo de menores que, após ser desativado foi palco de uma série de movimentos populares quando foi posto a venda.

Mas é a cidade e seu maior patrimônio, a paisagem natural, que será mais prejudicada com a construção de um prédio de trinta andares. escondendo os morros do entorno da Beira Mar. Assim, o Hotel poderia ser construído em qualquer outro local, menos na Ponta do Coral, embora ele combinasse mais com a paisagem de Dubai e não com Florianópolis, com sua exuberante paisagem: suas dunas, costões, mangues, sua mata atlântica e montanhas verdes que cercam a cidade.
E, somente permitindo que as belezas naturais coexistam de forma harmônica com a cidade é que traremos turistas e, consequentemente, mais empregos.
Por isto, não somente sou contra a construção do Hotel Marina Ponta do Coral como passei a apoiar o Projeto do Parque Cultural das três Pontas que defende a preservação também da Ponta do Goulart e Ponta do Lessa que, como pode ser visto na foto abaixo, para que ainda possamos continuar chamando Florianópolis de Ilha da Magia.
Beatriz