domingo, 3 de novembro de 2013

QUANDO CHEGARÁ O DIA EM QUE DEIXAREMOS O CARRO NA GARAGEM?

Venho a algum tempo acompanhando as discussões sobre Mobilidade Urbana e novos modais de transporte coletivo, como o marítimo, o teleférico, o BRT que, em conexão com os ônibus, permitirão a população deixar o carro na garagem e passar a usar o transporte de massa, acabando com os engarrafamentos.  
Semana passada fiquei sem carro e precisei pegar um ônibus. Ao me  aproximar do ponto, um ônibus acabava de abandonar o local mas, como não consta o nome na traseira ou mesmo na lateral não sabia se era ou não o “meu ônibus”. Procurei alguma informação no ponto e não existia. E fiquei ali esperando por quase uma hora até que resolvi perguntar soube que “meu  ônibus" não mais passava por ali.
Enquanto que, na Europa, nos pontos de ônibus existe um painel digital que informa não só quais as linhas que passam no local, bem como o tempo que falta para chegarem ao ponto, aqui não há qualquer informação, ficando o usuário entregue a própria sorte.
Quando finalmente embarquei percebi que além de sorte precisava de preparo físico porque as escadas dos ônibus são feitas para pessoas jovens e subir seus degraus exige uma dose grande de esforço. Já dentro do ônibus me vi, então, jogada para todos os lado, até que consegui sentar e passe a observar o entorno. Notei que também não há um mapa com os pontos de parada e tive que pedir ajuda do cobrador. Vi que este tinha também como função ajudar as pessoas obesas, as que carregavam criança no colo ou muitos pacotes a passarem pela catraca, uma tarefa nada fácil. Pensei: porque não usam catracas modernas, dessas que encontramos na entrada das salas de cinema?
Ao chegar ao meu destino conclui que nossos ônibus não passam de latas velhas recondicionadas. E que, mesmo que venhamos a ter novas modalidades de transporte, como o marítimo, o teleférico, o BRT se, continuarmos a depender desses "latões", não somente eu, mas acredito que a maioria da população, não vai deixar o carro na garagem e continuaremos a ter congestionamento.
Perde a cidade e perdemos nós que gostaríamos de ter um sistema de transporte coletivo mais parecido com o do 1o. mundo e menos com o da Índia ou Paquistão.

Texto publicado em 28 de novembro de 2013 no jornal Diário Catarinense, de Florianópolis,  SC.






















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