sábado, 21 de setembro de 2013

DISCUTINDO A CIDADE

Chovia e fazia frio, resolvi então assistir pela TV a Audiência Pública sobre o projeto do Aterro da Baia Sul (projeto de Burle Marx descaracterizado por contínuas intervenções) convocada pelo vereador e Prof. Lino Peres, que ocorreria no Plenarinho da  Assembleia Legislativa.
Discutiram o sistema integrado de mobilidade, o BRT, o teleférico, os projetos para implantar novos modais, etc. - que, sabemos, não sairá do papel. Como não existe um projeto amplo de cidade, os órgãos públicos, estadual e municipal continuarão a tratar tudo de forma fragmentada e, que embora se discuta um Plano Diretor e um Plano de Mobilidade Metropolitano, não há referência as áreas de circulação de pedestres, que vemos cada dia ficar mais reduzida para ceder lugar aos carros - as calçadas são uma verdadeira vergonha e continuam a ser ignoradas pelos órgãos públicos. 
Para Jan Gehl (1)  “uma cidade é boa para as pessoas quando as calçadas permitem que (as pessoas) circulem com segurança, conforto e qualidade visual. Ainda, 2º. Jan Gehl “ (...) a função do espaço da cidade como local de encontro e fórum social para os moradores foi reduzida, ameaçada ou progressivamente descartada.”   
Representantes da PMF e do governo do Estado estavam presentes, assim como várias associações comunitárias, ONGs, Polícia Militar, órgãos de classe, estudantes de arquitetura, havendo um grande engajamento das pessoas com a cidade e também um grande interesse urbanístico pelo Aterro Sul.
Como já manifestei anteriormente neste blog,  penso que o Aterro deveria ser mantido como uma grande área verde de lazer, com muita grama, algumas árvores (se o vento sul permitir) e alguns carrinhos de pipoca, e só. Mas gosto da passarela que liga a Praça XV ao mar e não gosto das quadras de esporte nem dos equipamentos e construções pré-determinando a ocupação dos espaços.
Anos atrás, fiz um curso no CIC e, no meu contato com crianças do Morro do Mocotó que frequentavam o estacionamento (não lhes permitiam entrar no prédio) fiquei sabendo que , quando iam jogar bola no gramado embaixo do viaduto em frente a polícia os expulsava e depois de um tempo a PMF plantou no local algumas árvores, provavelmente para impedir o uso do espaço.
Voltando ao Aterro da Baía Sul: nele hoje encontramos várias edificações (todas de péssimo gosto), entre as quais o Centro Sul, a Passarela Nego Quirido, o Direto do Campo, o Camelódromo, os estacionamentos, que foram privatizados, a estação de tratamento da Casan, a base da Central de Operações Policiais, o terminal central de ônibus, equipamentos urbanos que não estava prevista no projeto original e que necessitam ser retirados.
Assim como as crianças do Morro do Mocotó foram expulsas do viaduto do CIC, também as do Maciço do Morro que, antes da construção do Centro de Eventos, ali jogavam bola (sem a necessidade de nenhuma quadra de cimento, para tal) segundo o Tenente Coronel Araújo. 
Como ressaltou o vereador e prof. Lino Peres, “A cidade, sua população e o Aterro merecem um tratamento urbanístico, paisagístico e arquitetônico condizentes com a memória da ocupação da Ilha (...)”.


Uma pergunta: porque  lazer e cultura devem ficar sitiados em espaços pré-determinados? 
                                                                                                                    
                                                                                                                       Beatriz

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