sexta-feira, 14 de junho de 2013

ANALFABETISMO VISUAL

Tentava compreender os argumentos daqueles que são a favor do empreendimento Hotel Marina Ponta do Coral – dizem que trará mais empregos e mais turistas para Florianópolis – e lembrei-me da expressão “analfabetismo visual” ou “analfabetismo urbanístico”, ouvida recentemente em um evento de arquitetos e urbanistas.

Considerando que , em geral, nossas cidades pouco oferecem aos seus moradores - em Florianópolis não há parques onde as pessoas possam relaxar, caminhar, deitar na grama, levar o cachorro para exercitar-se; também não há museus e prédios para serem apreciados ou belos jardins e monumentos para serem fotografados - mas possui uma paisagem natural exuberante que necessita ser preservada, impedindo-se que arranha-céus venham a ser construídos, escondendo-a.

Considerando também que há um desinteresse pela cidade - a maioria dos moradores vê sua cidade como um local hostil: é o trânsito que causa stress, a rua que a noite gera desconfiança, o lixo nas calçadas, o transporte coletivo superlotado, etc., fazendo com que a maioria só enxergue nela aquilo que a incomoda.

E, como só se cuida daquilo que se ama, aqueles que defendem o hotel e Marina Ponta do Coral não veem as consequência negativas para a cidade, não percebem que do ponto de vista urbanístico o empreendimento em nada contribuirá para torna-la melhor, mais humana, para transformá-la em um lugar de encontro, de cidadania e criação de identidade.

Beatriz






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