sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

CONTRADIÇÕES PALACIANAS

O caso Gedel Vieira traz à tona a questão da (falta de) ética no governo. É corrupção um ministro pedir a um colega que altere um parecer técnico em benefício próprio e ela é ainda mais grave quando o presidente da república, com a justificativa de que não pode desarrumar sua base de apoio no Congresso, mantém este ministro no cargo. E, não só ele mas, também o Congresso e o Conselho de Ética (!) declararam apoio ao Ministro. 
Tudo é encarado como "um assunto menor". Afirmações tipo "temos problemas mais importantes", indicam uma naturalização da corrupção e uma indiferença com a falta de ética na política. 
Mas o Congresso é um reflexo da nossa sociedade que segue uma moral ainda pré-kantiana, anterior ao humanismo moderno de Rousseau e do Século das Luzes. Kant, um dos pais deste humanismo, fala que o bem comum deve em estar em primeiro lugar, em detrimento do bem individual. 
Para nós brasileiros, o valor maior ainda é a família e tudo se justifica em nome desta: nomeio meu genro para um cargo público porque preciso cuidar da minha família (aí voltamos à Sérgio Buarque de Holanda e à ética patrimonialista). É o que o presidente faz quando manda para AGU uma questão que é Privada e não Pública. Confunde-se o Público com o Privado. 
Voltando, então ao nosso Presidente e sua base de apoio que, em sua maioria só está preocupada em salvar a pele da Lava Jato e, só negocia na base de favores políticos, como nomear a presidente do IPHAN para que esta, ignorando a lei, dê um parecer favorável a um empreendimento seu, Temer esquece que para consertar o país é preciso antes acabar com a corrupção, pois sem moralidade nas contas públicas o dinheiro continuará sumindo pelos Caixas 2 e Propinodutos da vida.
Para que o país saia desta crise, que é, antes de mais nada, ética, é necessário não basta ao presidente manter sua base de apoio no Congresso, é importante também não perder o pouco que lhe resta de apoio popular.

FORA RENAN?

Caso Temer não consiga aprovar a PEC do Teto dos Gastos até 2017 a "pinguela" pode cair, ou seja, ele não conseguirá se sustentar e seu governo cairá. 
Teríamos um baque nos mercados, com alta do dólar, queda das bolsas e fuga dos investidores – seria o caos total - também com aumento do desemprego e mais recessão.
Pergunto, então, o que é mais importante: tirar o país da crise e resolver o problema dos 12 milhões de desempregados e dos aposentados que não estão recebendo salário ou tirar o Renan da presidência do Senado? 

Vejam que também não poderíamos entregar a presidência do Senado para o PT, visto que depende desta o encaminhamento para aprovação da PEC do Teto e o partido já manifestou voto contrario à matéria. Talvez não conseguisse derruba-la mas atrapalharia bastante o governo que corre contra o tempo. Motivo pelo qual o vice, senador Jorge Viana nada fez para assumir, abdicando mesmo da presidência pois, embora petista, é ligado ao governo e ficaria entre a cruz e a espada. Tanto melhor que tenha abdicado.

Já, o STF, seguindo o que, Max Weber chamava de Ética da Responsabilidade, resolveu “flexibilizar” e dar mais um tempo (12 dias, para ser exata) ao presidente do Senado, Renan Calheiros em troca deste seguir a pauta estabelecida em plenário, retirando desta, a PL sobre o Abuso de Poder. 
Com o final do recesso parlamentar, que vai de 21 de dezembro até 1º de fevereiro, Renan deixará a presidência do Senado e continuará réu, além de responder por mais 11 ações no Supremo, quando, então, esperamos, acerte suas contas com a justiça. Tudo a seu tempo.

E, assim como Eduardo Cunha foi útil para o impeachment da Dilma, também Renan o é para que possamos aprovar as mudanças necessárias ao país. Porém, mais do que manter Renan Calheiros na presidência do Senado o STF pretendeu dar a Temer condições de governabilidade, seguindo a máxima que diz que é melhor entregar o anel do que perder os dedos. A Ética do Pragmatismo se impôs ante a opção entre o que diz a lei e o que mais convém a Nação, mesmo com o STF tendo que amargar um enorme desgaste com a opinião pública.

Hoje, nossas instituições encontram-se bastante combalidas em face de crises políticas e econômicas infindáveis, com o Legislativo no fundo do poço, o Executivo sem credibilidade e agora, também o Judiciário sendo questionado, está difícil trocar a pinguela por uma ponte.


(*) expressão usada por FHC.

domingo, 27 de novembro de 2016

A FAVOR DA CORRUPÇÃO

Hoje vemos um Congresso em confronto direto e explícito com o Ministério Público, que tenta aprovar a PL 4850/16, sobres as Dez Medidas Contra a Corrupção e o MP está só nesta luta, não tem o apoio do legislativo ou do executivo, conta somente com o apoio da população, que não pode abandoná-lo nesta altura do campeonato. Caso contrário, correremos o risco que ocorra com a Lava Jato o mesmo que houve na Itália com o Mãos Limpas, onde foram aprovadas medidas que anistiaram os corruptos e foi tudo água à baixo.
Também o relator, o deputado Onyx Lorenzoni está só na sua tentativa de aprovar o projeto de lei na sua forma original. O Congresso, espertamente, incluiu a anistia a todo caixa 2 anterior a promulgação da lei, além de incluir nele a Medida 18, aquela que responsabiliza criminalmente o MP.E ainda pode também apresentar uma nova proposta - conspira-se na calada da noite para sabotar a Lava-jato.
Mas SC conta com 4 congressistas na comissão: Angela Albino, Celso Maldaner, João Rodrigues e Valdir Colatto e deles será cobrada a votação do texto original do projeto. Espera-se, assim, que representem os interesses da população catarinense e não os próprios.
Com o intuito de continuar sabotando a Lavajato, o Congresso também pretende acabar com a PEC do Foro Privilegiado e ameaça o judiciário com uma investigação sobre super salários – o que não seria uma má ideia, caso fosse extensiva aos super salários do Legislativo e do Executivo – se o intuito deste não fosse o de constranger o judiciário.
Preocupado em salvar a própria pele, o Congresso está mais a favor da corrupção do que contra ela. Porém, fomos nós que elegemos estes parlamentares que hoje preferem legislar em causa própria mesmo com o risco de ter que assumir um desgaste político, não percebendo que a sociedade mudou e que hoje exige ética na política. Precisamos assumir nossa parcela de responsabilidade voltando às ruas e exigindo respeito aos eleitores e as mais de 2 mi de pessoas que assinaram as "Dez Medidas Contra a Corrupção".

domingo, 2 de outubro de 2016

NA FESTA DA VIDA

Quando anunciei que estava indo para a Escandinávia ouvi do meu pai: "você vai se arrepender, é muito frio". Só sorri, lembrando da minha primeira viagem, que nem era internacional, porque foi para o Rio de Janeiro quando passei a noite em claro, tomada por uma angústia que não sabia identificar. Hoje sei que, inconscientemente, escondia-se a frase que ouvira dele, quando bem mais jovem: "pra que viajar, você não precisa", ou seja, não precisava ter prazer. A frase caíra como uma sentença decretado por este "pai da horda primitiva", como uma castração. Hoje, minha reação a ela é ter-me tornado uma hedonista e uma viajante compulsiva. 
Semana que vem devo ir para a Escandinávia, Rússia e Polônia, terminando de conhecer a Europa e já fazendo planos para ir a África (conheço só o Marrocos) e a Indochina. Assim, a sentença paterna passou a ser: "viaje muito".

Não sou do tipo de pessoa que evita pensar na morte, ao contrário, estou sempre lembrando que um dia tudo isto acabará e que morrerei. E, é porque ela esta muito presente para mim que sinto que preciso viver a vida o mais intensamente que puder. Que o tempo que me resta passará muito rápido e que cada segundo é precioso. 
Não que pense que morrerei logo, acredito mesmo que viverei até os 100 anos, ou perto disto. Portanto, não é exatamente a morte que me preocupa, mas a vida em sua finitude. Faço as contas e vejo que tenho, mais ou menos uns escassos 20 anos de vida ativa e, que depois dos 80 já não estarei tão presente na "festa" da vida. Espero, no entanto, que não à margem desta.

Depois dos 80 é possível que esteja mais preocupada em ter uma vida confortável e um bom plano de saúde. Que as limitações físicas me obriguem a interagir menos com as pessoas, me impedindo de viajar mas, espero, não me impeçam de continuar ligada ao mundo. Que não só a bagagem que trago dentro de mim, minhas experiências e recordações sejam ricas o bastante para tornar mais prazerosa minha velhice mas, que também mantenha acessa a curiosidade pela vida. 

Para muitas mulheres, o que dá sentido à sua vida é a família, filhos e netos. E tudo é investido para que na velhice estes a preencham, o que nem sempre acontece. Nada garante que estarão presentes e o idoso, poderá então viver em um grande vazio, tornando-se muitas vezes, depressivo. 
E serão aquelas pessoas que tiveram uma vida menos limitada à família, que mantiveram-se ligadas aos acontecimentos ao seu redor, que são curiosas, que saberão lidar melhor com suas novas limitações e terão uma vida menos resumida. 

No meu caso, penso que continuarei interessada na vida política do país, nos bastidores do Congresso Nacional, nos conflitos no oriente médio e nas diferenças culturais pelo mundo. Espero continuar escrevendo, podendo ser uma autobiografia onde poderei abrir meus  arquivos pessoais ou seja, meus blogs, que são meus relatos de viagens e assim possa  construir uma nova narrativa de vida que me mantenha na festa da vida.  

terça-feira, 27 de setembro de 2016

HERANÇA MALDITA

Assistia, noite passada, uma reportagem sobre os aposentados, quando lembrei da mãe de uma amiga que mal consegue sobreviver com o que recebe como pensionista do Estado, e vê-se impedida de reformar a casa onde mora ou mesmo, fazer uma viagem.
Gosto muito desta senhora e fico muito preocupada, principalmente com sua casa, que está em péssimas condições.
Minha amiga também concorda, porém, nada pode fazer, porque o que ganha só lhe permite sustentar os 2 filhos. Eventualmente, leva-a ao médico e ao supermercado, procurando ajudá-la quando pode.
Voltando a reportagem, esta falava que o sistema previdenciário público da Inglaterra também não paga muito aos aposentados porém, lá as pessoas procuram fazer um bom patrimônio para, na velhice, desfazer-se dele para poder viajar ou, mesmo para pagar uma boa clínica de repouso.
Comentava isto com uma amiga, inglesa que contou-me que seus pais fizeram exatamente isto mas, completou em tom de lamento: " ...e deixaram-me sem herança”. Observei já que esta já estava bastante abrasileirada, pois o costume aqui é o de “deixar herança para os filhos” mesmo com o sacrifício dos pais. E isto faz parte da cultura latino-americana, não do europeu.
Volto, então a mãe da outra amiga. Ela, com muito trabalho e muito sacrifício havia adquirido dois imóveis e ainda recebera mais um em herança. Como tem tês filhos, doou para cada um dos filhos um imóvel. À minha amiga coube um terreno, onde construiu a casa onde mora; ao outro filho doou o apartamento da praia e, ao outro, a casa onde ela continua morando e que está em péssimo estado.
Porém, se continuasse de posse dos seus bens, esta senhora poderia vende-los e ter hoje uma aposentadoria com muito mais conforto. Se nossa cultura não mandasse que os pais deixem herança para os filhos.
Você talvez já esta pensando porque o filho que recebeu a casa onde ela mora não paga pela reforma da mesma, visto que estaria preservando algo que já é seu? A resposta é que ele está desempregado. Bem, mas ele tem a opção de negociar com uma construtora e trocar do terreno por área construída. Como o terreno permite, poderiam ser construídos dois sobrados, sendo que um ficaria para a mãe e o outro para a construtora. E porque não o faz? Porque não é um melhor negócio PARA ELE. 
Lembro também de um filme argentino, uma deliciosa comédia, onde o protagonista, um empresário falido, quer vender o pequeno apartamento onde reside sozinha, a mãe viúva. Isto para não ter que desfazer-se da bela mansão onde mora com a mulher. Pressionado por esta, resolve pedir a mãe que aceite viver com eles, para que possa assim, vender o apartamento e pagar suas dívidas. Mas esta, ao contrário do que seria esperado, diz que não e inicia-se uma disputa entre mãe e filho que, no final, é vencida pela mãe. O filho acaba largando a mulher ambiciosa e sem escrúpulos, indo morar com a mãe, disposto a levar uma vida sem tanta preocupações materiais. 

MINORIA PRIVILEGIADA

Um país só é democrático quando o acesso à educação, a saúde, transporte e moradia é igual para todos, quando todos têm acesso à serviços públicos de qualidade. Mas não é o que acontece no Brasil, vivemos em um país com uma enorme desigualdade de direitos e nosso Coeficiente de GINI (que mede a diferença de riqueza dentro de um país) só não é maior que o da África do Sul.
Temos, assim, uma maioria pobre e uma minoria privilegiada, da qual fazem parte não só a burguesia rica e o alto empresariado, mas também a elite burocrática – juízes, auditores fiscais, funcionários do Tesouro Nacional, etc. – que constitui o que Raymundo Faoro chama, em “Os Donos do Poder – Formação do Patronato Político” de Estamento Burocrático.
Trazido por D. João VI, ele é herdeiro da administração colonial portuguesa, fundada no sistema patrimonial que deu conteúdo aristocrático e nobreza a toga e aos altos cargos na máquina do governo. Devemos, assim, aos velhos hábitos lusitanos o nosso aparelhamento burocrático.
Faoro diz que "O estamento burocrático impera, rege e governa em nome próprio, multiplicando sem cessar as benesses e os favores a que acredita ter direito".
E, hoje, em meio a uma crise econômica onde muitos vem perdendo emprego e a maioria da população tendo que fazer sacrifícios maiores dos que já faz normalmente, estão a exigir aumento de salário, em total afronta ao demais trabalhadores. O Tesouro Nacional encontra-se em greve por reajuste de salário enquanto tramita na Câmara mais de 100 bilhões para novos aumentos isto que, já foram sancionados mais de 90 bi para o judiciário, o MP e o Legislativo. O presidente da república, enquanto interino e refém do STF, viu-se obrigado a aprovar o reajuste do judiciário, mesmo contra os interesses do país e do, tão necessário, ajuste fiscal, mostrando seu descaso com a maioria dos trabalhadores, que não possuem estabilidade no emprego e não tem a mesma capacidade de mobilização.
E, com menos dinheiro para investir em saúde, escolas e moradias, etc. e o país continuará amargando um dos coeficientes de GINI mais altos do planeta.





domingo, 11 de setembro de 2016

PL 4850

O deputado Eduardo Cunha está com os bens bloqueados, a mulher, ameaçada de ir parar atrás das grades e os amigos, fugindo dele. Ainda assim, tem muita gente indignada com a demora do Congresso em caça-lo. Mas ele já estando morto, só falta "enterrá-lo".  
Existem problemas mais imediatos para o pais resolver, como a aprovação das "10 Medidas contra a Corrupção", a PL 4850, da autoria do Juiz Deltan Dellagnol e não vejo a mesma inquietação com a votação deste projeto, que é de suma importância para acabar ou, ao menos, inibir a corrupção no país. 
Enquanto as atenções da população se voltam para a casacão do deputado Eduardo Cunha, ele e outras "maças podres" do Congresso, estão tentando salvar a própria pele, sabotando a PL 4850. Querem retirar do projeto pontos importantes que inviabilizariam as condenações da Lava Jato.
Também o Supremo Tribunal Federal não vem ajudando muito: acabaram com a Cláusula de Barreira e agora querem o fim da Ficha Limpa quando, o que precisamos é de leis mais severas, que realmente punam os corruptos. A lei atual determina, no máximo 2 anos de prisão para crimes de corrupção, que acabam sendo transformadas em cestas básicas!

Dizem que a culpa é do eleitor que não escolhe bem o candidato, esquecendo que, independe de quem seja, ele não se elegerá sem o famoso caixa dois. O custo de uma campanha esta na estratosfera e 80% dos gastos em uma campanha vão para comprar coligações. 
Como são mais de 300 candidatos só em Florianópolis, quanto mais tempo de TV um candidato tiver, mais chance ele terá - o que não ocorreria se o voto fosse Distrital.
O político, hoje, conta somente com o Fundo Partidário e o financiamento privado embora continue a receber dinheiro "por fora", fazendo acordos espúrios que terá que cumprir após eleito.
Portanto, se o eleitor tem culpa é, antes, por aceitar que as regras do jogo continuem as mesmas e nada fazer para mudar. Assim como, não adianta ficar chutando político morto - é preciso, primeiro de tudo, não deixar que o Congresso sabote "As 10 Medidas Contra a Corrupção” para que, depois de cassados, não consigam fugir da Lava Jato.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MUITO BARULHO POR NADA

Estava há seis meses em Londres e a saudade do país começava a apertar quando, um dia, ouvi um grupo falando português e me aproximei. Eram turistas, uma mãe com duas filhas adolescentes que viajavam pela Europa. No meio da conversa a mãe conta que antes, em um restaurante falavam e riam muito alto e todos olhavam com inveja (?) - porque, acrescentou: esta alegria só o brasileiro tem. Tive vontade de perguntar porque ela tinha tanta certeza de que estavam com inveja e não reprovando?
Lembrei deste fato ao ler que a imprensa internacional têm criticado o comportamento barulhento da torcida brasileira nos estádios pois, assim como as turistas de Londres, os torcedores brasileiros parecem confundir barulho com demonstrações de alegria. Penso que este comportamento deve-se ao nosso “Complexo de Vira Lata” - termo usado por Nelson Rodrigues que define nosso sentimento de inferioridade - que faz com que precisemos desta visibilidade.
Para  Sergio Buarque de Holanda, interpretamos os “tapinhas nas costas” como afabilidade quando fazemos isto porque gostamos de mostrar intimidade e somos avessos à formalidades. Na França aprendi que é preciso sempre dizer bon jour, quando se entra em um estabelecimento qualquer e, au revoir ao despedir-se e receberá como resposta um grande sorriso. Mas, caso não siga estas pequenas regrinhas, poderá achar que os franceses não são muito simpáticos.
Lembro também outra ocasião, em Amsterdan quando caminhava na rua com um amigo peruano e este comentou que todos ali tinham cara de feliz. Respondi que certamente haviam motivos de sobra afinal, era um país maravilhoso, onde todos eram educados e respeitosos uns com os outros.
Ao contrário dos holandeses, nós enfrentamos um transporte coletivo de péssima qualidade, repartições públicas ineficientes e, com frequência, nos deparamos com pessoas criticando tudo: a violência urbana, a corrupção, etc. Bem diferente do estereótipo do brasileiro cordial, nem sempre somos bem humorados ou mesmo educados nas nossas relações sociais. 
Acho que um pouco mais de formalidade não nos faria mal. Mas, não só acreditamos que somos um povo alegre como, também queremos ter certeza que é assim que somos vistos lá fora. E a maneira que encontramos é fazendo muito barulho – MUITO BARULHO POR NADA.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

CLASSE POLÍTICA x SOCIEDADE

Platão fala que ninguém é obrigado a gostar de política mas que este sempre será mandado por aqueles que gostam. Gostar ou participar, no entanto, não é só votar de 2 em 2 anos, é também, lutar por melhorias na política.
Pioramos na nossa representação e, hoje, a qualidade do congresso não poderia ser pior. Basta lembrarmos a votação do impeachment: "voto pela minha mãe, pela minha vozinha, por Israel, etc.". E, se não temos mais um Ulisses Guimarães, um Mário Covas, um Nelson Carneiro, etc., é também porque escolhemos mal nossos representantes.
O problema não se resume a escolha dos candidatos, ele passa também pelo  nosso sistema político que é indutor de más condutas e, hoje a função do Legislativo é, tão somente, a de distribuir cargos e recursos, no mais puro fisiologismo. 

O que é ser um político nos dias atuais senão nomear correligionários para cargos nos órgãos públicos e aprovar emendas para suas bases?
Decepcionados, acabamos virando às costas para a política - esta não nos representa mais, a sociedade evoluiu e se transformou e a classe política continua representando suas paróquias, ao estilo das velhas oligarquias.
A verdade é que este sistema está falido e precisamos corrigir suas deformações, caso contrário serão frustradas as expectativas que se criaram à partir de março/2013 e, teremos como consequência, um maior distanciamento entre a sociedade e a política.
Se existe unanimidade é a de que queremos acabar com a corrupção porém, sem reformas estruturais estas não acabarão pois, não adianta combater o sintoma sem ir à causa. Assim como, não basta só mandar os corruptos para a cadeia que virão outros no lugar destes.
E ainda, correremos o risco de um novo Color ou, de que Dilma, voltando ao Planalto (batam na Madeira), proponha um plebiscito para a convocação de novas eleições e Lula saia candidato “para estancar a sangria da Lava Jato”, ou mesmo, o que o Dep. Bolsonaro ou algum outro "salvador da pátria" se elejam.
É preciso, portanto, que a população volte às ruas em prol de reformas, caso contrário, nunca entraremos na modernidade política e continuaremos a ser mandados e, consequentemente, roubados por aqueles que gostam de "política".


-- 
Beatriz de Sousa Arruda
Fone 55 48 33 64 62 21
Cel.  55 48 91 12 32 20 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

VIAJANDO SÓ SEM MEDO - GUIA PARA MULHERES QUE QUEREM SE AVENTURAR PELO MUNDO.



check-point em Berlim, Alemanha - 2014




SUMÁRIO
                                          1.   Introdução
                                                   2.   Planejando a viagem
                                                   3.   Fazendo o roteiro
                                                   4.   Comprando as passagens
                                                   5.   Reservando a hospedagem
                                                   6.   Usando o Google map
                                                   7.   Criando um blog de viage
                                                   8.   Últimos preparativos
                                                   9.   Fazendo a mala (celular, travel money)
                                                 10.   Em busca de mais informações


I. INTRODUÇÃO
Cansada de ouvir: "nossa, você vai viajar sozinha? Mas que coragem!!" Percebendo também que muitas pessoas deixavam de realizar o sonho de conhecer um determinado país porque não tinham com quem ir, resolvi mostrar que viajar só não é nenhum "bicho-de-sete-cabeças" e pode mesmo ser uma experiência muito rica. 

Não que viajar acompanhada também não seja legal. É bom  ter com quem dividir as experiências, ter uma companhia para ir naquele restaurante supimpa, ou num concerto a noite. Mas você verá que pode ter tudo isto sem a  necessidade de levar o marido, a irmã ou mesmo uma amiga. 

Viajar com o marido ou o namorado é, em geral é muito tranquilo (se ele gostar de viajar, caso contrário reclamará de tudo, como o marido de uma amiga minha) porque já conhecem os gostos um do outro assim como já existe um acordo prévios sobre quem vai ceder e quando.
Mas, você sempre vá ter que abrir mão de ir a algum lugar que queria muito conhecer em prol do desejo do seu parceiro. E, não se iluda, nada garante que você terá outra chance de voltar ao mesmo lugar.  
A chance de que tudo corra bem é maior do que se você viajar com alguém com quem você não tem uma convivência diária como é o caso de uma amiga/o - quem nunca ouviu falar de viagens que acabam em desentendimento entre amigos de longa  data? Neste  casso, talvez seja melhor ir só do que perder o amiga/o.

Caso vá viajar com uma amiga/o, é importante, então, antes de embarcarem, conversarem sobre o que cada um/a gosta de fazer e quais os lugares que querem visitar. Porém, o mais importante ainda, é manterem a Independência e não achar que precisam fazer tudo juntos/as. Quanto a mim, se viajo com mais alguém, gosto de deixar claro que:

              1. Não costumo gastar muito com hotel, um três estrelas já está ótimo. Deste, só                     espero que seja confortável e bem central.  
         2. Não gosto de acordar cedo e costumo sair depois das 10 da manhã. Também                       não sou adepta de maratonas. Como viajo com bastante tempo, visito um ou, no                   máximo, dois lugares por dia;
         3. Assim, como não acho que tudo deva ser feito juntos, acho também que durante o               dia cada um deve seguir seu roteiro, dentro do seu próprio ritmo
         4. Gosto de sair a noite, de ir a um teatro, um cinema, um club de jazz ou                                 simplesmente para tomar um chopp ou um vinho;

Se adaptar aos hábitos de outra pessoa é o primeiro dos problemas quando se viaja acompanhada com alguém com quem não temos uma convivência diária. O segundo, é que aparecerão imprevistos que vão exigir muita sintonia para resolve-los - e é sempre mais fácil decidir sozinha do que ter que negociar com quem as vezes não se supunha ser "tão difícil".

Por isto, pense bem e converse muito antes de decidir viajar com mais. Mesmo porque, viajar só precisa ser sinônimo de uma viagem solitária pois o simples fato de estar sozinha fará com que você se aproxime mais de outras pessoas e vice-versa, permitindo que você conheça pessoas novas, com culturas diferentes da sua, o que tornará a experiência de viajar só mais enriquecedora do que se você estivesse viajando acompanhada.



Família do Azerbaijão que conheci durante viagem pelo Bósforo, em Istambul, Turquia, 2011

Recentemente, em viagem pelo Caribe de navio, sentei para fazer um lanche e uma argentina, muito simpática, convidou-me para sentar com ela, a irmã e o cunhado em outra mesa. E eles eram muito simpáticos e foram excelentes companhias, confirmando que quando se esta só se interage mais com os lugares e as pessoas.  
Família argentina que conheci durante viagem pelo Caribe, 2015

Neste caso, como não temos dificuldade com o espanhol, foi tranquilo o entendimento. Mas, em geral, basta falar um pouco de inglês  para se comunicar com as pessoas, mesmo nos países do Leste europeu, nos países árabes e Asia. 

Tirando os russos, que não falam inglês, todos tentarão entendê-la, até os franceses, acreditem-me!!



II - PLANEJANDO  A VIAGEM
Uma coisa importante é estar bem informada sobre a história e a cultura do lugar para onde você quer ir. Conhecimento que você já vai adquirindo quando começa a organizar a viagem. 
A primeira regra para quem viaja só é você mesma comprar a passagem e fazer as reservas de hotel. Só assim você será a dona da sua viagem, uma verdadeira viajante, e não uma turista que só vai atrás da bandeirinha do guia.
Claro que dependendo do país que você vai visitar, se for para o norte da Africa, oriente médio ou Ásia não será recomendado ir só. 
Você sempre tem a opção de ir com uma agência de viagens como a Rotas do Vento, que organiza grupos de pessoas de diversas partes do mundo, disponibilizando um guia e um motorista. 
Viajei recentemente ao Marrocos  e como  queria ir ao Sahara, entrei em contato com esta 
agencia de Portugal e não me arrependi, porque foi tudo muito bem organizado. Fui junto com uma portuguesa muito simpática , além de um guia e um motorista. Foi uma experiência fantástica acampar no deserto.



Em direção ao Sahara, na região do Saghro


A esquerda, o motorista e a direita, o guia já no Sahara


III - PLANEJANDO A VIAGEM
Depois que você leu tudo sobre o(s) pais (es) que vai visitar, escolha as cidades ou lugares tentando selecionar o que achar mais interessante. Não queira conhecer tudo de uma vez pois acabará vendo tudo superficialmente.
Se escolher ir no verão, terá a vantagem de, neste época do ano ter muitos eventos e festas. E, a desvantagem, de dos preços de hotéis e passagens estarem muito altos. Além das filas para os museus serem bem maiores. Lembro que em Roma e  Paris é ferragosto, época em que os nativos saem de férias e as cidades são invadidas por hordas de turistas. Mas, é nas cidades menores que ocorrem os festivais de verão, com muito teatro, música, literatura, etc. e são, portanto, os melhores lugares para se visitar no verão.

Dentro do palácio de Diocleciano, em Plitz, Croácia 2009



Por outro lado, se decidir ir no inverno, na baixa temporada, terá a vantagem dos preços estarem bem mais baixos e não existirem filas nos museus. Além do fato de que encontrará maior numero de moradores locais, conhecendo a verdadeira face do lugar. 
Se você for depois do dia 15 de novembro para a Europa irá encontrar as charmosas feiras de natal, com suas barraquinhas de comida e enfeites natalinos.
Quanto à temperatura, não se preocupe, porque se você estiver adequadamente vestida, com uma camiseta térmica, suéter de lã pura e jaqueta para cortar o vento, você não passará frio - lá o frio é seco. Não esqueça, no entanto de botas adequadas (as nossas não servem porque absorvem a umidade e frio). Eles gostam de dizer, muito apropriadamente, que não é o tempo que não está bom, é você que não esta vestida adequadamente.
A maioria dos brasileiros preferem a meia-estação, o que não é o meu caso, que prefiro o verão com suas festas ou o inverno com sua paisagem branca. 



Vista de Praga, do alto do Castelo. Abaixo a árvore de natal enfrente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim e, a esquerda, uma feira de rua em Budapeste, Dezembro de 2014.

 
Térmica em Budapeste, com temperatura externa de - 5 graus e dentro da piscina com temperatura de + 28 graus.



Pista de patinação em Budapeste, 2015
, , e de ficar observando as pessoas, o ritmo do lugar,
III - FAZENDO O ROTEIRO DE VIAGEM
Escolhido os lugares que vai visitar, trace o roteiro. O ideal é ficar ao menos três dias em cada lugar, se for uma cidade pequena. Nas maiores, como as capitais fique ao menos cinco dias, caso contrario conhecerá muito pouco do lugar. Nunca diga: "um dia eu volto lá", porque nada garante que isto ocorra. E, para  realmente viver o lugar, perceber suas peculiaridades e sua alma, é preciso tempo, caso contrario o melhor será abrir a Internet e conhecer tudo sentada no conforto da sua sala de estar. 
Também, se correr o dia todo não terá tempo para "flanar" pela cidade, entrar por ruas desconhecidas e se surpreender com as paisagens ou edifícios encantadores. Por isto selecione só o que for mais importante para você. Pense também em qual é seu foco, se é a paisagem, a arquitetura, a cultura local e concentre-se neles. Confesso que o meu é antes de mais nada, a cultura local, motivo pelo qual gosto de ficar sentada nos cafés observando as pessoas, o ritmo do lugar, sua pulsação. 

Abaixo estão alguns cafés, bares e cabarés (que em Paris tem outro significado) que amo e curti muito. Onde também, encontrei muitas pessoas interessantes.

O Lapin Agile, em Montmartre, cabaré de Paris. 2009

Café Framboise em Marais, Paris, 2009
Rue du Barre, em Marais, Paris, 2009

Café em Paris no Champs-Elysées, 2011


IV - COMPRANDO AS PASSAGENS
Decidida a data, o destino e o roteiro você já pode começar a comprar as passagens. Mas preste atenção, muitas vezes passagens muito baratas tem muitas escalas, tornando a viagem muito cansativa. Caso tenha que comprar passagens aéreas dentro do país ou continente procure usar vôos low-cost porque são bem mais baratos. Para distancias menores prefira viajar de trem, que tem a vantagem de as estações serem no centro das cidades, sem necessidade de deslocamentos para os aeroportos. O único problema do trem é você ter que carregar suas malas e alguns tem escadas nada confortáveis.
Algumas pessoas gostam de viajar com todos os ingressos para eventos, passeios, shows, etc, comprados antecipadamente. Eu acho que fica tudo muito engessado. Mas, para quem viaja na alta temporada e tem puco tempo, é o mais garantido.


                                  Passeio e barco na ilha de Capri, sul da Itália, 2011


V - RESERVANDO HOSPEDAGEM
Você tem várias opções de hospedagem e, além dos hoteis, você tem o hostel, o Bed and Breakfast, a guethouse. 
Existem hostel de várias categorias, da mais simples até a categoria boutique. 
Já o Bed and Breakfast e a Guesthouse são a mesma coisa.
A vantagem do hostel e da Guesthouse, para quem viaja só, é que você terá com quem conversar e poderá fazer amizades e todos tem cozinha onde os hóspedes fazer jantares e até mesmo festas.  Aconselho a ficar em uma Guesthouse, que tem preço próximo de um hostel e o quarto é individual. Observe porém que nem todos os quartos tem banheiro individual.   
O Airbnb, que hoje está na moda, é o site onde você pode fazer as reservas porém, mInha experiência com eles não foi muito boa, sendo assim, não recomendo. Mas tem o Booking onde também poderá fazer as reservas e é excelente. 
Porém, se viajar com mais alguém, o melhor será ficar mesmo em um hotel com um bom café da manhã. E um três estrelas sairá, se for dividir a diária, o mesmo preço de uma Guesthouse. 


Hostel em Berlim, Alemanha, 2014

Agora, se você esta pensando que hostel é só para jovens, saiba que encontrará algumas pessoas de meia-idade também. Pessoas que viajam só e preferem lugares onde possam 
interagir com os outros hóspedes. Nestes lugares você encontrará gente do mundo todo e só gente "ótima cabeça". 

Hotel Boutique em Miami Beach, USA, 2015


Claro que a escolha do local de hospedagem depende das características do país para onde você vai. Quando fui a Marrakesche, no Marrocos, fiquei em um Riad na Medina (corresponde as nossas pousadas, são muito pitorescas e fazem parte do charme da cidade) porque não teria sentido ficar num hotel de rede internacional, como uma Accor, do tipo "pasteurizado".  






VI - USANDO GOOGLE MAPS
Feita as reservas localize no Google Maps os respectivos endereços e faça um download dos mesmos para que possa usa-lo mesmo quando não dispuser de Internet. O fato de localizado no mapa os endereços fará com que já se localize antes mesmo de chegar na cidade/local para onde vai. Portanto, estude bem o mapa e identifique os pontos de referência, as vias estruturais. 
O Google maps foi uma das boas contribuições da informática para os viajantes e, se souber usá-lo não haverá perigo de se perder em lugar algum do mundo. Ele vai indicar onde você está e ajudá-la a encontrar o seu caminho de volta.


VII - CRIANDO UM BLOG DE VIAGEM
Imagine que o blog é o seu diário de bordo, onde você anota tudo e posta as fotos. Antigamente comprava-se cartões postais e enviava aos amigos e parentes pelos Correios. Na maioria das vezes você chegava antes deles. Hoje, os amigos acessam seu blog e tem notícias atualizadas da sua viagem. 
Diariamente anoto tudo o que fiz durante o dia e posto as fotos. Também anoto o nome e endereço dos locais onde fiquei hospedada, dos bares e restaurantes que gostaria de indicar aos amigos. 
Para quem quizer acaessar, meu blog de viagem é o www.tiszaglobetrotter.blogspot.com.br


Marrakesche, com músicos na Praça El-Fnaa, 2015

Café New Yorker em Budapeste, 2014

Em Marais, Paris, na saíde de um teatro, 2009

Família da seita Amish, em Litle Italy, Nova York, 2015








Cenas do Central Park de New York (2015)
Se quiser conhecer todo ele, reserve mais de um dia. Isto se for andar de barco, pedalar, assistir a um conserto ou observar os tipos exóticos que com certeza encontrará.









Hoje, revendo as fotos de viagem percebi quanta coisas fantásticas foram vividas e como marcaram e ampliaram minha maneira de ver o mundo, meu olhar sobre o diferente.


As pessoas sempre viajaram. No final do séc. XVII os jovens aristocratas terminava sua educação acadêmica fazendo um tour pela Europa Continental, acompanhado pelo seu preceptor, era o chamado Grand Tour. De onde vem a palavra turismo, hoje com um significado bem diferente, que nos permite diferenciar o Turista do Viajante.  
É com a descrição das viagens de Delacroix ao marrocos e de Flaubert ao Egito que compreendemos a diferença entre o viajante que mergulha na alteridade, desconstruindo a visão do outro  como exótico, enquanto que, o turista contemporâneo preserva sua distância no hotel de rede, no onibus de turismo e na segurança dos ambientes estandardizados.  


Caribe, Ilha de Bimini, 2015

Esta possibilidade  de mergulho na cultura do outro encontramos também em nossa poeta-viajante, Cecília Meireles. Para ela interessava a cultura e saber o que o outro pensava de seu próprio lugar. Há, pois, uma singularidade do olhar sobre os novos espaços. Cecília Meireles  esboça uma tipologia do viajante e do turista. O primeiro tende a "cultuar" o lugar visitado, a experimentar a "aura" deste. O viajante é solicitado por pormenores que o turista apressado só passa por eles.
 (texto extraído de VIAGENS E VIAJANTES: UMA LITERATURA DE VIAGENS CONTEMPORÂNEAS, de Luís Antonio Contatori Romano)


Comendo uma salada de lagosta maravilhosa em Bimini, no Caribe, 2015



VIII - ULTIMO PREPARATIVOS
Agora é a hora de comprar dólares ou euros. Se você já vem comprando aos poucos, melhor ainda, evitará gastar mais se o cambio estiver muito alto na hora da viagem. Meu conselho, principalmente a quem viaja só é usar o cartão Travel Money, mesmo com as extorsivas taxas cobradas, porque é mais seguro e caso perca ou seja roubado, você pode bloquear imediatamente e ainda passa a usar o cartão reserva. Quase todos os países o aceitam e você ainda pode tirar dinheiro na moeda local em qualquer caixa automática. Aconselho que leve também um cartão de crédito, caso exagere nas compras e gaste mais do que planejou, mas use-o só em último caso, pois as taxas são mais caras ainda. De todos os cartões, o mais aceito é o VISA. Mas, principalmente, procure andar com pouco dinheiro no bolso, só o necessário para táxi e despesas pequenas. 

Tempos atrás fiz  um guia para marinheiros de primeira viagem e nele sugeria que levassem: celular, notebook, máquina fotográfica e um guia de bolso. Hoje, tudo isto pode ser substituído por um i-Phone. Poderá comprar um chip local, ficando assim com 2, com o do Brasil você poderá trocar mensagem pelo whatsApp e, o chip local servirá para ligações locais. 
Tem também a questão do seguro de viagem. As agencias costumam dizer que será exigido na emigração, mas isto nunca aconteceu comigo. Não faço mais porque na Europa , caso ocorra algum problema de saúde, você pode apelar para o atendimento público, que é excelente. Mas se você comprou a passagem com um cartão Platinum você recebe de graça um seguro de viagem. Ao contrário dos USA, que mesmo com seguro ainda lhe cobrarão pelo atendimento.  


IX - ARRUMANDO A MALA  
A Samsonite e a Rimowa possuem malas que pesam menos que um quilo, são as ideais, embora sejam também as mais caras. Procure também comprar aquelas que tem extensores e aumentam de tamanho. Tudo isto porque na volta elas estarão recheadas de lembranças da viagem. 
Se você conseguir viajar só com a escova de dente, parabéns mas, como ninguém é tão despojada assim, aconselho a levar o mínimo possível, ou seja, uma única troca de roupa. Se for inverno, uma calça e um suéter e, se for verão uma saia ou uma bermuda, por exemplo, além da roupa íntima e de dormir. Isto porque existe uma lavanderia self-service em cada quadra e você vai perder uma hora somente para lavar sua roupa. Também pode comprar mais alguma, se necessário. E tem ainda os sapatos, a necessaire, o laptop, etc. Lembre-se que quanto mais leve estiver sua mala mais confortável será sua viagem.   


X - A CHEGADA 
Depois de uma viagem de 10/11 horas - a média das viagens para a Europa - demorará um pouco até que você se recupere, por isto no primeiro dia costumo fazer um City Tour ou Sightseeing Tour sem descer do onibus, deixando para o dia seguinte o desembarque nos lugares que vou selecionando previamente. Em Manhattan consegui conhecer Upptown, downtown e o Brooklyn com uma única passagem de 48 horas. 
Depois, já bem descansada da viagem, começo os passeios a pé. Em geral gosto de ficar flanando pelas ruas, descobrindo lugares interessante, observando as pessoas, a arquitetura, fotografando. Enfim, curtindo - sem medo de viajar só.