sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

FORA RENAN?

Caso Temer não consiga aprovar a PEC do Teto dos Gastos até 2017 a "pinguela" pode cair, ou seja, ele não conseguirá se sustentar e seu governo cairá. 
Teríamos um baque nos mercados, com alta do dólar, queda das bolsas e fuga dos investidores – seria o caos total - também com aumento do desemprego e mais recessão.
Pergunto, então, o que é mais importante: tirar o país da crise e resolver o problema dos 12 milhões de desempregados e dos aposentados que não estão recebendo salário ou tirar o Renan da presidência do Senado? 

Vejam que também não poderíamos entregar a presidência do Senado para o PT, visto que depende desta o encaminhamento para aprovação da PEC do Teto e o partido já manifestou voto contrario à matéria. Talvez não conseguisse derruba-la mas atrapalharia bastante o governo que corre contra o tempo. Motivo pelo qual o vice, senador Jorge Viana nada fez para assumir, abdicando mesmo da presidência pois, embora petista, é ligado ao governo e ficaria entre a cruz e a espada. Tanto melhor que tenha abdicado.

Já, o STF, seguindo o que, Max Weber chamava de Ética da Responsabilidade, resolveu “flexibilizar” e dar mais um tempo (12 dias, para ser exata) ao presidente do Senado, Renan Calheiros em troca deste seguir a pauta estabelecida em plenário, retirando desta, a PL sobre o Abuso de Poder. 
Com o final do recesso parlamentar, que vai de 21 de dezembro até 1º de fevereiro, Renan deixará a presidência do Senado e continuará réu, além de responder por mais 11 ações no Supremo, quando, então, esperamos, acerte suas contas com a justiça. Tudo a seu tempo.

E, assim como Eduardo Cunha foi útil para o impeachment da Dilma, também Renan o é para que possamos aprovar as mudanças necessárias ao país. Porém, mais do que manter Renan Calheiros na presidência do Senado o STF pretendeu dar a Temer condições de governabilidade, seguindo a máxima que diz que é melhor entregar o anel do que perder os dedos. A Ética do Pragmatismo se impôs ante a opção entre o que diz a lei e o que mais convém a Nação, mesmo com o STF tendo que amargar um enorme desgaste com a opinião pública.

Hoje, nossas instituições encontram-se bastante combalidas em face de crises políticas e econômicas infindáveis, com o Legislativo no fundo do poço, o Executivo sem credibilidade e agora, também o Judiciário sendo questionado, está difícil trocar a pinguela por uma ponte.


(*) expressão usada por FHC.

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