terça-feira, 27 de setembro de 2016

MINORIA PRIVILEGIADA

Um país só é democrático quando o acesso à educação, a saúde, transporte e moradia é igual para todos, quando todos têm acesso à serviços públicos de qualidade. Mas não é o que acontece no Brasil, vivemos em um país com uma enorme desigualdade de direitos e nosso Coeficiente de GINI (que mede a diferença de riqueza dentro de um país) só não é maior que o da África do Sul.
Temos, assim, uma maioria pobre e uma minoria privilegiada, da qual fazem parte não só a burguesia rica e o alto empresariado, mas também a elite burocrática – juízes, auditores fiscais, funcionários do Tesouro Nacional, etc. – que constitui o que Raymundo Faoro chama, em “Os Donos do Poder – Formação do Patronato Político” de Estamento Burocrático.
Trazido por D. João VI, ele é herdeiro da administração colonial portuguesa, fundada no sistema patrimonial que deu conteúdo aristocrático e nobreza a toga e aos altos cargos na máquina do governo. Devemos, assim, aos velhos hábitos lusitanos o nosso aparelhamento burocrático.
Faoro diz que "O estamento burocrático impera, rege e governa em nome próprio, multiplicando sem cessar as benesses e os favores a que acredita ter direito".
E, hoje, em meio a uma crise econômica onde muitos vem perdendo emprego e a maioria da população tendo que fazer sacrifícios maiores dos que já faz normalmente, estão a exigir aumento de salário, em total afronta ao demais trabalhadores. O Tesouro Nacional encontra-se em greve por reajuste de salário enquanto tramita na Câmara mais de 100 bilhões para novos aumentos isto que, já foram sancionados mais de 90 bi para o judiciário, o MP e o Legislativo. O presidente da república, enquanto interino e refém do STF, viu-se obrigado a aprovar o reajuste do judiciário, mesmo contra os interesses do país e do, tão necessário, ajuste fiscal, mostrando seu descaso com a maioria dos trabalhadores, que não possuem estabilidade no emprego e não tem a mesma capacidade de mobilização.
E, com menos dinheiro para investir em saúde, escolas e moradias, etc. e o país continuará amargando um dos coeficientes de GINI mais altos do planeta.





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