O caso Gedel Vieira traz à tona a questão da (falta de) ética no governo. É corrupção um ministro pedir a um colega que altere um parecer técnico em benefício próprio e ela é ainda mais grave quando o presidente da república, com a justificativa de que não pode desarrumar sua base de apoio no Congresso, mantém este ministro no cargo. E, não só ele mas, também o Congresso e o Conselho de Ética (!) declararam apoio ao Ministro.
Tudo é encarado como "um assunto menor". Afirmações tipo "temos problemas mais importantes", indicam uma naturalização da corrupção e uma indiferença com a falta de ética na política.
Mas o Congresso é um reflexo da nossa sociedade que segue uma moral ainda pré-kantiana, anterior ao humanismo moderno de Rousseau e do Século das Luzes. Kant, um dos pais deste humanismo, fala que o bem comum deve em estar em primeiro lugar, em detrimento do bem individual.
Para nós brasileiros, o valor maior ainda é a família e tudo se justifica em nome desta: nomeio meu genro para um cargo público porque preciso cuidar da minha família (aí voltamos à Sérgio Buarque de Holanda e à ética patrimonialista). É o que o presidente faz quando manda para AGU uma questão que é Privada e não Pública. Confunde-se o Público com o Privado.
Voltando, então ao nosso Presidente e sua base de apoio que, em sua maioria só está preocupada em salvar a pele da Lava Jato e, só negocia na base de favores políticos, como nomear a presidente do IPHAN para que esta, ignorando a lei, dê um parecer favorável a um empreendimento seu, Temer esquece que para consertar o país é preciso antes acabar com a corrupção, pois sem moralidade nas contas públicas o dinheiro continuará sumindo pelos Caixas 2 e Propinodutos da vida.
Para que o país saia desta crise, que é, antes de mais nada, ética, é necessário não basta ao presidente manter sua base de apoio no Congresso, é importante também não perder o pouco que lhe resta de apoio popular.
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