sábado, 21 de dezembro de 2019
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
PARA DEBORA
Começo confessando que sou hedonista, materialista e, nestes tempos de
trevas bolsonaristas, uma ateísta praticante. E, não só ateísta como fã de Richard
Dalkins e nem um pouco do Frei Beto. Razão pela qual não li o artigo que você me enviou.
E, nestes tempos de trevas bolsonaristas sou também de centro-esquerda, ou seja, liberal com preocupações sociais. Hoje torço por uma aliança de partidos mais ao centro, tipo Joe Biden, para derrotar a extrema direita. Vejo, também com bastante preocupação a formação no Brasil de um pacto autoritário com viés fascista. Acabei de ler A Ordem do Dia, de Eric Vuillard onde fla sobre como governos autoritários obtém o apoio da classe dominante. Muito bom, recomendo.
Venho tentando responder a pergunta que me fizeram na Europa: "como foi possível votarem em alguém como Bolsonaro"?
Respondia que acreditava que tinha relaçao com ressentimentos e medo de perda de privilégios, visto que vivemos em um país extremamente injusto e desigual.
Infelizmente minhas ideias sobre o país são muito diferentes da maioria aqui no sul que é bastante conservador e continua apoiando o governo.
Também, aqui a cultura e o conhecimento são mal vistos pela maioria das pessoas e quando falo que estou lendo algum livro, mudam de assunto.
Além de passar o dia todo lendo vou, também, com bastante frequência ao cinema. No Rio chegava a ver dois filmes por dia antes desta pandemia fechar os cinemas. Sou uma cinéfila que gosta de cinema iraniano e odeia o cinema americano. Quanto ao teatro, gosto só dos clássicos, como Brecht, Tennessee Willians, etc..
Mas não sou ligada à música, assim como não foram Gabriel G Marques, F Mitterrand, e outros grandes intelectuais, que não lembro agora. Aprecio mas, somente quando me encontro sentada numa confortável poltrona em uma bela sala de espetáculo ou num charmoso clube de jazz, que pode até ser bastante enfumaçado. Também gosto de ouvir Bossa Nova no radio do carro mas, em geral prefiro o silêncio ou o som de um pássaro que canta, de crianças que brincando no play ground, o latido de um cão, ou mesmo o som de um carro que passa ao longe. .
Também, aqui a cultura e o conhecimento são mal vistos pela maioria das pessoas e quando falo que estou lendo algum livro, mudam de assunto.
Além de passar o dia todo lendo vou, também, com bastante frequência ao cinema. No Rio chegava a ver dois filmes por dia antes desta pandemia fechar os cinemas. Sou uma cinéfila que gosta de cinema iraniano e odeia o cinema americano. Quanto ao teatro, gosto só dos clássicos, como Brecht, Tennessee Willians, etc..
Mas não sou ligada à música, assim como não foram Gabriel G Marques, F Mitterrand, e outros grandes intelectuais, que não lembro agora. Aprecio mas, somente quando me encontro sentada numa confortável poltrona em uma bela sala de espetáculo ou num charmoso clube de jazz, que pode até ser bastante enfumaçado. Também gosto de ouvir Bossa Nova no radio do carro mas, em geral prefiro o silêncio ou o som de um pássaro que canta, de crianças que brincando no play ground, o latido de um cão, ou mesmo o som de um carro que passa ao longe. .
Finalizando e parafraseando Agnés Varda, diria que “Sempre lutarei contra a
estupidez inclusive a minha”.
domingo, 8 de setembro de 2019
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
terça-feira, 20 de agosto de 2019
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
domingo, 21 de julho de 2019
sexta-feira, 21 de junho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
O MONSTRO DO AUTORITARISMO

“A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor.
” Roberto Campos
Durante a campanha Bolsonaro dizia que o PT iria transformar o Brasil em uma Venezuela porém, o que observamos hoje é que os fenômenos presentes na Venezuela, que nos permitem defini-la como uma ditadura populista, como o messianismo salvacionista, o voluntarismo explícito e o autoritarismo exercido em nome do povo, começam a se delinear também em terras brasilis. O que me leva a pensar que se o passado com o PT foi desastroso, o futuro com Bolsonaro promete ser mais tenebroso ainda.
Enquanto que no país vizinho predomina o capitalismo de estado, de viés esquerdista, aqui rumamos para um capitalismo de extrema direita, nos moldes da Hungria, do primeiro ministro Viktor Orban; da Polônia de Andrzej Duda, da Turquia de Erdogan e das Filipinas do presidente Duterte. E, nestes países, como aqui, quem pensa diferente é considerado inimigo, antipatriota ou petista.
Como em todo regime autoritário estamos vendo também no Brasil um desmonte das instituições, com a prevalência da pauta dos costumes, levando a uma fragilização do estado de direito. Há um descaso com os valores da democracia, mas também a um total desinteresse pela economia, o que está nos levando para uma recessão.
A única preocupação do presidente Bolsonaro parece ser com a ideologia, como mostram as medidas adotadas até agora: na área da segurança que visam somente defender infratores, como: mais pontos na CNH; isenção de multa para não uso de cadeirinhas; isenção do exame antidoping para motoristas de caminhão e a retirada de radares nas estradas.
E um presidente que faz elogios públicos a ditadura e ao torturador cel. Brilhante Ustra não causa surpresa ao exonerar a equipe que buscava acabar com tortura dentro da polícia, nem mesmo, ao propor uma MP (mesmo que inconstitucional) que permitirá o porte de arma, inclusive fuzis, por todo cidadão de bem. Como na Venezuela, também o governo pretende armar a população, provavelmente, prevendo um possível golpe de estado. E, embora critique o país vizinho, parece seguir os passos do ex-ditador Hugo Chaves, a quem também já fez elogios no passado.
O presidente também extinguiu a maioria dos conselhos, fóruns e colegiados voltados da área social e dos direitos humanos e, seguindo sua pauta conservadora, Bolsonaro foi contra a criminalização da homofobia, aprovada no STF confirmando que, está sempre a favor do infrator ou criminoso e nunca da vítima.
Lamentavelmente, o incremento da onda conservadora tem levado a mais violência e ao discurso do ódio (de ambos os lados, tanto da extrema direita como da extrema esquerda) e, se continuar assim, voltaremos ao sec. IXX.
Infelizmente, uma parcela da população ainda não se deu conta da gravidade da situação. Talvez porque a realidade é em geral menos atraente que os discursos fantasiosos que sempre encontram ressonância em eleitores menos informados e mais frustrados.
Não percebem que o governo vem sendo monitorado por um bando de malucos liderados por um Astrólogo, morador da Virgínia, nos USA, o Sr. Olavo de Carvalho e seus seguidores, lembrando “O Incrível Exército de Brancaleone” (filme de Mario Monicelli).

E, por trás de O. Carvalho e dos filhos do presidente ainda está o arquiteto do absolutismo moderno e criador do Movimento Internacional de Extrema Direita, Steve Bannon, um Cardeal Richelieu moderno, tão ou mais perigoso quanto, nesta era das redes sociais.
Finalmente, só existe uma forma para fugir do monstro do autoritarismo, investindo fortemente em nossas instituições, e principalmente, em mais educação e reformas, econômicas e políticas. Mas, para tanto, precisamos contar com o Congresso e com líderes políticos esclarecidos que façam um contraponto a esta onde autoritária.
“Os idiotas acabaram tomando conta do mundo, não pela capacidade mas pela quantidade”
Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues
segunda-feira, 20 de maio de 2019
CULTURA DO MEDO II
Revia o filme do diretor sueco Ingmar Bergman, de 1977 "O Ovo da Serpente" que fala do
nascimento do nazismo, de um Hitler ainda em início de carreira, desacreditado pelos alemães e de como havia na mídia uma forte
campanha contra os judeus, com muitas fake news visando aumentar as hostilidades contra este povo que me fez pensar que todo
ditador precisa de um inimigo - no caso do nazismo foram os judeus. Fazendo um paralelo com a disseminação do medo à
violência na mídia brasileira e a série “Rio do Medo” pensei que o inimigo da extrema direita
brasileira, hoje no governo, é falta de segurança, disseminada pela mídia televisiva.
Qual
é o objetivo da mídia ao criar uma cultura do medo na classe média? uma forma de grupos dominantes manter controle sobre a classe
média através do medo, q a paralisa e impede que reivindiquem
direitos. (Célio Pezza, Gazeta Digital 27/02/2919): “É também a
melhor forma de manipular as pessoas. Maquiavel Já Maquiavel
aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súditos, porque
este era mais potente e duradouro que o amor. Governar pelo medo!
Esta era a sua orientação, sempre seguida fielmente pelos tiranos e
opressores. Os governos usam e abusam da cultura do medo e com isso
vão restringindo a nossa liberdade, nossa criatividade, nosso
questionamento e nosso conhecimento. Andamos cheios de medos e essa é
a melhor forma de sermos manipulados. “
(Raquel
do Rosário e Diego Augusto Bayer: “O crime desperta curiosidade na
população por apresentar uma ameaça. A mídia atua explorando essa
fragilidade humana, estimulando a sensação de insegurança e medo
em toda população. A curiosidade pela narração do crime e suas
possíveis consequências acabam por ser uma das causas de uma nova
cultura de violência, em que essa aparece como um fato normal,
corriqueiro, que faz parte do cotidiano.
Existe
uma influência mútua entre o discurso sobre o crime — atos
violentos — e o imaginário que a sociedade tem dele e entre as
notícias e o medo do delito. Com isso, pode-se sustentar que existe
uma relação (sórdida) entre as ondas de informação e a sensação
de insegurança. Quando a transmissão é ao vivo, as imagens passam
uma veracidade ainda maior aos telespectadores (...) levando-nos a
crer que os delinquentes são em maior número e praticam mais
delitos do que realmente o são. O medo passa a ser um de nossos
principais inimigos e será ele que, em muitos momentos, nos impedirá
de seguir nossos sonhos, de arriscar uma tentativa ou de fazer uma
mudança radical. A mídia pode ser considerada aqui uma causadora da
proliferação do medo na sociedade, pois o medo deixou de
relacionar-se a estórias de contos e mitos, da imaginação durante
reuniões de família, para ser um aglomerado de imagens e
informações que a televisão transmite todos os dias dentro de cada
lar e para todas as famílias. O mundo líquido mostrado por Bauman é
uma espécie de irrealidade dentro da qual estamos mergulhados, um
mundo de aparência absoluta, de ameaças que quase nunca se
configuram reais, mas que nos são mostradas cotidianamente,
principalmente pela mídia. Diante disso, ele expõe o medo como uma
forma inconstante. Podemos ter medo de perder o emprego, medo do
terrorismo, da exclusão. O homem vive numa ansiedade constante, num
cemitério de esperanças frustradas, numa era de temores. E, assim,
passamos a construir inimigos e fantasmas, nos deixando levar por
todo tipo de informação que nos é imposta sem nem ao menos
questionar a real veracidade dos fatos. É inegável que vivemos em
uma sociedade violenta, com altos índices de barbáries, mas o
problema não está na prevenção de possíveis ameaças, mas em
considerar que tudo e todos possam ser ameaçadores. A consequência
mais importante é uma crise de confiança na vida, uma vez que, o
mal pode estar em qualquer lugar e que todos podem estar, de alguma
forma, a seu serviço, gerando uma desconfiança de uns com os
outros.
Schecaira
(apud BAYER, 2013) entende que a mídia é uma fábrica
ideológica condicionadora, pois não hesitam em alterar a realidade
dos fatos criando um processo permanente de indução criminalizante.
Assim, os meios de comunicação desvirtuam o senso comum através da
dominação e manipulação popular, através de informações que,
nem sempre, são totalmente verdadeiras.
Com
isso, propagando o medo do criminoso (identificado como pobre), os
meios de comunicação aprofundam as desigualdades e exclusão dessa
parcela da sociedade, aumentando as intolerâncias e os preconceitos.
Utiliza-se do medo como estratégia de controle, criminalização e
brutalização dos pobres, de forma que seja legitimo as demandas de
pedidos por segurança. A mídia incute na sociedade uma política de
higienização e rotulação dos desiguais que devem ser banidos da
convivência social.
realidade,
o principal objetivo da mídia é chamar a atenção do público e
obter lucro.
Assim,
a mídia passa a utilizar expedientes sensacionalistas com fatos
negativos como crimes e catástrofes, disseminando um sentimento de
insegurança no seio social, ocasionando o surgimento da cultura do
medo e formando uma “Sociedade do Medo”. Ou seja, nem tudo
que vimos nos telejornais são de extrema veracidade, grande parte
desta informação estará sempre relacionada a um fim lucrativo.
A
televisão tenta retratar os fatos de forma a tornar a informação o
mais real possível aproximando os acontecimentos do cotidiano das
pessoas e fazendo-as crer que aquela situação de risco poderá
acontecer a qualquer momento dentro de suas próprias casas, nos seus
grupos sociais. Assim, os telejornais propagam informações
sensacionalistas através da exploração da dor alheia, do
constrangimento de vítimas desoladas e da violação da privacidade
de algumas pessoas.
Com
isso, cria-se a “Sociedade do Medo” aqui abordada que,
além de cruel e preconceituosa, passa a ser ignorante e submissa a
tudo que lhe é apresentado como verdade absoluta.não podemos
permitir que o que vimos na TV influencie nossa vida a ponto de
pararmos de viver, a ponto de guardarmos sonhos que gostaríamos de
realizar ou de nos impedir de promover uma mudança.
É
também, uma forma da elite livrar-se do sentimento de culpa em
relação aos pobres.
quarta-feira, 8 de maio de 2019
NEOFASCISMO NO BRASIL
Olavo
de Carvalho e Eduardo Bolsonaro vem se reunindo com Steve Bannon.
Bannon
é um ex-estrategista de Trump que pretende ressuscitar o neofascismo no
ocidente e tem influenciando governos de direita na Europa, como o da Itália e
Hungria.
Também
no Brasil Bannnon ocupa o lugar de consultor informal O combate ao estrablisment
faz parte da retórica do seu movimento, retórica também utilizada pelo
astrólogo da Virgínia e pela família Bolsonaro.
Os
ataques sistemáticos do guru Olavo de Carvalho tem por objetivo dividir a
direita com a finalidade de criar a extrema-direita no país. Significando que
não vão parar de atacar os militares visto que é parte da estratégia para
enfraquecê-los.
Revi o filme do diretor sueco Ingmar Bergman, de 1977, "O Ovo da serpente", que fala do nascimento do nazismo sob Hitler, em início de carreira e ainda desacreditado pelos alemães e países da Europa. Mostrando como havia na mídia uma forte campanha contra os judeus, com muitas fake news, muito ódio e agressões gratuitas nas ruas, percebi a grande semelhança com o que ocorre atualmente no país.
acolhermos, direita, esquerda, brancos, negros, heteros e homos, porque esta é a riqueza do Brasil: a diversidade de credos, ideologias, raças, etc.
sexta-feira, 26 de abril de 2019
terça-feira, 9 de abril de 2019
CULTURA DO MEDO I
Criou-se no Brasil uma "cultura do medo" e um exemplo disto é a série “Rio do Medo” da Globo News. Enquanto que a mídia tem por objetivo o lucro, a propagação desta cultura serve também aos grupos dominantes para manter o controle sobre a classe média através da disseminação da sensação de insegurança.
Nicolau Maquiavel, pai da ciência política moderna, aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súditos, porque este era mais potente e duradouro que o amor. Governar pelo medo, era a sua orientação, sempre seguida fielmente pelos tiranos e opressores.
Já, Raquel do Rosário e Diego Augusto Bayer, do grupo de pesquisa GPHCCRIM da Universidade de SC, dizem que “O crime [mostrado pela mídia] desperta curiosidade na população (...) aparecendo como um fato normal, corriqueiro, que faz parte do cotidiano das pessoas fazendo-as, também, crer que aquela situação de risco poderá acontecer a qualquer momento dentro de suas próprias casas, nos seus grupos sociais. Os telejornais propagam informações sensacionalistas através da exploração da dor alheia, do constrangimento de vítimas desoladas, violando a privacidade de algumas pessoas."
Existe uma influência mútua entre o discurso sobre o crime, o imaginário que a sociedade tem dele e o medo do delito. Pode-se sustentar que existe uma relação (sórdida) entre as informação sobre violência e a sensação de insegurança.
Quando a transmissão é ao vivo, a repetição das imagens passa uma veracidade ainda maior aos telespectadores (...) levando-os a crer que os delinquentes são em maior número e praticam mais delitos do que realmente ocorre.
Com isso, cria-se a “Sociedade do Medo” que, além de cruel e preconceituosa, passa a ser ignorante e submissa a tudo que lhe é apresentado como verdade absoluta.
Schecaira (apud BAYER, 2013) Propagando o medo do criminoso (identificado como pobre), os meios de comunicação aprofundam as desigualdades e exclusão dessa parcela da sociedade, aumentando as intolerâncias e os preconceitos. Utiliza-se do medo como estratégia de controle, criminalização e brutalização dos pobres, de forma que seja legitimo as demandas de pedidos por segurança
O medo passa a ser um de seus principais inimigos e será ele que, em muitos momentos, nos impedirá de seguir nossos sonhos, de arriscar uma tentativa ou de fazer uma mudança radical.
O mundo líquido mostrado por Zigmund Baumam é uma espécie de irrealidade dentro da qual estamos mergulhados, um mundo de aparência absoluta, de ameaças que quase nunca se configuram reais, mas que nos são mostradas cotidianamente, principalmente pela mídia. Diante disso, ele expõe o medo como uma forma inconstante. Podemos ter medo de perder o emprego, medo do terrorismo, da exclusão. O homem vive numa ansiedade constante, num cemitério de esperanças frustradas, numa era de temores. E, assim, passamos a construir inimigos e fantasmas, nos deixando levar por todo tipo de informação que nos é imposta sem nem ao menos questionar a real veracidade dos fatos. É inegável que vivemos em uma sociedade violenta, com altos índices de barbáries, mas o problema não está na prevenção de possíveis ameaças, mas em considerar que tudo e todos possam ser ameaçadores. A consequência mais importante é uma crise de confiança na vida, uma vez que, o mal pode estar em qualquer lugar e que todos podem estar, de alguma forma, a seu serviço, gerando uma desconfiança de uns com os outros.
Nicolau Maquiavel, pai da ciência política moderna, aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súditos, porque este era mais potente e duradouro que o amor. Governar pelo medo, era a sua orientação, sempre seguida fielmente pelos tiranos e opressores.
Já, Raquel do Rosário e Diego Augusto Bayer, do grupo de pesquisa GPHCCRIM da Universidade de SC, dizem que “O crime [mostrado pela mídia] desperta curiosidade na população (...) aparecendo como um fato normal, corriqueiro, que faz parte do cotidiano das pessoas fazendo-as, também, crer que aquela situação de risco poderá acontecer a qualquer momento dentro de suas próprias casas, nos seus grupos sociais. Os telejornais propagam informações sensacionalistas através da exploração da dor alheia, do constrangimento de vítimas desoladas, violando a privacidade de algumas pessoas."
Existe uma influência mútua entre o discurso sobre o crime, o imaginário que a sociedade tem dele e o medo do delito. Pode-se sustentar que existe uma relação (sórdida) entre as informação sobre violência e a sensação de insegurança.
Quando a transmissão é ao vivo, a repetição das imagens passa uma veracidade ainda maior aos telespectadores (...) levando-os a crer que os delinquentes são em maior número e praticam mais delitos do que realmente ocorre.
Com isso, cria-se a “Sociedade do Medo” que, além de cruel e preconceituosa, passa a ser ignorante e submissa a tudo que lhe é apresentado como verdade absoluta.
Schecaira (apud BAYER, 2013) Propagando o medo do criminoso (identificado como pobre), os meios de comunicação aprofundam as desigualdades e exclusão dessa parcela da sociedade, aumentando as intolerâncias e os preconceitos. Utiliza-se do medo como estratégia de controle, criminalização e brutalização dos pobres, de forma que seja legitimo as demandas de pedidos por segurança
O medo passa a ser um de seus principais inimigos e será ele que, em muitos momentos, nos impedirá de seguir nossos sonhos, de arriscar uma tentativa ou de fazer uma mudança radical.
O mundo líquido mostrado por Zigmund Baumam é uma espécie de irrealidade dentro da qual estamos mergulhados, um mundo de aparência absoluta, de ameaças que quase nunca se configuram reais, mas que nos são mostradas cotidianamente, principalmente pela mídia. Diante disso, ele expõe o medo como uma forma inconstante. Podemos ter medo de perder o emprego, medo do terrorismo, da exclusão. O homem vive numa ansiedade constante, num cemitério de esperanças frustradas, numa era de temores. E, assim, passamos a construir inimigos e fantasmas, nos deixando levar por todo tipo de informação que nos é imposta sem nem ao menos questionar a real veracidade dos fatos. É inegável que vivemos em uma sociedade violenta, com altos índices de barbáries, mas o problema não está na prevenção de possíveis ameaças, mas em considerar que tudo e todos possam ser ameaçadores. A consequência mais importante é uma crise de confiança na vida, uma vez que, o mal pode estar em qualquer lugar e que todos podem estar, de alguma forma, a seu serviço, gerando uma desconfiança de uns com os outros.
segunda-feira, 8 de abril de 2019
ISLAMISMO
Um padre foi degolado dentro de uma igreja por
terroristas islâmicos num dos bastiões do catolicismo, a França, e o
primeiro-ministro socialista Manuel Valls disse que "não vamos inventar
leis a cada novo atentado".
Não é preciso inventar leis, Manuel Valls. Basta
fechar todas as mesquitas da França, porque todas, absolutamente todas,
funcionam como centros de recrutamento de terroristas. Basta prender
terroristas e mantê-los presos, incomunicáveis. Basta deportar todos os
terroristas muçulmanos com dupla nacionalidade, retirando-lhes o passaporte
francês. Basta aplicar a tolerância zero com os delinquentes muçulmanos que
atormentam as periferias e os meios de transporte de Paris. Basta aplicar a lei
já existente que proíbe véus em estabelecimentos públicos.
Basta dar um basta.
domingo, 7 de abril de 2019
DORRIT HARAZIN
Parte do texto da jornalista Dorrit Harazin, publicado no jornal O GLOBO DE 07/04/2019, com o título de "De Ursos e Humanos" onde fala sobre a dificuldade de ursos treinados desde cedo para atuarem em circos se adaptar a vida natural, associando ao nosso presidente. Termina recomendando a leitura da obra do polonês Witold Szablowski "Dancing Bears: Tru Stories of People Nostalgic for Life Under Tyranny".
...o mito brasileiro embaralha palavras
sexta-feira, 29 de março de 2019
quinta-feira, 28 de março de 2019
VIDA CARIOCA
MARÇO 2019
Quando digo que estou indo de mudança para o RJ ouço, inevitavelmente, que devo tomar cuidado com a violência, etc, etc... Lembro que o jornalista da Bandeirantes, Ricardo Boechat, que morreu recentemente em um acidente de helicóptero que, contam, levava um saco de balas para a redação e atirava nos colegas gritando: "olha a bala perdida!!". Tenho sempre vontade de fazer o mesmo quando ouço este tipo de comentário.
No entanto, procuro não responder para não fazer meu discurso (chato, eu sei) sobre a Cultura da Violência que é explorada pelas redes de comunicação com fins de faturamento e tem alimentado o discurso da extrema direita. Quando, a verdadeira violência é aquela que é vista pelas calçadas das grandes cidade (no Rio, em grande numero. Ver fotos abaixo). Mas a mídia se cala frente a esta violência porque não traz audiência, ou seja, não dá lucro. O que interessa é falar sobre bandidos. Que é também o discurso da classe média, que num processo de denegação, coloca-se como vítima, quando a verdadeira vítima é o pobre que além de viver no meio das balas perdidas, é também criminalizado porque identificado com a bandidagem.
Estranhamento a mídia não fala sobre a grande diferença de renda entre o rico e o miserável, nem sobre o fato de que a pobreza extrema vem aumentando e em 2018 já alcançou 14,83 milhões de pessoas.




16/03/2019
Além de viver enfurnada dentro das salas de cinema (*) fui também na FGV me informar sobre cursos. Estava interessada em Ciência Política mas o que encontrei de mais interessante é um curso sobre cinema documentário. Ainda vou pesquisar sobre o conteúdo do curso e decidir se faço ou não.
Estive também na Escola Lacaniana de Psicanálise que, soube, é ligada à Maiêutica de Florianópolis, mais freudiana, e não ao grupo que frequentava, mais Milleriana (de Jacques Alan-Miller), mais ortodoxa.
Fiquei de aparecer na sexta quando haverá reunião de um grupo de estudo sobre adolescentes. Irei na esperança que não sejam tão fundamentalistas quanto a minha Escola de Florianópolis.
21/03/2019
Apesar da chuva que caiu hoje o dia todo, fui a ABL assistir uma palestra sobre Machado de Assis. Estavam lá Zuenir Ventura, o genial poeta Geraldo Carneiro e Nelida Piñon, entre outros. Fiquei sabendo que Merval Pereira, jornalista que costumo acompanhar na Globo News e na sua coluna do jornal O Globo, é acadêmico e Secretário-Geral da ABL.
Infelizmente, o mais importante ainda não fiz, que é ir a praia. Agora com menos chance, porque diariamente tido uma chuva leve, intercalada rápidas saídas de sol. O que não anima muito à ir até a praia.
(*) Assisti a filmes incríveis, como "A Favorita", Oscar de melhor filme estrangeiro. A atriz que faz a protagonista é de uma expressividade fantástica (lembrei de Izabelle Hupert em "A Professora de Piano" que com um olhar diz tudo), merecia o Oscar de melhor atriz. Mostra as intrigas da corte e os jogos de poder, onde vale tudo. Nada diferente da nossa corte em Brasília.
Surpreendente foi o filme italiano "O Rei de Roma". Não conhecia o diretor e entrei na sala de cinema sem esperar muito. Mas é uma comédia deliciosa, onde o protagonista, um multimilionário é obrigado a conviver com um grupo de indigentes e tem dificuldade em abandonar sua visão cínica e materialista do mundo, incapaz de olhar a outro senão ele mesmo
Mas, de todos, o mais impactante foi "Cafarnaum" filme libanês que concorreu ao Oscar e creio que por excesso de genialidade não ganhou. Lamentavelmente, porque é fantástico. Mas também muito cru, muito realista o que não faz o gênero dos americanos mas, recebeu a Palma de Ouro em Cannes onde foi ovacionado durante 15 minutos na sua estréia.
22/03/2019
Fui, finalmente, à Escola de Psicanálise participar de um grupo de estudo sobre adolescentes. Usam o livro do Jorge Amado, "Capitães da Areia". Lembrei que Truffaut tem um filme belíssimo, autobiográfico, chamado "Os Incompreendidos" (Antoine Doinel) que fala sobre adolescentes em situação de risco. Pensei, mas não falei, que hoje a realidade é muito diferente do livro de 1930 do Jorge Amado preferindo fazer algumas intervenções, muito de leve, sobre a questão da cooptação do tráfico - onde o Estado não chega, chega a criminalidade.
Tinha um chato que fazia umas colocações muito sem noção. Assim, não me atraio o grupo. O que foi muito bom é que me senti bem recebida e fui convidada para participar de um outro grupo, sobre Shakespeare. O que também me deixou bem feliz. Acho que consegui ser leve, o que nem sempre acontece comigo.
24/03/2019
Quarta-feira falei com a prima Vania que me passou o whatsApp da Deise, sua amiga do Rio. Em seguida entrei em contato com ela e convidei-a para tomar um chope. Peguei um uber e fomos a um cervejaria em Copacabana.
Deise mostrava-se muito atenciosa, preocupando-se em saber o que eu ainda não conhecia no Rio, sugerindo uma ida à Lapa e andarmos de patins - a nova moda no Rio - ao que respondi que tinha um certo medo.
Voltamos cedo e, conforme me pediu, ao chegar em casa mandei uma mensagem dizendo que chegara bem.
No dia seguinte à noite, recebi dela um whatsApp perguntando "E aí como foi o dia com chuva?". Tinha chovido o dia todo.
Mas contei que tinha ido assistir uma palestra sobre Machado de Assis na ABL. Que "Estavam lá Zuenir Ventura, Nelida Piñon e Geraldo Carneiro. Este um caral genial." E pergunto: "conheces?" E completo: "Cacá Diegues é outro que costuma estar sempre por lá." E, não satisfeita de fazer um relatório das minhas atividades intelectuais ainda digo que "hoje devo ir a Ipanema na Escola de Psicanálise para assistir um debate sobre adolescentes."
Completo que antes vou almoçar no Zazá, no shopping Design Leblon. Não a convido para a palestra porque psicanalistas são muito chatos mas que depois devo ir ao shopping da Gávea ver a programação de teatro e que podemos combinar ir juntas. Lembro que tem o Instituto Moreira Cesar perto dalí (sugerindo que podemos ir lá também).
Depois, numa outra mensagem falo que andei olhando a programação do Blue Note e também do Carioca da Gema e do Beco das Garrafas.
Enfim...foi uma tijolada!! Fui muito...muito... como diria...muito esnobe? Chata, com certeza porque ela não respondeu e até hoje não falou mais comigo.
Isso é ser muito sem noção - porque falar em ABL, psicanálise, com quem esta preocupada em andar de patins? Ela tinha se mostrado receptiva, acolhedora e estraguei tudo.
Enfim, foi um desastre. Fui totalmente inepta, falhando na minha segunda tentativa de estabelecer laços por aqui.
27/03/2019
Tenho ido quase diariamente a praia, aqui mesmo no Flamengo, visto que vou só para tomar sol porque o mar aqui é muito poluído.
Li em O Globo de hoje que a Praça São Clemente teve bala perdida. Quando estava em botafogo evitava passar por ela mas, nem sempre era possível porque é onde fica a unica estação de metrô do bairro.
Descobri que enfrente fica o Morro Da. Marta, um local conflagrado. Segundo o jornal ontem teve um tiroteio entre policia e bandidos que chegou até a praça.
Assim, como nunca fui ao Corcovado porque são lugares de muita concentração de turistas e visados pelos bandidos. E leio, também, que hoje houve um assalto a uma van de turistas no caminho do Corcovado.
Carlinhos, o amigo da Célia, que mora na Suécia, tem um apartamento em Copacabana, numa rua não muito ruim. Mas achei o bairro assustador, com muitos moradores de rua e muita sujeira.
Ele vendeu um apartamento que tinha em Niterói e virá para efetivar a venda. Disse que iremos conhecer também sua casa de praia, também o apartamento de Niterói, etc. etc. Só espero que não me faça andar muito.
Ele e Célia, como moraram 40 anos na Suécia estão acostumados a andar muito e eu não tenho a mesma resistência. Hoje desisti de ir a ABL porque estou cansada para pegar metrô. As estações de metros tem poucas escadas rolantes. Também os ônibus não são confortáveis como os de SP. Por isto ando muito cansada de andar. Mesmo pegando o transporte coletivo, tenho que andar muito e me doem as pernas e joelhos.
Gostaria de comprar uma bicicleta elétrica, vou tentar primeiro andar com essas que tem em toda parte para alugar e ver como me saio.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
ESTADÃO
MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA
O Estado de S. Paulo de 19 de
fevereiro de 2019
Não tendo condição técnica e
administrativa para substituir Bebianno a tempo e a hora, Jair Bolsonaro deixa
o Brasil ser governado por seus filhos.
Não tem a menor importância,
para o País, o desfecho da crise envolvendo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência,
Gustavo Bebianno. Sem qualquer predicado que o tornasse especialmente relevante
para o processo de tomada de decisões do governo, sua permanência ou não no
Ministério de Jair Bolsonaro só interessava de fato aos filhos do presidente,
publicamente empenhados em escolher os ministros e governar no lugar do pai. Já
o presidente Bolsonaro, seja porque é despreparado para exercer o cargo para o
qual foi eleito, seja porque não consegue impor limites aos filhos, seja por
uma combinação dessas duas características, revela-se incapaz de colocar ordem
na casa e concentrar energias naquilo que é realmente necessário para o País.
Assim, não tendo o presidente a
necessária condição técnica e administrativa para substituir Bebianno a tempo e
a hora, e muito menos coragem para enquadrar seus meninos, comete o pecado
capital de deixar o Brasil ser governado por um quadrunvirato.
E fez isso às vésperas do
início da tramitação de projetos de extrema relevância para o conjunto dos
brasileiros, como a reforma da Previdência e o plano de segurança pública,
perdendo-se o governo em futricas e picuinhas palacianas, cujo poder de causar
confusão e desgaste é multiplicado pela onipresença da criançada.
Foi pelas redes sociais que a
crise envolvendo Bebianno atingiu seu ápice. Pelo Twitter, Carlos Bolsonaro, um
dos filhos do presidente, chamou Bebianno de “mentiroso”, no que foi endossado
pelo pai. Nada nesse episódio lembra remotamente algo parecido com o respeito à
institucionalidade que se exige de quem ocupa o Palácio do Planalto. Tal
comportamento pode até excitar os militantes bolsonaristas nas redes, mas
desgasta profundamente a imagem de um governo cujo presidente prometeu, em seu
discurso de posse, “hierarquia, respeito, ordem e progresso”, mas até agora só
protagonizou confusões e patuscadas.
Felizmente, nem todos no
governo compartilham com Bolsonaro sua profunda falta de reverência pela
instituição presidencial, comprovada não apenas pelo modo desleixado como se
apresentou numa reunião ministerial, de chinelos e camisa falsificada de time
de futebol, mas sobretudo por permitir que seus filhos atuem como se ministros
plenipotenciários fossem. Há assessores que estão genuinamente empenhados em
fazer o governo funcionar, tentando dar à administração uma feição minimamente
sólida. No Congresso também há parlamentares que se comprometeram a fazer
avançar as reformas, mesmo com o desgaste político que o tema suscita.
A rigor, pode-se dizer que a
pauta mais importante do governo está avançando não por méritos do presidente
Bolsonaro, mas a despeito dele. Enquanto o chefe de governo se permite perder
precioso tempo com os devaneios de poder dele e dos filhos, inclusive com
fantasiosas conexões internacionais para a inclusão do Brasil num movimento
“antiglobalista”, alguns ministros buscam tocar o barco, sem ter, contudo, a
menor certeza se o “capitão” da embarcação sabe para onde pretende ir.
Antes tudo isso fosse método, e
não apenas o amadorismo irresponsável tão característico do baixo clero, de
onde saíram o presidente Bolsonaro e seu fanático entorno. Está ficando cada
vez mais claro, porém, que Bolsonaro, em razão de seus limites mais que
evidentes, não tem mesmo a menor ideia do que é ser presidente e do que dele se
espera num momento tão grave como este.
Desnorteado, governando ao
sabor da gritaria nas redes sociais, o presidente deixou de construir uma
articulação organizada no Congresso. Seu partido é um amontoado de novatos que
se elegeram pegando carona em seu nome; os líderes que escolheu para negociar
apoio dos parlamentares são igualmente inexperientes – um deles chegou a
convocar uma reunião de líderes partidários na Câmara à qual ninguém
compareceu; por fim, mas não menos importante, nem mesmo Bolsonaro parece
convencido da necessidade de uma profunda reforma na Previdência, dado que
passou a vida inteira como parlamentar a boicotar mudanças nas aposentadorias.
Seria ingênuo acreditar que
Bolsonaro, de uma hora para outra, passará a se comportar como presidente e
assumirá as responsabilidades de governo. Mais realista é torcer para que ele,
pelo menos, pare de atrapalhar.
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