
“A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor.
” Roberto Campos
Durante a campanha Bolsonaro dizia que o PT iria transformar o Brasil em uma Venezuela porém, o que observamos hoje é que os fenômenos presentes na Venezuela, que nos permitem defini-la como uma ditadura populista, como o messianismo salvacionista, o voluntarismo explícito e o autoritarismo exercido em nome do povo, começam a se delinear também em terras brasilis. O que me leva a pensar que se o passado com o PT foi desastroso, o futuro com Bolsonaro promete ser mais tenebroso ainda.
Enquanto que no país vizinho predomina o capitalismo de estado, de viés esquerdista, aqui rumamos para um capitalismo de extrema direita, nos moldes da Hungria, do primeiro ministro Viktor Orban; da Polônia de Andrzej Duda, da Turquia de Erdogan e das Filipinas do presidente Duterte. E, nestes países, como aqui, quem pensa diferente é considerado inimigo, antipatriota ou petista.
Como em todo regime autoritário estamos vendo também no Brasil um desmonte das instituições, com a prevalência da pauta dos costumes, levando a uma fragilização do estado de direito. Há um descaso com os valores da democracia, mas também a um total desinteresse pela economia, o que está nos levando para uma recessão.
A única preocupação do presidente Bolsonaro parece ser com a ideologia, como mostram as medidas adotadas até agora: na área da segurança que visam somente defender infratores, como: mais pontos na CNH; isenção de multa para não uso de cadeirinhas; isenção do exame antidoping para motoristas de caminhão e a retirada de radares nas estradas.
E um presidente que faz elogios públicos a ditadura e ao torturador cel. Brilhante Ustra não causa surpresa ao exonerar a equipe que buscava acabar com tortura dentro da polícia, nem mesmo, ao propor uma MP (mesmo que inconstitucional) que permitirá o porte de arma, inclusive fuzis, por todo cidadão de bem. Como na Venezuela, também o governo pretende armar a população, provavelmente, prevendo um possível golpe de estado. E, embora critique o país vizinho, parece seguir os passos do ex-ditador Hugo Chaves, a quem também já fez elogios no passado.
O presidente também extinguiu a maioria dos conselhos, fóruns e colegiados voltados da área social e dos direitos humanos e, seguindo sua pauta conservadora, Bolsonaro foi contra a criminalização da homofobia, aprovada no STF confirmando que, está sempre a favor do infrator ou criminoso e nunca da vítima.
Lamentavelmente, o incremento da onda conservadora tem levado a mais violência e ao discurso do ódio (de ambos os lados, tanto da extrema direita como da extrema esquerda) e, se continuar assim, voltaremos ao sec. IXX.
Infelizmente, uma parcela da população ainda não se deu conta da gravidade da situação. Talvez porque a realidade é em geral menos atraente que os discursos fantasiosos que sempre encontram ressonância em eleitores menos informados e mais frustrados.
Não percebem que o governo vem sendo monitorado por um bando de malucos liderados por um Astrólogo, morador da Virgínia, nos USA, o Sr. Olavo de Carvalho e seus seguidores, lembrando “O Incrível Exército de Brancaleone” (filme de Mario Monicelli).

E, por trás de O. Carvalho e dos filhos do presidente ainda está o arquiteto do absolutismo moderno e criador do Movimento Internacional de Extrema Direita, Steve Bannon, um Cardeal Richelieu moderno, tão ou mais perigoso quanto, nesta era das redes sociais.
Finalmente, só existe uma forma para fugir do monstro do autoritarismo, investindo fortemente em nossas instituições, e principalmente, em mais educação e reformas, econômicas e políticas. Mas, para tanto, precisamos contar com o Congresso e com líderes políticos esclarecidos que façam um contraponto a esta onde autoritária.
“Os idiotas acabaram tomando conta do mundo, não pela capacidade mas pela quantidade”
Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues
Nenhum comentário:
Postar um comentário