Nicolau Maquiavel, pai da ciência política moderna, aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súditos, porque este era mais potente e duradouro que o amor. Governar pelo medo, era a sua orientação, sempre seguida fielmente pelos tiranos e opressores.
Já, Raquel do Rosário e Diego Augusto Bayer, do grupo de pesquisa GPHCCRIM da Universidade de SC, dizem que “O crime [mostrado pela mídia] desperta curiosidade na população (...) aparecendo como um fato normal, corriqueiro, que faz parte do cotidiano das pessoas fazendo-as, também, crer que aquela situação de risco poderá acontecer a qualquer momento dentro de suas próprias casas, nos seus grupos sociais. Os telejornais propagam informações sensacionalistas através da exploração da dor alheia, do constrangimento de vítimas desoladas, violando a privacidade de algumas pessoas."
Existe uma influência mútua entre o discurso sobre o crime, o imaginário que a sociedade tem dele e o medo do delito. Pode-se sustentar que existe uma relação (sórdida) entre as informação sobre violência e a sensação de insegurança.
Quando a transmissão é ao vivo, a repetição das imagens passa uma veracidade ainda maior aos telespectadores (...) levando-os a crer que os delinquentes são em maior número e praticam mais delitos do que realmente ocorre.
Com isso, cria-se a “Sociedade do Medo” que, além de cruel e preconceituosa, passa a ser ignorante e submissa a tudo que lhe é apresentado como verdade absoluta.
Schecaira (apud BAYER, 2013) Propagando o medo do criminoso (identificado como pobre), os meios de comunicação aprofundam as desigualdades e exclusão dessa parcela da sociedade, aumentando as intolerâncias e os preconceitos. Utiliza-se do medo como estratégia de controle, criminalização e brutalização dos pobres, de forma que seja legitimo as demandas de pedidos por segurança
O medo passa a ser um de seus principais inimigos e será ele que, em muitos momentos, nos impedirá de seguir nossos sonhos, de arriscar uma tentativa ou de fazer uma mudança radical.
O mundo líquido mostrado por Zigmund Baumam é uma espécie de irrealidade dentro da qual estamos mergulhados, um mundo de aparência absoluta, de ameaças que quase nunca se configuram reais, mas que nos são mostradas cotidianamente, principalmente pela mídia. Diante disso, ele expõe o medo como uma forma inconstante. Podemos ter medo de perder o emprego, medo do terrorismo, da exclusão. O homem vive numa ansiedade constante, num cemitério de esperanças frustradas, numa era de temores. E, assim, passamos a construir inimigos e fantasmas, nos deixando levar por todo tipo de informação que nos é imposta sem nem ao menos questionar a real veracidade dos fatos. É inegável que vivemos em uma sociedade violenta, com altos índices de barbáries, mas o problema não está na prevenção de possíveis ameaças, mas em considerar que tudo e todos possam ser ameaçadores. A consequência mais importante é uma crise de confiança na vida, uma vez que, o mal pode estar em qualquer lugar e que todos podem estar, de alguma forma, a seu serviço, gerando uma desconfiança de uns com os outros.
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