Aprendemos que não é de bom tom discutir sobre religião, política e futebol, principalmente se for à mesa, no almoço de domingo. Tocar em um destes assuntos causaria constrangimento geral porque sempre haveria um cunhado que é de uma religião diferente dos demais e pode se ofender se alguém vier a criticar sua igreja; ou pode ser de um partido que não é unanimidade na mesa. E a abordagem destes assuntos é sempre muito mal visto por todos.
Mas hoje esta regra vem sendo quebrada e sempre haverá alguém que vai citar o PT ou o LULA, incendiado os ânimos e, causando não só indigestão, como fazendo com que a maioria abandone a mesa antes do final do almoço. E muitos deixarão de se falar por um bom tempo e hoje, mais do que nunca, é preciso proibir certos assuntos, dizem.
Tudo isto porque lidamos mal com opiniões diferentes da nossa e partimos logo para o confronto e, não sem razão, tememos o debate de ideias que, quase sempre, acaba em briga.
Quando o brasileiro passou a ir para a rua protestar, percebeu que não podia mais manter-se omisso e passou a expôr suas opiniões sobre política abertamente, surgindo daí afirmações do tipo: "o país está polarizado" ou "os ânimos estão exaltados".
E quem aprendeu que era "feio" falar sobre política hoje está tendo que debater reforma política, cláusula de barreira para os partidos, etc.com quem pensa diferente dele.
Porém, idéias levam ao consenso, e quando varias pessoas se juntam em torno delas, há uma polarização destas, o que não é errado. O problema é quando estes polos geram pensamentos absolutistas, transformando-se em seitas e, quem não pensa igual é considerado inimigo (o que ocorre hoje com um certo partido político de esquerda).
O problema, portanto, não é a polarização mas, quando esta polarização leva à idéias fundamentalistas e não admitem contestações.
Na Europa, mais ainda na França o debate de idéias é considerado uma virtude. Norberto Elias, sociólogo alemão, no seu livro “O Processo Civilizador” relata que durante o século XVIII, nos salões da aristocracia, a sátira, as frases de múltiplos sentidos e os elegantes jogos com as palavras eram considerados de bom tom.
Mas, na nossa cultura latina, a crítica ou o simples fato de discordar de alguém, é visto como falta de educação e, como consequência, não aprendemos a debater ideias e, menos ainda, a lidar com a oposição a elas.
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