Com a proximidade das eleições, o que mais se ouve é que precisamos escolher bem nossos candidatos, que precisamos votar naqueles que não tem ficha suja, que são honestos. O que, sem duvida, é importante, mas não é tudo.
O problema não esta só no candidato, mas principalmente, no nosso Sistema Político.
E, enquanto não adotarmos o voto distrital que permite ao eleitor ficar mais próximo do seu representante; enquanto não acabarmos com os partidos de aluguel, com os suplentes de deputados e senadores; enquanto não instituirmos o financiamento público de campanha, terminando com a influência do poder econômico, este país não vai avançar na construção de uma verdadeira democracia. O problema não esta só no candidato, mas principalmente, no nosso Sistema Político.
A candidata Marina Silva se diz representante da mudança, porem tem como seu vice um político que sempre defendeu o agronegócio, seu oposto ideológico afim de compensar o que falta aquele, num típico comportamento da velha política, que diz combater. Também acusa o PT e o PSDB de continuísmo, mas diz que vai governar com os melhores dos dois partidos - é sua resposta a acusação de que não tem equipe.
Sua figura carismática esconde mais ambiguidades: até recentemente era contra o uso de células tronco embrionária, contra a descriminalização do aborto, contra os transgênicos, contra o casamento gay, e hoje é a favor - antes, fundamentalista e hoje libertaria - o que a torna uma incógnita, fazendo com que o sonho de mudança ainda possa se tornar um pesadelo.
Mas tudo leva a crer teremos no segundo turno Dilma e Marina, com Aécio apoiando Marina e o PSDB sendo convidado a fazer parte do governo marineiro. Mas Marina também vai precisar do PT assim como precisara de maioria no Congresso e, como na velha política, terá que negociar cargos em troca de apoio - e a dita Terceira Via nada mais será que falácia de campanha.
Dai porque a necessidade de uma mudança estrutural das nossas instituições. Mas para que isto aconteça precisamos do Congresso, não basta que o executivo defenda a mudança política, para que isto aconteça é necessário o apoio do Legislativo. Por isto é tão importante que votemos no candidato a deputado federal e ao senado que se comprometa com a reforma.
Sabemos, também, que os parlamentares só aceitarão fazer a Reforma Política se houver pressão da sociedade. É necessário, portanto, que nos mobilizemos e através de uma ampla campanha e de um plebiscito popular possamos convocar uma Constituinte Exclusiva da Reforma do Sistema Político.