segunda-feira, 21 de outubro de 2013
EM DEFESA DE BONS ESPAÇOS PARA SE ANDAR
No entanto, quando estou na Europa, gosto de caminhar pelas ruas, gosto de fazer compras nas lojas da Rue de Rivoli, andar pela Via del Corso em Roma, etc.. O mesmo prazer não encontro no Brasil onde as ruas pertencem aos carros e o pedestre aqui é um cidadão de 2ª. classe. Resta a ele o único espaço público onde ainda pode andar com segurança e encontrar pessoas - o que não ocorre dentro de um carro - os shoppings centers.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
FRONTEIRAS DO PENSAMENTO
Fui a duas palestras do ciclo "Fronteiras do Pensamento": a do ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa e do psicanalista Contardo Caligaris.
A palestra do economista e hoje urbanista E. Peñalosa foi de longe a mais interessante. Descobri porque um país da America-latina, com um pib per-capita inferior ao nosso, com problemas sociais maiores ainda, consegue o que prefeitura alguma no Brasil conseguiu até hoje: uma reforma urbana nos moldes do primeiro mundo.
Ele conta que durante sua gestão na prefeitura de Bogotá chegou a 85% de rejeição e que foi, na época, considerado o "inimigos público n.1" da Colômbia. Descontando o exagero do "inimigo público n.1", pude concluir que teve autonomia para fazer as mudanças que desejava apesar de todas as pesquisas de opinião. E que este, certamente, é o nosso problema: aqui, o administrador público que chegar a índices tão baixos de aprovação, imediatamente convocara seu marqueteiro e tratara imediatamente de reverter a situação.
Ao se eleger Prefeito ele esta ainda no início da sua escalada rumo ao Planalto e suas ações serão sempre voltadas para esse que é seu objetivo maior - o Congresso ou mesmo o Planalto - e a administração municipal nunca será um fim em si mesmo, mas só mais um degrau para chegar ao topo.
Portanto, enquanto não houver uma Reforma Política que acabe com a reeleição para cargos executivos - penso que o cargo de prefeito deveria ser meramente administrativo e não político, mas aí já é outro "papo" - não teremos grandes mudanças, nem mesmo a reforma urbanística que a cidade tanto necessita e; enquanto o nosso sistema eleitoral permitir que o candidato dependa do famoso caixa 2 de campanha, que é abastecido com dinheiro da iniciativa privada, a administração pública continuará a ser pautada por grupos econômicos.
Durante a campanha o candidato apresenta propostas que encantam a todos - são novas áreas de lazer, transporte de massa de primeiro mundo, teleféricos, etc. Quando eleito, inicialmente, se mostra disposto a colocá-las em prática, cria uma equipe técnica para dar início aos projetos mas não demora muito para percebermos que ele começa a ceder, a adiar, a formar comissões para discutir as reformas, reuniões, etc, etc mas nada vai para a frente porque seus projetos entram em conflitos com os interesses dos grupos econômicos. E, aos poucos, aquelas propostas maravilhosas começam a ir por "água à baixo". Percebemos, frustrados, que o interesse da população vai ficando em segundo plano. Ou em terceiro: em primeiro esta o dele, o político, em segundo o dos grupos econômicos e só em terceiro o da cidade.
Na dia seguinte fui então assistir a palestra do psicanalista, escritor e articulista da FSP, Contardo Caligaris. O auditório estava lotado e haviam colocado cadeiras e um telão na recepção ao lado. Todo o mundo "psy" estava lá e a maioria foi para ouvir ele falar sobre os Seminários de Lacan, o Homem dos Ratos, etc., ninguém ali sabia quem era realmente Caligaris ou que ele estava ali para falar do seu último romance "A Mulher de Vermelho e Branco". E, aos poucos o pessoal foi abandonando o auditório até que a pláteia resumiu-se a metade e ele continuasse a falando sobre seu processo de criação literária.
Beatriz
sábado, 12 de outubro de 2013
SOBRE FILMES 4
Terça resolvi ver o filme " Frances Ha" que tinha sido muito elogiado pela crítica e era a última semana que passaria em Floripa. Decidi que iria na última seção, a das 21h10 porque poderia, assim, ainda assistir ao jornal na TV.
Mas o tempo voa e quando olhei em direção ao relógio ele marcava 21h - vai dar tempo, pensei (por sorte a sala de cinema fica próxima da minha casa) - e saí correndo. Só depois de comprar o ingresso e sentar na platéia percebi o engano: iniciava "Os Sabores do Palácio" e não "Frances Ha" - havia errado de cinema!
Mas a decepção cedeu lugar ao interesse: o filme mostrava o jogo de poder nos porões (literalmente o Local da cozinha) do Palais de l' Élysée e relatava a amizade entre a protagonista, a excelente Danièle Delpeuch, no papel da chef particular do presidente, e François Mitterand em torno de receitas culinárias. Sua rebeldia e dificuldade em lidar com a burocracia do poder, faz com que troque o cargo no Palácio pela cozinha de um posto avançado na Antártica.
O único problema com o filme foi a fome que aquelas receitas fantásticas tinham despertado e o ClubSandWich com requeijão que tive que encarar no lugar do "foie gras com figos grelhados".
Dia seguinte fui, finalmente, ver "Frances Ha". E uma nova decepção, era americano! E lembra alguns seriados feitos para a TV com ares de Nouvelle Vague. Diria que é um filme frugal, levemente agradável, nada além disto. Discordo da crítica que, na minha opinião, exagerou nos elogios.
Mas o tempo voa e quando olhei em direção ao relógio ele marcava 21h - vai dar tempo, pensei (por sorte a sala de cinema fica próxima da minha casa) - e saí correndo. Só depois de comprar o ingresso e sentar na platéia percebi o engano: iniciava "Os Sabores do Palácio" e não "Frances Ha" - havia errado de cinema!
Mas a decepção cedeu lugar ao interesse: o filme mostrava o jogo de poder nos porões (literalmente o Local da cozinha) do Palais de l' Élysée e relatava a amizade entre a protagonista, a excelente Danièle Delpeuch, no papel da chef particular do presidente, e François Mitterand em torno de receitas culinárias. Sua rebeldia e dificuldade em lidar com a burocracia do poder, faz com que troque o cargo no Palácio pela cozinha de um posto avançado na Antártica.
O único problema com o filme foi a fome que aquelas receitas fantásticas tinham despertado e o ClubSandWich com requeijão que tive que encarar no lugar do "foie gras com figos grelhados".
Dia seguinte fui, finalmente, ver "Frances Ha". E uma nova decepção, era americano! E lembra alguns seriados feitos para a TV com ares de Nouvelle Vague. Diria que é um filme frugal, levemente agradável, nada além disto. Discordo da crítica que, na minha opinião, exagerou nos elogios.
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