sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

MUITA GRANA NA REPUBLICA DOS BANANAS

Saiu a banda podre do PT, entrou a banda podre da igreja evangélica. Com a prisão do prefeito do Rio, sobrinho do bispo Silas Malafaia, da turma do presidente desvela-se a sempre estreita ligação entre corrupção, violência e religião. O que antes era um privilegio da igreja católica foi aperfeiçoado pelos evangélicos. 

Não tenho duvidas de que chegará o dia do Bolsonaro também. Talvez primeiro, de um dos filhos, o 03, bastante encrencado. Resta saber se o exército continuara se calando, como vem fazendo a igreja Universal em relação à Crivela. Acredito que, se prenderem o 03 - o que esta muito próximo de ocorrer - o presidente ensurtara de vez e exigirá o apoio do exército para um golpe de estado. Bolsonaro comprou o apoio do exercito com altos cargos (ministério + comissões, que rendem muito dinheiro + mordomias, como faz Maduro na Venezuela). Tendo se associado à empresas de armamentos afim de encher o bolso de dinheiro - seu único objetivo para estar na presidência e ter colocado filhos e ex-mulheres na politica - sabe que pode contar com o apoio do exército, envolvido com tráfico de armas. Assim, um faz vista grossa para o outro.

Portanto, como veem, nada é tao simples como pensa a maioria daqueles que hoje preocupam-se com os rumos deste país. Bolsonaro tem também o apoio de fanáticos idiotizados pelas redes sociais, que sao governados por uma mistura de fundamentalismo religioso, milícias e exército, que tem também como única finalidade muita muita grana, mais até do que roubou o PT. Vivemos tempos sombrios
Tem uma solução? Sim, para tirar Bolsonaro, igreja e exercito do governo só cassando a chapa toda, Bolsonaro + Mourão. E isto depende do TSE ou seja, dos seus ministros. Fica, porém, a pergunta: porque nada se faz?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

E-mail enviado ao jornal O Globo em 06/12/2020.

No artigo de hoje do jornalista Merval Pereira, “O Supremo acima da Lei”, ele começa citando o ministro Marco Aurelio, que diz: “ O paragrafo 4 artigo 54 não enseja interpretação diversa”.

Ora bolas, pois então que se mude a Constituição. Ah, mas isto depende do Congresso, o que demandaria tempo e a eleição é em fevereiro. E o STF tem a função de resguardar a Constituição e não de descumpri-la!
Penso que seria o mesmo que dizer que as leis estão acima das pessoas. Se uma lei, mesmo se tratando de uma Lei Maior, deixa de beneficiar o cidadão então ela precisa ser mudada porque as leis não podem ser mais importantes do que as pessoas.
Durante o governo FHC houve uma decisão do Congresso permitindo um novo mandato e em 21 Assembleias Estaduais nao ha limite para a reeleição, embora concorde que deva haver limite, não deveria causar estranhamento.
Se pensarmos que as varias tentativas de golpe da extrema direita foram freadas graças ao presidente do Congresso que, junto com o Supremo tem freado os impulsos antidemocrático deste governo. E, que este é o melhor presidente que a Câmara já teve. Imaginemos (talvez, melhor não) a eleição de um bolsonaristas com suas pautas de costumes comandando o Congresso! Certamente também preparando o caminho para um golpe de estado, como almeja nosso presidente.
Mas, vejo que a discussão sobre o parágrafo 4 artigo 54 da Constituição não leva em consideração o que realmente está em jogo, que é a própria democracia. E o risco de se entregar o Congresso na mão deste governo justifica, sim, uma mudança nas regras e que tem sido graças ao chamado ativismo do judiciário que não estamos ainda em uma ditadura à la Maduro. Assim, o que esta em questão não é a reeleição ou não do presidente do Congresso mas se o governo vai ou não conseguir impor sua agenda autoritária.
Sem duvida, acima do Supremo esta a Lei Maior mas acima dela é preciso que esteja a democracia e as pessoas.

Nota: não entendo a defesa fundamentalista da Constituição feita pela grande imprensa que só tem servido aos interesses do bolsonarismo. Maduro que já controlava o judiciário, agora esta fazendo o mesmo com o legislativo e, Bolsonaro segue-lhe a cartilha, contando com a leniência dos brasileiros. 




                          






sexta-feira, 9 de outubro de 2020

LEITURAS PANDÊMICAS

Faço abaixo um resumo dos livros que me fizeram companhia durante a pandemia:

14. James Joyce. Estou, no momento terminando a leitura de Retrato de um Artista quando Jovem começada quando estava em Dublin. Antes de ir para a Irlanda li Dublinenses e lá conheci um professor, especialista em Joyce, que me convidou para participar de uma leitura de Ulisses, em portugues. Descobri que tinha mais nomes próprios e de ruas do que teria a lista telefônica, todos em inglês, claro, o que não ajudou na leitura e me levava a rir dos meus tropeços com o idioma local. Devo ser a unica pessoas que já se divertiu lendo Ulisses.  

13. Bruno Paes MansoRepublica das Milicias, Dos Esquedrões da Morte à Era Bolsonaro. Mostra a estreita relação entre a família Bolsonaro e as milícias e como estas se formaram na cidade do Rio de Janeiro. Bastante esclarecedor além de bem escrito. O autor é professor da USP, cientista social e pesquisador, já tendo publicado um livro sobre o PCC. 

12. Chico Buarque. Essa Gente. Considero o Chico um fantástico letrista e suas músicas são lindas. Mas não penso o mesmo do escritor e este ultimo livro só veio confirmar minha péssima opinião. Ele fala sobre uma classe média alta decadente, moradora da zona sul  mas erra nos personagens muito caricaturais, dando um tom panfletario ao texto. Quanto à  decadência creio que esta se adequa bem a cidade, diria até que também ao autor.  

11. Baldwin, james. Em Notas de um Filho Nativo descobri um Autor apaixonante. Na 3a parte do seu ensaio, “Uma questão de identidade”, reflete sobre sua experiencia em Paris no pos-guerra Baldwin. Falar sobre o encontro com o diferente, com uma nova cultura confirmando tanta a tese existencialista de que é no meio da rua que nos encontramos bem como a lacaniana de que é o Outro que me significa, 

Nesta parte do livro fala também sobre relação do negro americano e a do imigrante africano com a França e a diferença de comportamento de um e outro. Ainda sobre Paris escreve que “A inteligência desempenha um papel limitado nos assuntos humanos”, ao descrever os franceses como decadentes, sujos e pobres, o que me remeteu ao RJ, que é um pouco isto mas que tb tem uma vida cultural intensa.

É fascinante como ele vai desvelando a alma dos negros americanos e por contraposição também a dos brancos, dissecando-a sem pudor. Tenho me perguntado como será a alma dos nossos negros, com um histórico parecido qto à escravidão mas onde hoje a segregação entre brancos e negros aqui é muito maior. Não sabemos o que pensam nossos negros e o que guardam em suas almas humilhadas, oprimidas, escravizadas. Nem como nossos negros vêem os brancos. Qto aos brancos diria que eles não os vêem os negros, não como indivíduos.


10. Leonardo Padura. Em O Homem que amava os Cachorros Padura revela-se um grande contador de historia e, alem de narrar a vida emocionante do protagonista Ramon Mercader, também nos leva a conhecer a historia do exílio e morte do grande Trotsky assim como os porões da Russia stalinista. O narrador, um Cubano nos permite também conhecer um pouco sobre a Cuba de Fidel Castro. Para quem havia lido pouco sobre o comunismo, sobre Lenin, Stalin e Trotsky, foi muito interessante.


9. Sergio Abranches. No livro O Tempo dos Governantes Incidentais do cientista social e marido da jornalista Miriam Leitao, fala sobre o presidencialismo após 1988 no país e as possíveis debilidades da ordem social-democrática brasileira, assim como o retrocesso democrático promovido pelo governo Bolsonaro, procurando apontar possíveis soluções.   


8. Scott Fitzgerald Embora fã do autor de O Grande Gatsby achei este As Historias de Pat Hobby bastante decepcionante. O protagonista não cria empatia, parecendo só um tipo errático. 


7. Umberto Eco em O Fascismo Eterno faz uma distinção entre o nazismo e o fascismo. Diz que o nazismo é sempre um só, que é anticristão e neo-pagão, da mesma forma que Stalin era claramente materialista e ateu; ambos subordinavam qualquer ato individual ao estado e a sua ideologia eram, assim, regimes totalitários. 

Enquanto que o fascismo não é uma ideologia monolítica mas an. tes uma colagem de diversas ideias políticas e filosóficas - um alveário de contradições - e transformou-se em uma denominação para os mais diversos movimentos totalitários, podendo-se reunir igreja, exercito e milícias no mesmo pacote, como vemos no Brasil.  
UE faz uma lista das características típicas daquilo que chama de Ur-facismo ou facismo eterno, que cito abaixo: 
Culto da tradição. 
Recusa da modernidade. O iluminismo e a idade da razão são vistos como o início da depravação da modernidade (vide o chanceler Ernesto Araújo e seu terraplanismo).
- Acusação à cultura moderna de abandono dos valores tradicionais. Pensar é uma forma de castração e a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas"As universidades são um ninho de comunistas" 
 Negação da ciência. Na cultura moderna a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço do conhecimento. Para o fascismo o descordo é traiçãoNão pode, assim, existir avanço do saber.
Medo da diferença. É portanto racista por definição. 
Apelo às classes médias frustradas, temorosas da perda dos seus previlégios por pressão do lumpesinato. É a pequena burguesia necessitando de reconhecimento social.
Nacionalismo excerbado como busca de uma identidade. Os unicos que podem fornecer uma identidade às naçoes são os inimigos. Assim, esta na raiz do Ur-fascismo a obsessão da conspiração. Dos comunistas, para Olavo de Carvalho e seus seguidores.
O pacifismo é conluio com o inimigo, o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente.  
- O eletismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacinária, enquanto fundamentalmente aristocrática e militarista que implica o desprezo pelos fracos. Os membros do partido são os melhores cidadões e a força do líder se baseia na debilidade das massas, tão fracas que tem necessidade de um "dominador". O grupo é organizados hierarquicamente segundo o modelo militar. O lider despreza seus subordinados que por sua vez despreza seus subalternos.
- Cada um é educado para ser um herói. Culto que é ligado ao culto da morte. Entre os falangistas o lema era: "!Viva la muerte!" É a recompensa por uma vida heróica.
- O fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais, que esta na origem do seu machismo (desdém pelas mulheres e uma condenação de hábitos sexuais não conformistas, da castidade à homosexualidade). Seus jogos de guerra se devem a uma invidia penis permanente.
- Para o ur-fascismo os indivíduos não tem direitos e o "povo" é concebido como uma entidade monolítica que exprime "a vontade comum" e o líder é o seu intérprete que deve opor-se aos governos parlamentares. Colocam em dúvida a legitimidade do Parlamento, dizendo que não representa o povo.
- Os textos escolares devem se basear em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico. É o que UE chama de novalíngua, inventado por Orwell em 1984.

6. Niklas Natt Och Dag 1793 é um thriler passado durante a idade media sueca, uma época onde as doenças, fome, desemprego e violência imperavam. Mas confirmou que thrillers não sao minhas leituras preferidas.


5. Karl Ove Knausgård Sempre que viajo p um país novo procuro ler primeiro sobre a história do país e depois um autor atual que me permita conhecer um pouco da vida cotidiana do lugar. Na 1a vez que fui a Estocolmo li Um Outro Amor escritor da moda, Knausgård. É um livro autobiográfico onde ele relata a relação com a familia, com a mulher e os amigos mas também com a literatura. É muito intenso, passional mesmo, entrando em detalhes sobre o aluguel do apto onde moram, do parto da esposa e dos cuidados com as filhas. Confirma também o que dizem dos suecos: que eles bebem mto mto. Talvez fugir do frio, do cinza do céu e do distanciamento humano provocado pela neve nos longos invernos escandinavos.

Quando voltei ao Brasil comecei a ler A Ilha da Infância mas abandonei ainda no inicio por ser muito focado na vida de um grupo de garotos e nas relações entre eles. Sem o humor de A Guerra dos Botões, de Luis Pergaud, mais intimista.

Mas é um grande escritor e ainda quero ler outros livros dele. Pensei em comprar Minha Luta mas depois da matéria sobre a ex-mulher em O Globo, resolvi ler o livro dela, Linda B Knausgard, chamado A Pequena Outubrista mas nao o encontrei no aplicativo da Apple.


4. William Faulkner - Tentei ler O Som e a Furia Luz em Agosto e desisti talvez pelo fato de que não tenho nenhuma simpatia pela cultura americana. Tenho muito dificuldade em ler qualquer autor americano. Excessão para S.Fitzgerald e Hermingway. 

Apesar de Faulkner ser um escritor brilhante, não conseguir terminar nenhum dos seus livros que comecei a ler nesta pandemia.


5. Giovanni Boccaccio - Decamerão. Resolvi ler porque se passava durante a peste negra em Firence, no séc. XIV e pelo filme do Pasolini baseado em alguns contos do livro. As histórias são contadas por um grupo de jovens reunidos em um castelo durante a peste.  


6. Salman Rushdie - Oriente, Ocidente. Conheci o escritor em uma Flip, em Paraty e sua figura é muita simpática. Apesar disto, só hoje peguei um livro dele para ler. Acho que não era o momento certo porque a leitura não me seduziu ou eu não consegui entendê-lo. Preciso voltar ao livro ou mesmo tentar outra obra dele.   


Estou lendo:

7. Ayelet Gundar-Groshen - Uma Noite Markovitch

8. Sergio Buarque de Holanda - O Homem Cordial

9. Proust - Em Busca do Tempo Perdido

 

Pretendo ler:

9. Charli Hebdo - Carta aos Escroques da Islamofobia que fazem o Jogo dos Racistas

10. Ailton KrenakIdeias para Adiar o Fim do Mundo








domingo, 20 de setembro de 2020

AO RENOVABR - TEXTO ESCRITO EM 2018

Se existe um consendo é o de que desejamos um país melhor mas só conseguiremos isto quando todos - empresários, profissionais liberais e sociedade civil em geral - partirmos para a ação.
Só quando sairmos da nossa zona de conforto e irmos todos para as ruas, para as redes sociais e movimentos organizados é que poderemos mudar o Brasil. Quando pensarmos mais no coletivo e menos no individual, quando unirmos nossas forças em prol de um país mais ético, voltado para o bem comum, com menos desigualdade e mais democracia, com educação e saúde pública de qualidade, só aí conseguiremos ser um grande país.
É o desejo de de partir para a ação, de não ficar só na crítica que me leva a busca da convergência de ideias em torno de um projeto de nação como ferrementa de uma praxis política.

Sabemos que mudanças estruturais só ocorrerão com a eleição de pessoas que realmente representem os eleitores e não somente seus interesses pessoais ou partidários, mas com um genuíno espírito público. Que só assim o Congresso conseguirá aprovar reformas que hoje contrariam interesses paroquiais da maioria dos políticos que lá estão.
Precisamos de políticos que se comprometam com uma ampla reforma eleitoral que, não só proiba as coligações partidárias e aprove a Cláusula de Barreira mas, também que acabe com a propaganda na TV, visto que servem para a compra partidos de aluguel e representam 80% dos gastos de campanha. Assim como, acabar também com o Fundo Partidário, visto que quem deve sustentar o partido são seus filiados e não o governo.
E, principalmente, precisamos de um pais menor, com um Estado  mais eficiente, com mais espaço para a iniciativa privada. Mas só faremos isto acabando com a maioria das estatais, que nada mais são do que fonte de corrupção permitindo ao governo se concentrar naquilo que é essencial para a população como: saúde, educação e segurança.
E, finalmente, o país só será melhor quando sairmos da retórica para uma verdadeira praxis política, que eu gostaria de iniciar através do RenovaBR






domingo, 5 de abril de 2020

2020 d.C.*

(*) d.C. = depois do Coronavírus

V - O RIO É RETRÔ
Só no Rio existe piso de taco e com sinteco. Juro, lá a maioria dos apartamentos na zona sul são de taco com sinteco. Taco é lindo, mas com sinteco brilhante é muito brega! 
Quando estava na faculdade, e já faz mais de 50 anos, no meu predio existia um local junto as escadas, onde vc colocava o lixo, era uma abertura que levava o lixo por poço de luz até o térreo. E o lixo ficava ali juntando barata até que foi proibido pela prefeitura e desde então não há mais estas lixeiras aqui no sul. Assim como não se vê baratas pelas ruas, e rato... então, só mesmo no Rio de Janeiro. 
Somente lá os prédios tem o apartamento do zelador, o que não é mal. O problema são os  predios, que são pequenos, velhos e acanhados, o que torna a experiência de morar no Rio diferente do sul moderno.    

IV - EMPATIA
Depois de um longo tempo, de muitas viagens, primeiro para a Europa e depois para o Rio de Janeiro, volto para a esta telinha. Começo com a questão suscitada pela pergunta: como será o amanhâ pós pandemia para falar sobre a falta de empatia do brasileiro para com aqueles que não lhe são próximos. 
Transcrevo abaixo texto que escrevi em 23 de fevereiro de 2014 aqui neste blog: 

Cordialidade, hospitalidade, generosidade – qualidades tão elogiadas por estrangeiros – representam, com efeito, um traço do caráter brasileiro mas seria engano supor que estas virtudes possam significar “Boas maneiras”, civilidade. Elas são, antes de tudo, expressão de um fundo emotivo rico e transbordante, como observa Sergio Buarque, em Raízes do Brasil.
Sergio Buarque usa o termo cordial que vem de “cuore” – coração, em latim – para dizer que o brasileiro tudo faz em nome do coração, de interesses particulares. Não existe a idéia de comunidade, o compromisso é antes de tudo com a família, o que esta na origem não só da falta de polidez como do comportamento corrupto (tudo é justificado desde que seja para beneficiar os parentes, o emprego público para o genro, o dinheiro desviado para deixar todos “bem”, etc.). Assim, o político, formado dentro destes valores não compreende a distinção entre o privado e o público, dando origem ao comportamento patrimonialista. 
O problema esta, portanto, na família patriarcal (ainda hoje predominante) que educa seus filhos dentro de valores estritamente doméstico, fazendo com que o brasileiro tenha aversão ao ritualismo social, goste da intimidade e esteja sempre procurando abolir as barreiras. O brasileiro gaba-se de ser caloroso, mas confunde falta de polidez com expansividade, pois esta exige respeito a rituais e hierarquias, onde a lei geral suplanta a lei particular.

Somos também um país com escassa formação intelectual. O Brasil foi um dos últimos países da America do Sul a ter uma imprensa e livros eram proibidos até a vinda de D.João VI para o país. Foi também um dos últimos a ter uma universidade e até hoje não damos muito valor a cultura - para a maioria da população ela é mais um sinonimo de esnobismo do que uma qualidade. 
O numero de pessoas que lê jornais e mesmo que já leram algum clássico ou que conhece música erudita é muito pequeno. Raros são os que já visitaram um museu, mesmo porque existem poucos ou que já foram a um teatro. 
Tudo isto tem um preço. Explica a incapacidade que a maioria tem de refletir de maneira mais profunda sobre a sociedade, olhar para as pessoas que estão fora da sua bolha (para susar um termo da moda) a ter um comportamento menos individualista, falta empatia. comportamento individualista.  



III - EM NOME DO PAI (maio 2020)
Quando tudo isto terminar vou sentar no François, minha cafeteria preferida em Floripa, vou pedir um croque madame e um crème brûlée antes de ir para o Cine Paradigma, ao lado, assistir um bom filme francês ou mesmo algum iraniano.
Caso tenha feito sol, durante o dia, terei ido à praia, lido meus jornais que trarão noticias de um mundo que volta ao normal depois da  descoberta a cura do Covid-19. Como será inverno não terei entrado na água, que já não estará tão tépida mas muito fria e ficarei somente sentada lendo os jornais, tendo ao fundo o som das ondas do mar de Jurerê Internacional. 
Sonho com o dia em que tudo isto volte a ser o cotidiano embora, desconfio, está um pouco distante e ainda viveremos muitos momentos de pura angustia. 

Além do Coronavírus estamos também enfrentando o Bolsovírus, trazido por um presidente que tem um projeto caipira de ditador, que vem incentivando as pessoas à sairem às rua, colaborando para o aumento do numero de mortes, quando já contamos com mais de 65mil em todo o país.   



O jornalista Merval Pereira diz que Bolsonaro é louco. Ruth de Aquino, outra jornalista do Globo, dicorda e chama o presidente de psicopata enquanto que Ascânio Pereira acha que não é nem uma coisa nem outra, que não é insano mas sim um perverso.
Ascânio cita Freud e os Tres Ensaios sobre a Teoria da sexualidade, de 1905 onde este diz que o perverso mantém na vida adulta uma sexualidade infantil, edipiana. Daí o porque da fixação do presidente em temas machistas e homofóbicas, em Golden Shower, etc. 
Quanto a mim, desde que assisti ao filme O Ovo da Serpente do Igmar Bergman descobri que ele é nazista, identificando nele os mesmos métodos de ação. Em Arquitetura da Destruição, Bergman mostra que está por tráz da ideologia nazista e como o povo foi sendo convencido a apoia-lo. 

Mas, talvez o mais correto seria chama-lo de fascista. Umberto Eco em O Facismo Eterno faz uma distinção entre o nazismo e o fascismo. Diz que o nazismo é sempre um só, que é anticristão e neo-pagão, da mesma forma que Stalin era claramente materialista e ateu; ambos subordinavam qualquer ato individual ao estado e a sua ideologia eram, assim, regimes totalitários. 

Enquanto que o fascismo não é uma ideologia monolítica mas antes uma colagem de diversas ideias políticas e filosóficas - um alveário de contradições - e transformou-se em uma denominação para os mais diversos movimentos totalitários, podendo-se reunir igreja, exercito e milícias no mesmo pacote, como vemos no Brasil.  
UE faz uma lista das características típicas daquilo que chama de Ur-facismo ou facismo eterno, que cito abaixo: 

Culto da tradição. 
Recusa da modernidade. O iluminismo e a idade da razão são vistos como o início da depravação da modernidade (vide o chanceler Ernesto Araújo e seu terraplanismo).
- Acusação à cultura moderna de abandono dos valores tradicionais. Pensar é uma forma de castração e a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas"As universidades são um ninho de comunistas" 
 Negação da ciência. Na cultura moderna a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço do conhecimento. Para o fascismo o descordo é traiçãoNão pode, assim, existir avanço do saber.
Medo da diferença. É portanto racista por definição. 
Apelo às classes médias frustradas, temorosas da perda dos seus previlégios por pressão do lumpesinato. É a pequena burguesia necessitando de reconhecimento social.
Nacionalismo excerbado como busca de uma identidade. Os unicos que podem fornecer uma identidade às naçoes são os inimigos. Assim, esta na raiz do Ur-fascismo a obsessão da conspiração. Dos comunistas, para Olavo de Carvalho e seus seguidores.
O pacifismo é conluio com o inimigo, o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente.  
- O eletismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacinária, enquanto fundamentalmente aristocrática e militarista que implica o desprezo pelos fracos. Os membros do partido são os melhores cidadões e a força do líder se baseia na debilidade das massas, tão fracas que tem necessidade de um "dominador". O grupo é organizados hierarquicamente segundo o modelo militar. O lider despreza seus subordinados que por sua vez despreza seus subalternos.
- Cada um é educado para ser um herói. Culto que é ligado ao culto da morte. Entre os falangistas o lema era: "!Viva la muerte!" É a recompensa por uma vida heróica.
- O fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais, que esta na origem do seu machismo (desdém pelas mulheres e uma condenação de hábitos sexuais não conformistas, da castidade à homosexualidade). Seus jogos de guerra se devem a uma invidia penis permanente.
- Para o ur-fascismo os indivíduos não tem direitos e o "povo" é concebido como uma entidade monolítica que exprime "a vontade comum" e o líder é o seu intérprete que deve opor-se aos governos parlamentares. Colocam em dúvida a legitimidade do Parlamento, dizendo que não representa o povo.
- Os textos escolares devem se basear em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico. É o que UE chama de novalíngua, inventado por Orwell em 1984.



 
II - NOVOS TEMPOS (abril 2020)
Hoje volto para a minha sacada aproveitando que os dias continuam lindos, o céu sempre azul constratando com o clima nebuloso desta pandemia. 
"Eles passarão, eu passarinho" disse o poeta Mario Quintana. Mas quando, pergunto eu? E como será, penso angustiada tentando imaginar o pós-coronavírus.

Resumo abaixo a opinião de alguns intelectuais, jornalistas, filósofos e cientistas sociais. Começo com Fernando Gabeira que fala de certo otimismo exagerado, do gênero "o coronavírus veio para mudar o mundo para melhor". Diz que o vírus veio para nos destruir e devastar a economia, que essa é a verdade. Que ele (o vírus) não é revolucionário e tudo vai depender de nossas escolhas daqui para a frente. Concordo com ele que pensar que tudo vai mudar magicamente é muito romantismo e dependerá de um esforço conjunto.

O sociólogo francês Maffesoli defende uma nova cultura onde predominem valores como compartilhamento e comunitarismo. Sem dúvida, talvez tenha chegado o momento de pensarmos coletivamente. Mas será que faremos isto? O brasileiro não tem muita empatia por alguém que não seja sua família e seu círculo mais próximo de amigos. Leiam "Raízes do Brasil" de Sergio Buarque de Holanda.

O Brasil tem um dos maiores índices de desigualdade social do planeta e isso ficou evidente na quarentena. 
Quem tem dinheiro, está sendo obrigado a administrar esse idolamento com tédio. Já os menos favorecidos têm de lidar com a falta de comida e recursos. 
Para Zeina Latife não podemos ser tão desiguais, é necessario que emerja uma sociedade mais fraterna e preocupada com todos que nela vivem. A assistencia aos mais frágeis é crucial. 

Este vírus está nos obrigando a pensarmos solidariamente porque muita gente que vai morrer de fome e muitos negócios vão falir. Mas, a crise também vai concentrar mais ainda a renda sendo necessário encontrar uma solução que não beneficie somente nossa família porque estamos todos no mesmo barco. Ou, talvez não exatamente no mesmo barco, pois alguns estão em um iate e a grande maioria num bote inflável!

Martha Batalha em um artigo no Globo do dia 19/02/2020 comenta que o brasileiros quando volta de uma viagem ao exterior costuma fazer comentarios do tipo: gente, como é bom andar na rua sem a preocupação de assalto. Já reparou como ninguém joga lixo no chão? O transporte público funciona! Tem até flor nos canteiros da calçada! Primeiro mundo é outra coisa, concluem. Mas não se dão conta que não é a riqueza o que estão cobiçando mas a menor diferença de classe. 

Também chama a atenção para um outro comportamento do brasileiro: o do ministro que disse que disse que com o dólar baixo até empregada doméstica estava indo para a Disney. E, eu lembro aqui da namorada de um amigo de Curitiba (a própria curitiboca) que mostrou-se incomodada porque a empregada passou no vestibular. Imaginem a ameaça que é para os privilégios da classe media alta a empregada na Disney ou frequentando faculdade, quando parte do prazer está na conciência de que só uma minoria pode ter acesso a eles. E onde isso vai parar, com patroa e empregada com vidas semelhantes?

O filósofo Fernando Schüler escreveu que "a eliminação da miséria é o desafio ético do nosso tempo" e conclui: "É esta a nossa fronteira civilizatória, assim como foi, no século XIX, o fim da escravidão"


Ao perpetuar esta maldição brasileira - a concentração de renda - compromete-se a própria qualidade de vida e mesmo um milionário de um grande centro urbano do Brasil não consegue desfrutar dos simples prazeres de uma classe média de um país mais justo, como andar na rua a qualquer hora e sem medo, não ter que conviver com uma população maltratada e infeliz, nem ouvir aquela história horrível de assalto e morte.
Mas essa paz tem preço. O preço é aceitar que cidadania não é privilégio. Para tanto é necessario uma transformação no próprio tecido social: com empresas mais solidárias, uma classe política mais madura e aberta ao diálogo visando a um país menos desigual.


Cristovam Burque diz que há a necessidade de uma reorientação na relação da economia com a sociedade para enfrentar a tragédia da pobreza e isto se faz com serviços públicos eficientes e uma maior presença do Estado.

Necessitaríamos, portanto, de uma economia de guerra para superar a persistência da pobreza e enfrentar as outras epidemias que também nos contaminam há séculos: 100 milhões de pessoas sem tratamento de esgoto, 35 mi sem água, 70 mi sem educação de base, 13 mi de desempregados, milhares com dengue, malária, sarampo. 

Celso Athyde, o fundador da Central Unica das Favelas diz que são 13,5 mi pessoas que moram em favelas no Brasil. É gente que não pode parar, que antes do Coronavírus era invisível mas que é a base da pirâmide de serviços essenciais sem a qual o resto do país em quarentena entra em colapso.
O governo promete ajuda à 51,4 mi, numero corrigido para 70mi, ou 40% da força de trabalho nacional em idade adulta que vive na informalidade mas até agora só conseguiu atender a 5mi devido as dificuldes impostas pela burocracia.

Mas a pobreza não se erradica com transferência de renda. O que elimina a pobreza é fazer com que tenham acesso aos bens e serviços essenciais para uma vida digna: educação de qualidade, água e esgoto, serviço de saúde eficiente, transporte urbano de qualidade e uma renda mínima.
Lembram do ex-senador petista Eduardo Suplicy? Pois ele conseguiu aprovar seu projeto de renda mínima mas o Congresso nunca regulamentou. 

Também após esta pandemia os países deverão passar a colaborar mais no campo da ciência e a destinar mais recursos para este fim. As pessoas cada vez mais deverão se pautar na ciência para tomar decisões, exceto aquelas que preferirem continuar presas à escuridão da ignorância.
Termino com o samba enredo da União da Ilha do Governador, só trocaria o ultimo verso "Como Deus quiser" para "Como nós quisermos".

"Como será o amanhã?/Responda quem puder/O que irá me acontecer?/O meu destino será/Como nós quisermos"




I - SOBRE JANELAS E SACADAS (março 2020)
Janela e sacadas são o novo símbolo desta quarentena. Na Italia a população vai para as janelas e canta Bella Ciao, canção símbolo da resistencia italiana; na França vão para as sacada fazer ginástica e acho dificil não ficar emocionada com essas belas imagens.  
Porém minha sacada não me permite ver os vizinhos, não dá para a rua e vejo somente alguns predios ao longe e algumas árvores atrás da pequena praça do condomínio onde os moradores costumavam levar os  cachorros para passear (que chamam aqui de pet place). Nestes dias tem estado vazia e não ouço mais os constantes latidos quando, então, costumava debruçar-me na sacada para conversar com os donos dos cachorros.



Mas hoje só ouço alguns sons ao redor, o do vizinho do andar acima falando com a mulher ou o do apartamenteo ao lado, que bate panela quando tem alguma manifestação contra o presidente. 

Quando cruzo com moradores na recepção ou na porta do elevador cumprimento-os mas pouco nos falamos. A recomendação é para que se evite muito contato e só entrar no elevador se ele estiver vazio. Sem falar com ninguem e sem poder sair de casa, tenho ficado na sacada escrevendo e aproveitando os dias de sol e céu sempre azul, com sua bela luz outonal. 

Sempre morei só e gosto do silêncio mas, longe de ser uma eremita, gosto de estar na rua, no meio de gente, de ir a praia e ficar sentada lendo por longas horas, de mergulhar no mar que nesta época do ano tem a água tépida, de conversar com os estranhos que encontro por acaso na praía, no café ou no cinema.

Mas tudo agora parece muito distante e, maravilhoso porque inalcansável: a praia, o café, o cinema. Como todo o mundo, em todo o planeta, estou presa em casa cumprindo a quarentena determinada pela Organização Mundial da Saúde desde que surgiu o COVID-19, que já matou muita gente no hemisfério norte e neste momento chega ao sul do Equador.

A unica forma de combate-lo, dizem, é fazendo o Isolamento Social e aqui em Florianópolis podemos, no máximo, ir at
é ao supermercado e a farmácia. O que é muito desesperador, mais ainda porque não sabemos por quanto tempo se extenderá... poderá ser por mais 10 dias ou um mes ou mesmo dois meses. 

O ano 2020 já começou meio atravessado: nos 60 dias que passei no Rio de Janeiro, 50 foram de chuva. Tambem não encontrei o apartamento para alugar que queria e acabei criando um plano B para este ano: viajaria para o Egito, Israel e Jordânia - fantástico! Só que também não deu certo e teve que ser abortado por causa da pandemia. Como todo mundo gsotaria de saber quando teremos nossas vidas de volta? 

Outro dia assistia ao Globo News quando soube que o passageiro canadense com Coronavírus, que chegou num transatlântico no Porto de Pernambuco, morreu tive vontade de chorar, pois a tragédia anunciada diariamente pela mídia, estava sendo confirmada.


A expectativa pelas mortes que estão ocorrendo na Itália, Espanha e USA e que chegará também por aqui é muito dolorosa. Tenho medo de ser infectada, de que meus projetos para o ano, ora suspensos, não se concretizem nunca, que venha a ser atingida pela débâcle econômica que, inevitavelmente, ocorrerá.

Para fugir a depressão, mas também porque sou obrigada pelas circunstâncias, tenho limpado a casa e começei a fazer ginástica, não sem alguma relutância pois são duas coisas que detesto fazer. 
Mas, mesmo com tanto tempo disponível, não estou conseguido ler tanto quanto planejei. Baixei no meu iPhone dois novos livros (sim, sou moderna e leio on-line), um do W. Faulkner e outro de um autor sueco, que fala sobre a história medieval do país mas ainda não começei a ler nehum deles porque ainda estou terminando a leitura do livro do escritor cubano Leonardo Padura sobre a morte de Trotsky. 


Como muitos, fico ligada na GloboNews tentando me manter atualizada sobre a progressão do vírus e como me proteger dele. 
E, o que é muito chato, tenho que ficar apagando os textos sobre o Covid que os amigos encaminham, embora eu peça para não mandarem nada que não seja pessoal. E algumas mensagens são catastrofistas e outras, muito otimistas, dizendo que o mundo vai mudar para melhor depois desta grande tragédia. Acho uma posição um tanto romântica, mesmo que necessárias,  porém não creio que teremos mudanças muito profundas no futuro. Há, na verdade, é o risco de um aumento do conservadorismo. 

Além do Coronavírus também estamos sofrendo com o Bolsovírus. 
Bolsonaro, o presidente, vem tentando sabotar o programa de contenção da pandemia, numa tal insensibilidade para as questões humanitárias e as mortes que começam a ocorrer no país, como nunca se viu em nenhum outro lugar do mundo, pelo receio de que uma recessão venha a atrapalhe sua reeleiçao.

Se bem que na India é muito pior, o mandatário manda dar chibatadas em quem sai à rua e o das Filipinas autorizou a polícia a atirar para matar caso aja algum tumulto. Ou seja, tem gente mais louca ainda.
Mas, voltando ao nosso presidente, ele não disse nenhuma palavra de solidariedade às famílias enlutadas e, embora fale que sua maior preocupação é com a economia, se omite quando precisa agir para ajudar aos mais carentes. 
Suspeito que torce para o país ir à bancarrota e assim, justificar um golpe – que é seu grande objetivo desde que assumiu: fechar o congresso e governar com controle total das instituições.

Não por acaso o The Economist chamou nosso presidente de Bolsonero, fazendo alusão ao imperador que incendiou Roma. Não somente ele diz que o presidente vem apostando no caos, como todos os demais jornais da Europa também tem feito fortes críticas ao governo. 
O problema é o presidente contar com o apoio dos militares que encontram nele um defensor de bandeiras que são caras às Forças Armadas: como a Defesa da Amazonia, o discurso a favor do Golpe de 64 e o Combate ao Comunismo. 

O brasil hoje enfrenta não uma, mas três doenças simultâneas: a Covid-19, a praga dos que apoiam o governo mesmo nas suas decisões mais insanas e o surto dos que querem que o presidente caia na base do panelaço ainda que ao custo do caos. Quero sim, que saia, mas que tenha a chapa cassada pelo STE pois só assim, sai também o vice e não coloca o congresso na situação de
ter que votar seu empeachement. 
Bom, creio que é hora de sair da sacada e voltar para a frente da TV, a minha janela virtual....a espera por melhores notícias.

"A pandemia mostra sua cara mais trágica em relação direta com a má qualidade da governança." Sérgio Abranches 














sábado, 29 de fevereiro de 2020

BOLSOVÍRUS


Segundo a jornalista Ruth de Aquino, anda pelo ar um outro vírus que não é o Coronavírus, mas é de igual gravidade e tem como foco o palácio do planalto – é o BOLSOVÍRUS – que vem sendo propagado principalmente através das redes sociais.
Os sintomas, facilmente identificáveis, são a ignorância, a truculência, o apelo para piadas sexuais e gestos indecorosos. Os portadores do vírus passam também a fazer sinal de arma com a mão ou a mandar uma banana.
Ele é disseminado através de fake news e manisfesta-se através de infâmias, de atitudes hostis e insultos às mulheres.
As pessoas que adquirem o vírus passam a ver Goebbels como um herói, enquanto que outros trocam os ss por c e fingem ser Gene Kelly. Também alguns, já em estado adiantado, dizem que a terra é plana. 
O ideal seria mantê-los confinados em quarentena até as próximas eleições mas como talvez não seja possível, aconselhamos a você, se encontrar algum portador do bolsovírus que procure manter distância.