V - O RIO É RETRÔ
Só no Rio existe piso de taco e com sinteco. Juro, lá a maioria dos apartamentos na zona sul são de taco com sinteco. Taco é lindo, mas com sinteco brilhante é muito brega!
Quando estava na faculdade, e já faz mais de 50 anos, no meu predio existia um local junto as escadas, onde vc colocava o lixo, era uma abertura que levava o lixo por poço de luz até o térreo. E o lixo ficava ali juntando barata até que foi proibido pela prefeitura e desde então não há mais estas lixeiras aqui no sul. Assim como não se vê baratas pelas ruas, e rato... então, só mesmo no Rio de Janeiro.
Somente lá os prédios tem o apartamento do zelador, o que não é mal. O problema são os predios, que são pequenos, velhos e acanhados, o que torna a experiência de morar no Rio diferente do sul moderno.
IV - EMPATIA
Depois de um longo tempo, de muitas viagens, primeiro para a Europa e depois para o Rio de Janeiro, volto para a esta telinha. Começo com a questão suscitada pela pergunta: como será o amanhâ pós pandemia para falar sobre a falta de empatia do brasileiro para com aqueles que não lhe são próximos.
Transcrevo abaixo texto que escrevi em 23 de fevereiro de 2014 aqui neste blog:
Cordialidade, hospitalidade, generosidade – qualidades tão elogiadas por estrangeiros – representam, com efeito, um traço do caráter brasileiro mas seria engano supor que estas virtudes possam significar “Boas maneiras”, civilidade. Elas são, antes de tudo, expressão de um fundo emotivo rico e transbordante, como observa Sergio Buarque, em Raízes do Brasil.
Sergio Buarque usa o termo cordial que vem de “cuore” – coração, em latim – para dizer que o brasileiro tudo faz em nome do coração, de interesses particulares. Não existe a idéia de comunidade, o compromisso é antes de tudo com a família, o que esta na origem não só da falta de polidez como do comportamento corrupto (tudo é justificado desde que seja para beneficiar os parentes, o emprego público para o genro, o dinheiro desviado para deixar todos “bem”, etc.). Assim, o político, formado dentro destes valores não compreende a distinção entre o privado e o público, dando origem ao comportamento patrimonialista.
O problema esta, portanto, na família patriarcal (ainda hoje predominante) que educa seus filhos dentro de valores estritamente doméstico, fazendo com que o brasileiro tenha aversão ao ritualismo social, goste da intimidade e esteja sempre procurando abolir as barreiras. O brasileiro gaba-se de ser caloroso, mas confunde falta de polidez com expansividade, pois esta exige respeito a rituais e hierarquias, onde a lei geral suplanta a lei particular.
Sergio Buarque usa o termo cordial que vem de “cuore” – coração, em latim – para dizer que o brasileiro tudo faz em nome do coração, de interesses particulares. Não existe a idéia de comunidade, o compromisso é antes de tudo com a família, o que esta na origem não só da falta de polidez como do comportamento corrupto (tudo é justificado desde que seja para beneficiar os parentes, o emprego público para o genro, o dinheiro desviado para deixar todos “bem”, etc.). Assim, o político, formado dentro destes valores não compreende a distinção entre o privado e o público, dando origem ao comportamento patrimonialista.
O problema esta, portanto, na família patriarcal (ainda hoje predominante) que educa seus filhos dentro de valores estritamente doméstico, fazendo com que o brasileiro tenha aversão ao ritualismo social, goste da intimidade e esteja sempre procurando abolir as barreiras. O brasileiro gaba-se de ser caloroso, mas confunde falta de polidez com expansividade, pois esta exige respeito a rituais e hierarquias, onde a lei geral suplanta a lei particular.
Somos também um país com escassa formação intelectual. O Brasil foi um dos últimos países da America do Sul a ter uma imprensa e livros eram proibidos até a vinda de D.João VI para o país. Foi também um dos últimos a ter uma universidade e até hoje não damos muito valor a cultura - para a maioria da população ela é mais um sinonimo de esnobismo do que uma qualidade.
O numero de pessoas que lê jornais e mesmo que já leram algum clássico ou que conhece música erudita é muito pequeno. Raros são os que já visitaram um museu, mesmo porque existem poucos ou que já foram a um teatro.
Tudo isto tem um preço. Explica a incapacidade que a maioria tem de refletir de maneira mais profunda sobre a sociedade, olhar para as pessoas que estão fora da sua bolha (para susar um termo da moda) a ter um comportamento menos individualista, falta empatia. comportamento individualista. III - EM NOME DO PAI (maio 2020)
Quando tudo isto terminar vou sentar no François, minha cafeteria preferida em Floripa, vou pedir um croque madame e um crème brûlée antes de ir para o Cine Paradigma, ao lado, assistir um bom filme francês ou mesmo algum iraniano.
Caso tenha feito sol, durante o dia, terei ido à praia, lido meus jornais que trarão noticias de um mundo que volta ao normal depois da descoberta a cura do Covid-19. Como será inverno não terei entrado na água, que já não estará tão tépida mas muito fria e ficarei somente sentada lendo os jornais, tendo ao fundo o som das ondas do mar de Jurerê Internacional.
Sonho com o dia em que tudo isto volte a ser o cotidiano embora, desconfio, está um pouco distante e ainda viveremos muitos momentos de pura angustia.
Além do Coronavírus estamos também enfrentando o Bolsovírus, trazido por um presidente que tem um projeto caipira de ditador, que vem incentivando as pessoas à sairem às rua, colaborando para o aumento do numero de mortes, quando já contamos com mais de 65mil em todo o país.
O jornalista Merval Pereira diz que Bolsonaro é louco. Ruth de Aquino, outra jornalista do Globo, dicorda e chama o presidente de psicopata enquanto que Ascânio Pereira acha que não é nem uma coisa nem outra, que não é insano mas sim um perverso.
Ascânio cita Freud e os Tres Ensaios sobre a Teoria da sexualidade, de 1905 onde este diz que o perverso mantém na vida adulta uma sexualidade infantil, edipiana. Daí o porque da fixação do presidente em temas machistas e homofóbicas, em Golden Shower, etc.
Quanto a mim, desde que assisti ao filme O Ovo da Serpente do Igmar Bergman descobri que ele é nazista, identificando nele os mesmos métodos de ação. Em Arquitetura da Destruição, Bergman mostra que está por tráz da ideologia nazista e como o povo foi sendo convencido a apoia-lo.
Mas, talvez o mais correto seria chama-lo de fascista. Umberto Eco em O Facismo Eterno faz uma distinção entre o nazismo e o fascismo. Diz que o nazismo é sempre um só, que é anticristão e neo-pagão, da mesma forma que Stalin era claramente materialista e ateu; ambos subordinavam qualquer ato individual ao estado e a sua ideologia eram, assim, regimes totalitários.
Enquanto que o fascismo não é uma ideologia monolítica mas antes uma colagem de diversas ideias políticas e filosóficas - um alveário de contradições - e transformou-se em uma denominação para os mais diversos movimentos totalitários, podendo-se reunir igreja, exercito e milícias no mesmo pacote, como vemos no Brasil.
UE faz uma lista das características típicas daquilo que chama de Ur-facismo ou facismo eterno, que cito abaixo:
- Culto da tradição.
- Recusa da modernidade. O iluminismo e a idade da razão são vistos como o início da depravação da modernidade (vide o chanceler Ernesto Araújo e seu terraplanismo).
- Acusação à cultura moderna de abandono dos valores tradicionais. Pensar é uma forma de castração e a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas. "As universidades são um ninho de comunistas"
- Negação da ciência. Na cultura moderna a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço do conhecimento. Para o fascismo o descordo é traição. Não pode, assim, existir avanço do saber.
- Medo da diferença. É portanto racista por definição.
- Apelo às classes médias frustradas, temorosas da perda dos seus previlégios por pressão do lumpesinato. É a pequena burguesia necessitando de reconhecimento social.
- Nacionalismo excerbado como busca de uma identidade. Os unicos que podem fornecer uma identidade às naçoes são os inimigos. Assim, esta na raiz do Ur-fascismo a obsessão da conspiração. Dos comunistas, para Olavo de Carvalho e seus seguidores.
- O pacifismo é conluio com o inimigo, o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente.
- O eletismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacinária, enquanto fundamentalmente aristocrática e militarista que implica o desprezo pelos fracos. Os membros do partido são os melhores cidadões e a força do líder se baseia na debilidade das massas, tão fracas que tem necessidade de um "dominador". O grupo é organizados hierarquicamente segundo o modelo militar. O lider despreza seus subordinados que por sua vez despreza seus subalternos.
- Cada um é educado para ser um herói. Culto que é ligado ao culto da morte. Entre os falangistas o lema era: "!Viva la muerte!" É a recompensa por uma vida heróica.
- O fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais, que esta na origem do seu machismo (desdém pelas mulheres e uma condenação de hábitos sexuais não conformistas, da castidade à homosexualidade). Seus jogos de guerra se devem a uma invidia penis permanente.
- Para o ur-fascismo os indivíduos não tem direitos e o "povo" é concebido como uma entidade monolítica que exprime "a vontade comum" e o líder é o seu intérprete que deve opor-se aos governos parlamentares. Colocam em dúvida a legitimidade do Parlamento, dizendo que não representa o povo.
- Os textos escolares devem se basear em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico. É o que UE chama de novalíngua, inventado por Orwell em 1984.
II - NOVOS TEMPOS (abril 2020)
Hoje volto para a minha sacada aproveitando que os dias continuam lindos, o céu sempre azul constratando com o clima nebuloso desta pandemia.
"Eles passarão, eu passarinho" disse o poeta Mario Quintana. Mas quando, pergunto eu? E como será, penso angustiada tentando imaginar o pós-coronavírus.
Resumo abaixo a opinião de alguns intelectuais, jornalistas, filósofos e cientistas sociais. Começo com Fernando Gabeira que fala de certo otimismo exagerado, do gênero "o coronavírus veio para mudar o mundo para melhor". Diz que o vírus veio para nos destruir e devastar a economia, que essa é a verdade. Que ele (o vírus) não é revolucionário e tudo vai depender de nossas escolhas daqui para a frente. Concordo com ele que pensar que tudo vai mudar magicamente é muito romantismo e dependerá de um esforço conjunto.
O sociólogo francês Maffesoli defende uma nova cultura onde predominem valores como compartilhamento e comunitarismo. Sem dúvida, talvez tenha chegado o momento de pensarmos coletivamente. Mas será que faremos isto? O brasileiro não tem muita empatia por alguém que não seja sua família e seu círculo mais próximo de amigos. Leiam "Raízes do Brasil" de Sergio Buarque de Holanda.
O Brasil tem um dos maiores índices de desigualdade social do planeta e isso ficou evidente na quarentena. Quem tem dinheiro, está sendo obrigado a administrar esse idolamento com tédio. Já os menos favorecidos têm de lidar com a falta de comida e recursos.
Para Zeina Latife não podemos ser tão desiguais, é necessario que emerja uma sociedade mais fraterna e preocupada com todos que nela vivem. A assistencia aos mais frágeis é crucial.
Este vírus está nos obrigando a pensarmos solidariamente porque muita gente que vai morrer de fome e muitos negócios vão falir. Mas, a crise também vai concentrar mais ainda a renda sendo necessário encontrar uma solução que não beneficie somente nossa família porque estamos todos no mesmo barco. Ou, talvez não exatamente no mesmo barco, pois alguns estão em um iate e a grande maioria num bote inflável!
Martha Batalha em um artigo no Globo do dia 19/02/2020 comenta que o brasileiros quando volta de uma viagem ao exterior costuma fazer comentarios do tipo: gente, como é bom andar na rua sem a preocupação de assalto. Já reparou como ninguém joga lixo no chão? O transporte público funciona! Tem até flor nos canteiros da calçada! Primeiro mundo é outra coisa, concluem. Mas não se dão conta que não é a riqueza o que estão cobiçando mas a menor diferença de classe.
Também chama a atenção para um outro comportamento do brasileiro: o do ministro que disse que disse que com o dólar baixo até empregada doméstica estava indo para a Disney. E, eu lembro aqui da namorada de um amigo de Curitiba (a própria curitiboca) que mostrou-se incomodada porque a empregada passou no vestibular. Imaginem a ameaça que é para os privilégios da classe media alta a empregada na Disney ou frequentando faculdade, quando parte do prazer está na conciência de que só uma minoria pode ter acesso a eles. E onde isso vai parar, com patroa e empregada com vidas semelhantes?
O filósofo Fernando Schüler escreveu que "a eliminação da miséria é o desafio ético do nosso tempo" e conclui: "É esta a nossa fronteira civilizatória, assim como foi, no século XIX, o fim da escravidão"
Ao perpetuar esta maldição brasileira - a concentração de renda - compromete-se a própria qualidade de vida e mesmo um milionário de um grande centro urbano do Brasil não consegue desfrutar dos simples prazeres de uma classe média de um país mais justo, como andar na rua a qualquer hora e sem medo, não ter que conviver com uma população maltratada e infeliz, nem ouvir aquela história horrível de assalto e morte.
Mas essa paz tem preço. O preço é aceitar que cidadania não é privilégio. Para tanto é necessario uma transformação no próprio tecido social: com empresas mais solidárias, uma classe política mais madura e aberta ao diálogo visando a um país menos desigual.
Cristovam Burque diz que há a necessidade de uma reorientação na relação da economia com a sociedade para enfrentar a tragédia da pobreza e isto se faz com serviços públicos eficientes e uma maior presença do Estado.
Necessitaríamos, portanto, de uma economia de guerra para superar a persistência da pobreza e enfrentar as outras epidemias que também nos contaminam há séculos: 100 milhões de pessoas sem tratamento de esgoto, 35 mi sem água, 70 mi sem educação de base, 13 mi de desempregados, milhares com dengue, malária, sarampo.
Celso Athyde, o fundador da Central Unica das Favelas diz que são 13,5 mi pessoas que moram em favelas no Brasil. É gente que não pode parar, que antes do Coronavírus era invisível mas que é a base da pirâmide de serviços essenciais sem a qual o resto do país em quarentena entra em colapso.
O governo promete ajuda à 51,4 mi, numero corrigido para 70mi, ou 40% da força de trabalho nacional em idade adulta que vive na informalidade mas até agora só conseguiu atender a 5mi devido as dificuldes impostas pela burocracia.
Mas a pobreza não se erradica com transferência de renda. O que elimina a pobreza é fazer com que tenham acesso aos bens e serviços essenciais para uma vida digna: educação de qualidade, água e esgoto, serviço de saúde eficiente, transporte urbano de qualidade e uma renda mínima.
Lembram do ex-senador petista Eduardo Suplicy? Pois ele conseguiu aprovar seu projeto de renda mínima mas o Congresso nunca regulamentou.
Também após esta pandemia os países deverão passar a colaborar mais no campo da ciência e a destinar mais recursos para este fim. As pessoas cada vez mais deverão se pautar na ciência para tomar decisões, exceto aquelas que preferirem continuar presas à escuridão da ignorância.
Termino com o samba enredo da União da Ilha do Governador, só trocaria o ultimo verso "Como Deus quiser" para "Como nós quisermos".
"Como será o amanhã?/Responda quem puder/O que irá me acontecer?/O meu destino será/Como nós quisermos"
I - SOBRE JANELAS E SACADAS (março 2020)
Janela e sacadas são o novo símbolo desta quarentena. Na Italia a população vai para as janelas e canta Bella Ciao, canção símbolo da resistencia italiana; na França vão para as sacada fazer ginástica e acho dificil não ficar emocionada com essas belas imagens.
Porém minha sacada não me permite ver os vizinhos, não dá para a rua e vejo somente alguns predios ao longe e algumas árvores atrás da pequena praça do condomínio onde os moradores costumavam levar os cachorros para passear (que chamam aqui de pet place). Nestes dias tem estado vazia e não ouço mais os constantes latidos quando, então, costumava debruçar-me na sacada para conversar com os donos dos cachorros.
Mas hoje só ouço alguns sons ao redor, o do vizinho do andar acima falando com a mulher ou o do apartamenteo ao lado, que bate panela quando tem alguma manifestação contra o presidente.
Quando cruzo com moradores na recepção ou na porta do elevador cumprimento-os mas pouco nos falamos. A recomendação é para que se evite muito contato e só entrar no elevador se ele estiver vazio. Sem falar com ninguem e sem poder sair de casa, tenho ficado na sacada escrevendo e aproveitando os dias de sol e céu sempre azul, com sua bela luz outonal.
Sempre morei só e gosto do silêncio mas, longe de ser uma eremita, gosto de estar na rua, no meio de gente, de ir a praia e ficar sentada lendo por longas horas, de mergulhar no mar que nesta época do ano tem a água tépida, de conversar com os estranhos que encontro por acaso na praía, no café ou no cinema.
Mas tudo agora parece muito distante e, maravilhoso porque inalcansável: a praia, o café, o cinema. Como todo o mundo, em todo o planeta, estou presa em casa cumprindo a quarentena determinada pela Organização Mundial da Saúde desde que surgiu o COVID-19, que já matou muita gente no hemisfério norte e neste momento chega ao sul do Equador.
A unica forma de combate-lo, dizem, é fazendo o Isolamento Social e aqui em Florianópolis podemos, no máximo, ir até ao supermercado e a farmácia. O que é muito desesperador, mais ainda porque não sabemos por quanto tempo se extenderá... poderá ser por mais 10 dias ou um mes ou mesmo dois meses.
O ano 2020 já começou meio atravessado: nos 60 dias que passei no Rio de Janeiro, 50 foram de chuva. Tambem não encontrei o apartamento para alugar que queria e acabei criando um plano B para este ano: viajaria para o Egito, Israel e Jordânia - fantástico! Só que também não deu certo e teve que ser abortado por causa da pandemia. Como todo mundo gsotaria de saber quando teremos nossas vidas de volta?
Outro dia assistia ao Globo News quando soube que o passageiro canadense com Coronavírus, que chegou num transatlântico no Porto de Pernambuco, morreu tive vontade de chorar, pois a tragédia anunciada diariamente pela mídia, estava sendo confirmada.
A expectativa pelas mortes que estão ocorrendo na Itália, Espanha e USA e que chegará também por aqui é muito dolorosa. Tenho medo de ser infectada, de que meus projetos para o ano, ora suspensos, não se concretizem nunca, que venha a ser atingida pela débâcle econômica que, inevitavelmente, ocorrerá.
Para fugir a depressão, mas também porque sou obrigada pelas circunstâncias, tenho limpado a casa e começei a fazer ginástica, não sem alguma relutância pois são duas coisas que detesto fazer.
Mas, mesmo com tanto tempo disponível, não estou conseguido ler tanto quanto planejei. Baixei no meu iPhone dois novos livros (sim, sou moderna e leio on-line), um do W. Faulkner e outro de um autor sueco, que fala sobre a história medieval do país mas ainda não começei a ler nehum deles porque ainda estou terminando a leitura do livro do escritor cubano Leonardo Padura sobre a morte de Trotsky.
Como muitos, fico ligada na GloboNews tentando me manter atualizada sobre a progressão do vírus e como me proteger dele.
E, o que é muito chato, tenho que ficar apagando os textos sobre o Covid que os amigos encaminham, embora eu peça para não mandarem nada que não seja pessoal. E algumas mensagens são catastrofistas e outras, muito otimistas, dizendo que o mundo vai mudar para melhor depois desta grande tragédia. Acho uma posição um tanto romântica, mesmo que necessárias, porém não creio que teremos mudanças muito profundas no futuro. Há, na verdade, é o risco de um aumento do conservadorismo.
Além do Coronavírus também estamos sofrendo com o Bolsovírus.
E, o que é muito chato, tenho que ficar apagando os textos sobre o Covid que os amigos encaminham, embora eu peça para não mandarem nada que não seja pessoal. E algumas mensagens são catastrofistas e outras, muito otimistas, dizendo que o mundo vai mudar para melhor depois desta grande tragédia. Acho uma posição um tanto romântica, mesmo que necessárias, porém não creio que teremos mudanças muito profundas no futuro. Há, na verdade, é o risco de um aumento do conservadorismo.
Além do Coronavírus também estamos sofrendo com o Bolsovírus.
Bolsonaro, o presidente, vem tentando sabotar o programa de contenção da pandemia, numa tal insensibilidade para as questões humanitárias e as mortes que começam a ocorrer no país, como nunca se viu em nenhum outro lugar do mundo, pelo receio de que uma recessão venha a atrapalhe sua reeleiçao.
Se bem que na India é muito pior, o mandatário manda dar chibatadas em quem sai à rua e o das Filipinas autorizou a polícia a atirar para matar caso aja algum tumulto. Ou seja, tem gente mais louca ainda.
Mas, voltando ao nosso presidente, ele não disse nenhuma palavra de solidariedade às famílias enlutadas e, embora fale que sua maior preocupação é com a economia, se omite quando precisa agir para ajudar aos mais carentes.
Suspeito que torce para o país ir à bancarrota e assim, justificar um golpe – que é seu grande objetivo desde que assumiu: fechar o congresso e governar com controle total das instituições.
Não por acaso o The Economist chamou nosso presidente de Bolsonero, fazendo alusão ao imperador que incendiou Roma. Não somente ele diz que o presidente vem apostando no caos, como todos os demais jornais da Europa também tem feito fortes críticas ao governo.
O problema é o presidente contar com o apoio dos militares que encontram nele um defensor de bandeiras que são caras às Forças Armadas: como a Defesa da Amazonia, o discurso a favor do Golpe de 64 e o Combate ao Comunismo.
O brasil hoje enfrenta não uma, mas três doenças simultâneas: a Covid-19, a praga dos que apoiam o governo mesmo nas suas decisões mais insanas e o surto dos que querem que o presidente caia na base do panelaço ainda que ao custo do caos. Quero sim, que saia, mas que tenha a chapa cassada pelo STE pois só assim, sai também o vice e não coloca o congresso na situação de
ter que votar seu empeachement.
Bom, creio que é hora de sair da sacada e voltar para a frente da TV, a minha janela virtual....a espera por melhores notícias.
"A pandemia mostra sua cara mais trágica em relação direta com a má qualidade da governança." Sérgio Abranches
Se bem que na India é muito pior, o mandatário manda dar chibatadas em quem sai à rua e o das Filipinas autorizou a polícia a atirar para matar caso aja algum tumulto. Ou seja, tem gente mais louca ainda.
Mas, voltando ao nosso presidente, ele não disse nenhuma palavra de solidariedade às famílias enlutadas e, embora fale que sua maior preocupação é com a economia, se omite quando precisa agir para ajudar aos mais carentes.
Suspeito que torce para o país ir à bancarrota e assim, justificar um golpe – que é seu grande objetivo desde que assumiu: fechar o congresso e governar com controle total das instituições.
Não por acaso o The Economist chamou nosso presidente de Bolsonero, fazendo alusão ao imperador que incendiou Roma. Não somente ele diz que o presidente vem apostando no caos, como todos os demais jornais da Europa também tem feito fortes críticas ao governo.
O problema é o presidente contar com o apoio dos militares que encontram nele um defensor de bandeiras que são caras às Forças Armadas: como a Defesa da Amazonia, o discurso a favor do Golpe de 64 e o Combate ao Comunismo.
O brasil hoje enfrenta não uma, mas três doenças simultâneas: a Covid-19, a praga dos que apoiam o governo mesmo nas suas decisões mais insanas e o surto dos que querem que o presidente caia na base do panelaço ainda que ao custo do caos. Quero sim, que saia, mas que tenha a chapa cassada pelo STE pois só assim, sai também o vice e não coloca o congresso na situação de
ter que votar seu empeachement.
Bom, creio que é hora de sair da sacada e voltar para a frente da TV, a minha janela virtual....a espera por melhores notícias.
"A pandemia mostra sua cara mais trágica em relação direta com a má qualidade da governança." Sérgio Abranches

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