Complexo de vira-lata. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Nelson
Rodrigues
O
jornal O Globo deste domingo (23/09/18) mostrou que
a violência nos estados de Sergipe, Rio Grande do Norte, Amapá, Acre, Pará,
Pernambuco, Ceará, Roraima, etc é maior do que no Rio de Janeiro. Que, Sergipe, com
64,7 crimes por 100 mil habitantes está em primeiro lugar, enquanto que o RJ,
com 36,4 está em 18º lugar nas estatísticas sobre a
violência.
A média
no Brasil, que era de 29,4 em 2002 passou para 30,03 em 2016 - um pouco acima da média mundial, que é de 30 mortes por 100 mil habitantes - significando que não vem
aumentado, como querem muitos. E, se
olharmos o Brasil dentro do panorama latino-americano, veremos que na sua
frente estão Venezuela, Honduras, Guatemala e México com índices bem mais altos.
Mas, estes dados são ignorados pela população que prefere acreditar que vivemos em uma "guerra", que aqui morre mais gente do que na Síria, etc, etc. - violência é o assunto preferido dos brasileiros. Quando falei que viria para o Rio, ouvi que era loucura, que estava arriscando a receber uma bala perdida.
No entanto, o que encontrei, surpreendentemente, foi um baile em uma praça quando saia do teatro Adolfo Block à noite e seguia em direção ao metrô da Gloria.
Como evitava circular em áreas conflagradas e, no centro não dava "ares" de turista, nada vi que me deixasse preocupada, alem dos muitos moradores de rua. Percebi, isto sim, que havia um grande aumento destes.
E, o "Clima" de relativa tranquilidade que vivi estes dias só foi quebrado por um vídeo sobre a violência no RJ (!!) que recebi pelo whatsApp de uma amiga que mora no interior de SC e, que há muito tempo não vem ao RJ e toda informações que dispõe sobre a violência na cidade vem da imprensa e redes sociais.
E era de extremo mau gosto (parecia uma mensagem terrorista), confesso que fiquei só na apresentação inicial - que já me causou arrepios - e deletei-o imediatamente.
Porem, fiquei me perguntando o que há por traz deste comportamento, que gozo existe por traz desta obsessão pela violência que gera uma espécie de neurose coletiva. Não podemos esquecer que a disseminação do sentimento de medo é também uma arma política.
Mas, estes dados são ignorados pela população que prefere acreditar que vivemos em uma "guerra", que aqui morre mais gente do que na Síria, etc, etc. - violência é o assunto preferido dos brasileiros. Quando falei que viria para o Rio, ouvi que era loucura, que estava arriscando a receber uma bala perdida.
No entanto, o que encontrei, surpreendentemente, foi um baile em uma praça quando saia do teatro Adolfo Block à noite e seguia em direção ao metrô da Gloria.
Como evitava circular em áreas conflagradas e, no centro não dava "ares" de turista, nada vi que me deixasse preocupada, alem dos muitos moradores de rua. Percebi, isto sim, que havia um grande aumento destes.
E, o "Clima" de relativa tranquilidade que vivi estes dias só foi quebrado por um vídeo sobre a violência no RJ (!!) que recebi pelo whatsApp de uma amiga que mora no interior de SC e, que há muito tempo não vem ao RJ e toda informações que dispõe sobre a violência na cidade vem da imprensa e redes sociais.
E era de extremo mau gosto (parecia uma mensagem terrorista), confesso que fiquei só na apresentação inicial - que já me causou arrepios - e deletei-o imediatamente.
Porem, fiquei me perguntando o que há por traz deste comportamento, que gozo existe por traz desta obsessão pela violência que gera uma espécie de neurose coletiva. Não podemos esquecer que a disseminação do sentimento de medo é também uma arma política.
Penso, no entanto, que a violência começa no duro cotidiano da maioria da população, que depende de um transporte coletivo de péssima qualidade, de serviços públicos ineficientes, de cidades sem áreas de lazer e da falta de acesso à bens culturais (a maioria jamais entrou em um teatro
ou museu). De vidas que giram só em torno do trabalho, da casa e da família e, a relação com o resto do mundo é feita unicamente através da televisão e
das redes sociais, que exploram - a exaustão, afim de manter a audiência - o tema da violência.
Assim, existe uma violência que não é só a provocada por bandidos mas, também, de maneira subliminar, pelo próprio Estado quando este deixa de oferecer condições de vida dignas para a maioria dos seus cidadãos.
Assim, existe uma violência que não é só a provocada por bandidos mas, também, de maneira subliminar, pelo próprio Estado quando este deixa de oferecer condições de vida dignas para a maioria dos seus cidadãos.
Mas, embora os mais vulneráveis e os que mais sofrem com todo tipo de violência - a do Estado e a dos bandidos - estejam na classe pobre, quem mais se queixa dela são aqueles que estão na classe média e a alta, num processo, chamado por Freud, de
“denegação” – quando há uma inversão e aquele que esta no lado oposto se coloca no lugar da vítima.
brasileiro, ao colocar o pais como muito violento, também denigre sua imagem mundo à fora. Ouço com frequência europeus dizerem que nunca viriam ao Brasil
porque há tiroteios por toda parte. Tenho sempre que explicar que não é bem assim, que tem como tem em toda parte do mundo,
mas que não é sistêmica, que ela é pontual e basta não circular por lugares conflagrados, como
favelas, que não correrão perigo.
Estava em Lisboa, começo do ano, quando vi na TV a notícia que naquele mês eles já tinham registrados 15 assaltos à taxistas. Na volta à Florianópolis perguntei ao motorista que me levou para casa, se vinham sofrendo muitos assaltos ouvindo deste que ultimamente eram muito raros, que ocorriam com mais frequência em Palhoça, um município da Grande Florianópolis, com índice de violência maior que na ilha.
Estava em Lisboa, começo do ano, quando vi na TV a notícia que naquele mês eles já tinham registrados 15 assaltos à taxistas. Na volta à Florianópolis perguntei ao motorista que me levou para casa, se vinham sofrendo muitos assaltos ouvindo deste que ultimamente eram muito raros, que ocorriam com mais frequência em Palhoça, um município da Grande Florianópolis, com índice de violência maior que na ilha.
Ainda, em Portugal também ouvi pela TV, a presidente de um congresso das Nações Unidas para
a Saúde nos Países Lusófonos comparar a saúde pública de países como
Costa-do-Marfim e Nigéria com a do Brasil. Quando, neste países os índices de
mortalidade infantil são de 57,2 e 71,2 por 1 mil nascimentos, respectivamente.
Enquanto que no Brasil está em 14,9, portanto são realidades muito distantes.
Mas esta é a imagem que o país "vende" no exterior e hoje não dizem mais que temos cobras
nas ruas mas, sim, que morremos vítimas da violência e da pobreza.
E, é
neste clima de vitimização da população que surgem os “salvadores da pátria”
como o candidato da extrema direita que promete acabar com a violência na base
do “prendo e arrebento”. Candidato as eleições presidenciais, o “xerifão”
Bolsonaro defende um estado forte, de cunho totalitário que, certamente, levará o país a
uma nova ditadura e ao caos. Quando, então, poderemos chegar aos índices de pobreza e violência da Venezuela.

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