terça-feira, 27 de setembro de 2016

HERANÇA MALDITA

Assistia, noite passada, uma reportagem sobre os aposentados, quando lembrei da mãe de uma amiga que mal consegue sobreviver com o que recebe como pensionista do Estado, e vê-se impedida de reformar a casa onde mora ou mesmo, fazer uma viagem.
Gosto muito desta senhora e fico muito preocupada, principalmente com sua casa, que está em péssimas condições.
Minha amiga também concorda, porém, nada pode fazer, porque o que ganha só lhe permite sustentar os 2 filhos. Eventualmente, leva-a ao médico e ao supermercado, procurando ajudá-la quando pode.
Voltando a reportagem, esta falava que o sistema previdenciário público da Inglaterra também não paga muito aos aposentados porém, lá as pessoas procuram fazer um bom patrimônio para, na velhice, desfazer-se dele para poder viajar ou, mesmo para pagar uma boa clínica de repouso.
Comentava isto com uma amiga, inglesa que contou-me que seus pais fizeram exatamente isto mas, completou em tom de lamento: " ...e deixaram-me sem herança”. Observei já que esta já estava bastante abrasileirada, pois o costume aqui é o de “deixar herança para os filhos” mesmo com o sacrifício dos pais. E isto faz parte da cultura latino-americana, não do europeu.
Volto, então a mãe da outra amiga. Ela, com muito trabalho e muito sacrifício havia adquirido dois imóveis e ainda recebera mais um em herança. Como tem tês filhos, doou para cada um dos filhos um imóvel. À minha amiga coube um terreno, onde construiu a casa onde mora; ao outro filho doou o apartamento da praia e, ao outro, a casa onde ela continua morando e que está em péssimo estado.
Porém, se continuasse de posse dos seus bens, esta senhora poderia vende-los e ter hoje uma aposentadoria com muito mais conforto. Se nossa cultura não mandasse que os pais deixem herança para os filhos.
Você talvez já esta pensando porque o filho que recebeu a casa onde ela mora não paga pela reforma da mesma, visto que estaria preservando algo que já é seu? A resposta é que ele está desempregado. Bem, mas ele tem a opção de negociar com uma construtora e trocar do terreno por área construída. Como o terreno permite, poderiam ser construídos dois sobrados, sendo que um ficaria para a mãe e o outro para a construtora. E porque não o faz? Porque não é um melhor negócio PARA ELE. 
Lembro também de um filme argentino, uma deliciosa comédia, onde o protagonista, um empresário falido, quer vender o pequeno apartamento onde reside sozinha, a mãe viúva. Isto para não ter que desfazer-se da bela mansão onde mora com a mulher. Pressionado por esta, resolve pedir a mãe que aceite viver com eles, para que possa assim, vender o apartamento e pagar suas dívidas. Mas esta, ao contrário do que seria esperado, diz que não e inicia-se uma disputa entre mãe e filho que, no final, é vencida pela mãe. O filho acaba largando a mulher ambiciosa e sem escrúpulos, indo morar com a mãe, disposto a levar uma vida sem tanta preocupações materiais. 

MINORIA PRIVILEGIADA

Um país só é democrático quando o acesso à educação, a saúde, transporte e moradia é igual para todos, quando todos têm acesso à serviços públicos de qualidade. Mas não é o que acontece no Brasil, vivemos em um país com uma enorme desigualdade de direitos e nosso Coeficiente de GINI (que mede a diferença de riqueza dentro de um país) só não é maior que o da África do Sul.
Temos, assim, uma maioria pobre e uma minoria privilegiada, da qual fazem parte não só a burguesia rica e o alto empresariado, mas também a elite burocrática – juízes, auditores fiscais, funcionários do Tesouro Nacional, etc. – que constitui o que Raymundo Faoro chama, em “Os Donos do Poder – Formação do Patronato Político” de Estamento Burocrático.
Trazido por D. João VI, ele é herdeiro da administração colonial portuguesa, fundada no sistema patrimonial que deu conteúdo aristocrático e nobreza a toga e aos altos cargos na máquina do governo. Devemos, assim, aos velhos hábitos lusitanos o nosso aparelhamento burocrático.
Faoro diz que "O estamento burocrático impera, rege e governa em nome próprio, multiplicando sem cessar as benesses e os favores a que acredita ter direito".
E, hoje, em meio a uma crise econômica onde muitos vem perdendo emprego e a maioria da população tendo que fazer sacrifícios maiores dos que já faz normalmente, estão a exigir aumento de salário, em total afronta ao demais trabalhadores. O Tesouro Nacional encontra-se em greve por reajuste de salário enquanto tramita na Câmara mais de 100 bilhões para novos aumentos isto que, já foram sancionados mais de 90 bi para o judiciário, o MP e o Legislativo. O presidente da república, enquanto interino e refém do STF, viu-se obrigado a aprovar o reajuste do judiciário, mesmo contra os interesses do país e do, tão necessário, ajuste fiscal, mostrando seu descaso com a maioria dos trabalhadores, que não possuem estabilidade no emprego e não tem a mesma capacidade de mobilização.
E, com menos dinheiro para investir em saúde, escolas e moradias, etc. e o país continuará amargando um dos coeficientes de GINI mais altos do planeta.





domingo, 11 de setembro de 2016

PL 4850

O deputado Eduardo Cunha está com os bens bloqueados, a mulher, ameaçada de ir parar atrás das grades e os amigos, fugindo dele. Ainda assim, tem muita gente indignada com a demora do Congresso em caça-lo. Mas ele já estando morto, só falta "enterrá-lo".  
Existem problemas mais imediatos para o pais resolver, como a aprovação das "10 Medidas contra a Corrupção", a PL 4850, da autoria do Juiz Deltan Dellagnol e não vejo a mesma inquietação com a votação deste projeto, que é de suma importância para acabar ou, ao menos, inibir a corrupção no país. 
Enquanto as atenções da população se voltam para a casacão do deputado Eduardo Cunha, ele e outras "maças podres" do Congresso, estão tentando salvar a própria pele, sabotando a PL 4850. Querem retirar do projeto pontos importantes que inviabilizariam as condenações da Lava Jato.
Também o Supremo Tribunal Federal não vem ajudando muito: acabaram com a Cláusula de Barreira e agora querem o fim da Ficha Limpa quando, o que precisamos é de leis mais severas, que realmente punam os corruptos. A lei atual determina, no máximo 2 anos de prisão para crimes de corrupção, que acabam sendo transformadas em cestas básicas!

Dizem que a culpa é do eleitor que não escolhe bem o candidato, esquecendo que, independe de quem seja, ele não se elegerá sem o famoso caixa dois. O custo de uma campanha esta na estratosfera e 80% dos gastos em uma campanha vão para comprar coligações. 
Como são mais de 300 candidatos só em Florianópolis, quanto mais tempo de TV um candidato tiver, mais chance ele terá - o que não ocorreria se o voto fosse Distrital.
O político, hoje, conta somente com o Fundo Partidário e o financiamento privado embora continue a receber dinheiro "por fora", fazendo acordos espúrios que terá que cumprir após eleito.
Portanto, se o eleitor tem culpa é, antes, por aceitar que as regras do jogo continuem as mesmas e nada fazer para mudar. Assim como, não adianta ficar chutando político morto - é preciso, primeiro de tudo, não deixar que o Congresso sabote "As 10 Medidas Contra a Corrupção” para que, depois de cassados, não consigam fugir da Lava Jato.