Há algum tempo um filme não me impactava tanto, ou melhor, não me fazia chorar tanto - chorei o filme todo. Sim, sou muito chorona. A emoção deve-se também ao fato de que é uma história real, ocorrida em 2008, na Áustria onde um pai mantém a filha encarcerada no porão da sua casa, durante anos. Historia que acompanhei pelos jornais.
Mas, apesar de ser uma história muito chocante ela foi contada com leveza e extrema sensibilidade. A autora do romance-reportagem, Emma Donoghue foi também a roteirista. Daí sua qualidade ser mais literária que cinematográfica. Roteirista e diretor tinham em mãos uma história muito forte mas conseguiram contá-la sem sentimentalismo e, principalmente com muita inteligência. Com certeza deve ter sido um grande desafio.
Ela é contada sob a ótica de uma criança que, no final, já morando com os avós, pede para voltar ao quarto onde ficou trancado até ser libertado aos 5 anos, numa tentativa de entender a diferença entre seu mundo atual e aquele que, na sua cabeça, se resumia o mundo - aquelas 4 paredes.
Quando diz que aquele quarto é menor do que aquele que tinha na memória, acrescenta que a diferença está no fato da porta estar ou não fechada.
A autora consegue, no meio de tanta dor, colocar poesia mostrando como uma simples folha flanando no ar, deixa esta criança tão deslumbrada a ponto de quase esquecer que está ali para pedir ajuda para que ele e a mãe.
Produção Canada e Irlanda do diretor Lenny Abrahamson, de 2010.
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