segunda-feira, 22 de junho de 2015

CARTA AO PSDB

Venho, através desta, solicitar minha desfiliação do Partido da Social Democracia Brasileira pois  a palavra DECEPÇÃO é a que resume melhor o que sinto hoje. Embora tenha resistido a admitir que "nem o PSDB escapa", hoje vejo que a afirmação não é totalmente errada, embora não significa que coloque o partido junto aos corruptos mas, junto aos omissos e à aqueles que confundem estratégia política com oportunismo. Vide as últimas votações no Congresso.

Também é do conhecimento de muitos que as eleições foram fraudadas e, que a presidente tinha 35% dos votos antes da apuração no Acre. E, em vista disto, venho me perguntando porque não foi feita uma investigação para anular o resultado? Até agora não vi explicação alguma.
Também só ouvi até agora evasivas e respostas não muito convincente sobre o motivo pelo qual o PSDB não entrou com um uma ação de Improbidade Administrativa contra a Presidente pelas suas "pedaladas fiscais", mesmo com o parecer favorável de vários jurista. 

Minha decepção é maior ainda depois de ter feito campanha para o senador Aécio Neves; de ter  acreditado no partido, ter sofrido, chorado e, principalmente de ter tido esperança de que finalmente o PSDB voltaria ao poder e o país, ao seu rumo correto. Porém hoje o senador Aécio parece estar mais preocupado em criar factoides como foi sua ida à Venezuela.
E as reformas estruturais e a reforma política. Qual é a posição do PSDB? Ninguém sabe.
Fui Serrista até debaixo d'água, mas depois de 2 campanhas presidenciais desastrosas, comandadas por marqueteiros desisti, perdendo a esperança de que um dia chegará ao Planalto, mesmo considerando que é o mais bem preparado para governar este país.
Fui também fã de FHC e ainda o admiro, mas como teórico, porém como político, ele é ótimo professor universitário. Seus conselhos mais atrapalharam até agora, do que ajudaram.

Hoje só o que vejo é um partido fraco, sem garra, preso a briguinhas paroquiais, sem um projeto de país, sem defender posições claras e lutar por elas. Um desperdício porque conta ainda com as cabeças mais brilhantes deste país.

Como muitos brasileiros meu desejo hoje é ir embora do Brasil pois vejo que a política brasileira está decadente enquanto que a população em geral evoluiu, ficou mais politizada, mais consciente.  Por isto creio que, não somente eu, mas toda a população está muito decepcionada.
Hoje só me resta pedir a desfiliação do Partido que tanto admirei no passado e torcer para que um dia as coisas mudem para melhor, que o Lula não se eleja em 2018 e que o PSDB possa tomar "prumo" e rumo em direção  ao Planalto.

Atenciosamente
Beatriz de Sousa Arruda


P.S. - Acrescento que li no D.C. que o dep. Marcos Vieira foi eleito presidente do partido e fiquei muito feliz com a notícia. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

REFLEXÕES QUE FAÇO A PARTIR DAS MINHAS EXPERIÊNCIAS ALÉM MAR

PARTE 1 - TRISTES TRÓPICOS
Passeava com um amigo peruano pelas ruas de Paris qdo ouvi dele: aqui todos tem cara de feliz. Olhei-o, surpresa com a afirmação - afinal, ouvira a vida toda que os brasileiros são os mais alegres e cordiais do planeta. Como se me tirassem um troféu. 
Na verdade é um mito este do brasileiro cordial, alegre. Ele é mal é humorado, encrenqueiro, assim como é também os portugueses. Os brasileiros tem a desculpa da crise econômica, do trânsito infernal, dos serviços públicos de péssima qualidade, etc. Não é caso dos lusitanos, que vivem em uma cidade super tranquila, organizada, onde tudo funciona bem.
Confundimos nosso temperamento latino, expansivo, com cordialidade, gentileza e educação. Sergio Buarque de Holanda em "Raízes do Brasil" fala que Seria engano supor que essas virtudes possam significar "boas maneiras", civilidade. Nossa forma de convívio social é o contrário da polidez, mas ilude na aparência.

O brasileiro não é sociável, ele interage muito pouco com a cidade e as pessoas e não o faz também porque quase não há espaços públicos para o seu lazer e este se dá quase sempre dentro do seu círculo familiar, do seu ambiente doméstico. O que é também parte da cultura que herdamos dos portugueses, voltada para a casa.
Em viagem pela Europa descobri como a vida (com excessão dos ibéricos) é voltada para a rua, para os espaços públicos. E existem inúmeros locais de lazer: no inverno eles têm as pistas de patinação, as piscinas térmicas, os museus, os salões de dança, etc.; e, no verão tem o ciclismo, os concertos ao ar livre, os pic-nic nos seus parques maravilhosos e bem cuidados - todos  públicos e, portanto, acessíveis a todos.

Buarque diz também  (...) onde predomina ainda a família do tipo patriarcal [Brasil e países
emergentes] tende a ser precária a formação e evolução da sociedade. (...) Âmbitos familiares excessivamente estreitos e exigentes circunscrevem demasiado os horizontes do indivíduo dentro da paisagem domestica (...) havendo necessidade de uma revisão por vezes radical dos interesses,  valores, sentimentos, atitudes e crenças adquiridas no convívio da família. (...). A função da rua é separar o indivíduo da comunidade domestica, a liberta-lo das "virtudes familiares".

E o brasileiro cada vez mais se fecha dentro de muros. O psicanalista Christian Dunker no seu recente livro"Mal-estar, Sofrimento e Sintoma: uma Psicopatologia do Brasil entre Muros" publicado pela Boitempo Editora, unindo teoria social e psicanálise conclui que a privatização do espaço público sob a forma de condomínio, com seus regulamentos, muros, câmeras, portarias,  transforma o sonho de consumo do brasileiro, elevado ao paradigma de forma de vida segura, no imaginário nacional, a uma condominização do sintoma.
Mas o muro só produz monstros com seu objetivo de controle de todo tipo de mal estar, nos
impedindo de reconhecer  a aspiração liberdade presente em toda formação de sintoma.
Vivemos a era da cultura do medo. O sociólogo americano Barry Glasser, em seu livro "Cultura do Medo" diz estamos vivendo em tempos muito mais seguros, de forma geral, do que vivíamos no passado, na maioria dos lugares. (entretanto) O nível de medo do crime em uma população não se assemelha as reais taxas de crime. (...) a maioria das pessoas nunca teve experiência direta com a violência. [a causa esta em que] grupos e indivíduos que promovem o medo e o panico em seu próprio beneficio. Parte da mídia extrai audiência da espetacularização da violência.