quinta-feira, 29 de agosto de 2013
FLORIANOPOLIS PARA PESSOAS
As cidades devem pressionar os urbanistas e os arquitetos a reforçam as áreas de pedestres como uma política urbana integrada para desenvolver cidades vivas, seguras, sustentável e saudáveis.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
OS DOIS LADOS DA MESMA MOEDA: O PRÓDIGO E O AVARENTO
As questões relativas ao dinheiro estão sempre relacionadas a circulação do desejo. No caso do avarento, ele não converte o dinheiro em objetos de desejo, o dinheiro em si é o objeto do seu desejo; enquanto que o pródigo, ao contrário, parece impossibilitado de guardar dinheiro, o dinheiro se converte em objetos e, por sua vez, “desaparece”. O oposto acontece com o avarento que quer transformar tudo em dinheiro.
Mas acumular dinheiro sem outro desejo que o de aumentar sua quantidade é não somente perverter todas as trocas sociais e subtrair dos desejos sua circulação, visto é aquilo que vivifica as relações sociais.
Tanto no caso da avareza e como na prodigalidade, estas questões estão relacionadas às ligações amorosas originárias. O apego ao dinheiro do avarento refere-se a uma recusa ao amor ou a presença de algo que o impossibilita. Enquanto que o perdulário usa o dinheiro para receber amor. Ele não quer adquirir objetos, mas sim amigos - como o faz Timão, o mecenas em “Timão de Atenas”, de Shakespeare. Para a psicanálise, ele possui uma inibição em sua capacidade para amar, e “dá presentes para não precisar oferecer seu próprio ser”. Ele se sente amado pelo que tem e não pelo que é (se eu tiver um apartamento bonito você vai me amar mais). Parece haver uma confusão entre ser e ter nesse tipo de caráter. Para ele, ninguém pode ser amado senão pelo que tem. Ser equivale ao ter.
No caso do avarento há dificuldade em aceitar a troca amorosa entre as pessoas: ele deseja não desejar, é regido pelo princípio da realidade e pela necessidade. O avarento é alguém que teve uma infância afetivamente pobre e o dinheiro que acumula é apenas um símbolo do afeto que precisava e não recebeu. O avarento trata o outro tal como foi tratado em suas origens (é geralmente incapaz de dar alguma coisa, e se e quando o faz, submete o outro a juros extorsivos). Tende a ser sádico com as pessoas próximas e escolhe o autoerotismo como defesa.
A prodigalidade tem fonte semelhante à da avareza. O avarento trata o outro e a si mesmo como foi tratado, o pródigo trata o outro, e a si mesmo, como gostaria de ter sido tratado. De qualquer forma, tanto o perdulário quanto o avarento reproduzem, em eterna repetição, a situação originária que viveram.
A prodigalidade parece ser uma tentativa de apaziguamento de um Outro odiento; supondo que teve pais que o odiaram inconscientemente, o ódio que sente por eles permanece inconsciente e uma formação reativa fará com que este se transforme em altruísmo. Boa parte dessa atividade libidinal está ligada a fantasias inconscientes de agressão e ódio.
O desejo que o avarento sente em acumular dinheiro parece estar relacionado ao controle de uma angústia proveniente de fantasias inconscientes de destruição do ego.
Como Harpagão, o personagem de Moliére em “O Avarento”, ele repete seu passado e, ao invés de fazer algo para mudar, age com os outros de tal forma que leva-os a mesma rejeição que sofreu na infância.
Comparar esse par de opostos mais que nunca mostra como a oposição significa a mesma coisa no inconsciente: ambos estão tomados pela compulsão à repetição, um tenta recusar o desejo, o outro tenta satisfazer todos eles.
Beatriz
(texto retirado da obra “Avareza e Perdularismo” de Fábio Roberto Rodrigues Belo e Lúcio Roberto Marzagão)
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