quarta-feira, 26 de junho de 2013

SOBRE FILMES 1


Esta semana assisti a 3 filmes com a mesma temática: o conflito árabe-israelense, todos excelentes. Gostei, nesta ordem:
"O Sonho de Wadja" (arábia saudita/ Alemanha) é a historia de uma menina que, embora viva em uma sociedade extremamente opressiva, é cheia de vida; mas suas dificuldades aumentam quando resolve comprar um bicicleta pois a religião proíbe as meninas andar de bicicleta. A mãe, que a apoia, tambem é discriminada pela família do marido porque não pode lhe dar um filho homem. Mostra o quão injusta e absurda é a cultura islâmica.
"O Filho do Outro" (França) é também um filme muito bonito. Dois adolescentes, Joseph, criado em uma família judia e Yacine, criado na Palestina descobrem que foram trocados na maternidade e possuem nacionalidades diferentes daquelas que acreditavam ter, o judeu é palestino e o palestino é judeu, cada um é outro. Muito interessante como eles lidam com suas novas identidades e com o choque de valores.
E "Uma garrafa no mar de Gaza" (frança/Israel/Canadá) fala sobre atentados terroristas e como dois jovens: Tal, uma judia que mora em Jerusalém e Naïm, palestino, tentam fugir ao seus destinos. A aproximação entre os dois se dá através de uma garrafa jogada ao mar.
Beatriz

                                                                                                           

segunda-feira, 17 de junho de 2013

PRIMAVERA ÁRABE?

Segundo Nelson Rodrigues, torcedor brasileiro vaia até minuto de silêncio por isto não fiquei muito impressionada com a vaia recebida pela nossa presidente, o mesmo não acontecendo com a notícia das passeatas que vem ocorrendo em diversas capitais do país contra o aumento das passagens de ônibus .Como muita gente, tenho me perguntado se as manifestações tomarão maiores proporções ou se, atendidas as reivindicações os estudantes voltarão as salas de aula e os demais, as suas rotinas.
Em Porto Alegre o governo baixou o preço das passagens e mesmo assim o povo continuou nas ruas e mesmo aqueles que não andam de ônibus tem aderido aos protestos.
O aumento das passagens e os gastos excessivos com as obras da copa parece ser só um pretexto, por trás o que existe mesmo é uma grande insatisfação com o país, com a corrupção, um descrédito com a classe política e, principalmente, uma sensação de que o país não vai bem, que a educação não avança, a saúde continua o caos de sempre e as desigualdades continuam.
Há, portanto, um clima de desconforto que vem sendo manifestado nas redes sociais, que vem repercutindo na sociedade e que poderá tira-la da zona de conforto em que finge viver, levando- a a finalmente dizer " basta".
Se for esta a proposta - exigir mudanças – pretendo estar junto aos manifestantes de Floripa nesta quinta-feira empunhando também meu cartaz, que será: "por reformas políticas já".
Agora, se for uma nova Primavera, que seja uma Primavera Tupiniquim e não árabe, pois estes países acabaram em governos menos democráticos.

Beatriz

domingo, 16 de junho de 2013

PLANO DIRETOR

Segunda começa um Ciclo de Palestras sobre o Plano Diretor e resolvi voltar para Florianópolis para acompanhar os debates. Após visitar a Exposição Internacional de Arquitetura no CIC sobre projetos premiados em diversas bienais e sair dela frustada, pensando que nenhum daqueles projetos de reurbanização e recuperação dos nossos espaços públicos, como o do Jardim Botânico, não se concretizariam, eis que surge uma esperança. Preciso, portanto, acreditar que algo vai ser feito para que Floripa tenha um futuro melhor.
Propostas para o Plano Diretor publicada no DC do dia 16/06/2013:
1. Recuperação do centro histórico
2. Transporte marítimo
3. Elevador no mirante da Ponte Hercílio Luz
4. Valorizar a ponte H.L.
5. Transporte coletivo terrestre
6. Altura dos prédios (foto abaixo)
7. Áreas de centralidade
8. Moradias populares em áreas de concentração urbana
9. Incentivo a bicicletas
10. Reurbanização da Baía Sul

                                                                                                   Beatriz




sexta-feira, 14 de junho de 2013

ANALFABETISMO VISUAL

Tentava compreender os argumentos daqueles que são a favor do empreendimento Hotel Marina Ponta do Coral – dizem que trará mais empregos e mais turistas para Florianópolis – e lembrei-me da expressão “analfabetismo visual” ou “analfabetismo urbanístico”, ouvida recentemente em um evento de arquitetos e urbanistas.

Considerando que , em geral, nossas cidades pouco oferecem aos seus moradores - em Florianópolis não há parques onde as pessoas possam relaxar, caminhar, deitar na grama, levar o cachorro para exercitar-se; também não há museus e prédios para serem apreciados ou belos jardins e monumentos para serem fotografados - mas possui uma paisagem natural exuberante que necessita ser preservada, impedindo-se que arranha-céus venham a ser construídos, escondendo-a.

Considerando também que há um desinteresse pela cidade - a maioria dos moradores vê sua cidade como um local hostil: é o trânsito que causa stress, a rua que a noite gera desconfiança, o lixo nas calçadas, o transporte coletivo superlotado, etc., fazendo com que a maioria só enxergue nela aquilo que a incomoda.

E, como só se cuida daquilo que se ama, aqueles que defendem o hotel e Marina Ponta do Coral não veem as consequência negativas para a cidade, não percebem que do ponto de vista urbanístico o empreendimento em nada contribuirá para torna-la melhor, mais humana, para transformá-la em um lugar de encontro, de cidadania e criação de identidade.

Beatriz






HOTEL PONTA DO CORAL

São tantos os absurdos neste país que assuntos não faltarão para este blog, a começar pelo tema do momento nesta ilha da magia chamada Florianópolis: a construção de um hotel na avenida beira-mar, no local conhecido como Ponta do Coral.
A discussão vem se estendendo há um longo tempo entre a prefeitura, ministério público, urbanistas e população através do jornal local. Alguns contra e outros a favor do empreendimento. Os que estão a favor da sua construção argumentam que vai gerar mais empregos e trazer mais turistas para a cidade.
Ok, quem não quer progresso, mais emprego e turistas gastando dinheiro? E mesmo aqueles que são contra o empreendimento, como eu, não são contra o projeto, mas contra o local onde se pretende construí-lo. A Ponta do Coral é um dos cartões postais da cidade e como tal achamos que deve ser preservada e se possível, transformada num belo parque para a população, tão carente de áreas de lazer.

Movimentos surgiram em defesa da preservação do local, como o movimento “Ocupa Ponta do Coral” e “Ponta do Coral 100% Pública” que vem organizando protestos no decorrer do último mês e lançaram um abaixo-assinado que será apresentado à Câmara de Vereadores na próxima terça-feira. O projeto pede a alteração do zoneamento do local – atualmente a área é considerada espaço turístico, o que permite a construção de um empreendimento privado – e, caso seja aprovada a mudança para área verde a prefeitura poderá adquirir o local e transforma-lo em um parque.
Devemos lembrar que existem também motivos de ordem históricas, culturais e ambientais para a preservação da área: a Ponta do Coral já pertenceu ao poder público e nele havia um abrigo de menores que, após ser desativado foi palco de uma série de movimentos populares quando foi posto a venda.

Mas é a cidade e seu maior patrimônio, a paisagem natural, que será mais prejudicada com a construção de um prédio de trinta andares. escondendo os morros do entorno da Beira Mar. Assim, o Hotel poderia ser construído em qualquer outro local, menos na Ponta do Coral, embora ele combinasse mais com a paisagem de Dubai e não com Florianópolis, com sua exuberante paisagem: suas dunas, costões, mangues, sua mata atlântica e montanhas verdes que cercam a cidade.
E, somente permitindo que as belezas naturais coexistam de forma harmônica com a cidade é que traremos turistas e, consequentemente, mais empregos.
Por isto, não somente sou contra a construção do Hotel Marina Ponta do Coral como passei a apoiar o Projeto do Parque Cultural das três Pontas que defende a preservação também da Ponta do Goulart e Ponta do Lessa que, como pode ser visto na foto abaixo, para que ainda possamos continuar chamando Florianópolis de Ilha da Magia.
Beatriz