Revia o filme do diretor sueco Ingmar Bergman, de 1977 "O Ovo da Serpente" que fala do
nascimento do nazismo, de um Hitler ainda em início de carreira, desacreditado pelos alemães e de como havia na mídia uma forte
campanha contra os judeus, com muitas fake news visando aumentar as hostilidades contra este povo que me fez pensar que todo
ditador precisa de um inimigo - no caso do nazismo foram os judeus. Fazendo um paralelo com a disseminação do medo à
violência na mídia brasileira e a série “Rio do Medo” pensei que o inimigo da extrema direita
brasileira, hoje no governo, é falta de segurança, disseminada pela mídia televisiva.
Qual
é o objetivo da mídia ao criar uma cultura do medo na classe média? uma forma de grupos dominantes manter controle sobre a classe
média através do medo, q a paralisa e impede que reivindiquem
direitos. (Célio Pezza, Gazeta Digital 27/02/2919): “É também a
melhor forma de manipular as pessoas. Maquiavel Já Maquiavel
aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súditos, porque
este era mais potente e duradouro que o amor. Governar pelo medo!
Esta era a sua orientação, sempre seguida fielmente pelos tiranos e
opressores. Os governos usam e abusam da cultura do medo e com isso
vão restringindo a nossa liberdade, nossa criatividade, nosso
questionamento e nosso conhecimento. Andamos cheios de medos e essa é
a melhor forma de sermos manipulados. “
(Raquel
do Rosário e Diego Augusto Bayer: “O crime desperta curiosidade na
população por apresentar uma ameaça. A mídia atua explorando essa
fragilidade humana, estimulando a sensação de insegurança e medo
em toda população. A curiosidade pela narração do crime e suas
possíveis consequências acabam por ser uma das causas de uma nova
cultura de violência, em que essa aparece como um fato normal,
corriqueiro, que faz parte do cotidiano.
Existe
uma influência mútua entre o discurso sobre o crime — atos
violentos — e o imaginário que a sociedade tem dele e entre as
notícias e o medo do delito. Com isso, pode-se sustentar que existe
uma relação (sórdida) entre as ondas de informação e a sensação
de insegurança. Quando a transmissão é ao vivo, as imagens passam
uma veracidade ainda maior aos telespectadores (...) levando-nos a
crer que os delinquentes são em maior número e praticam mais
delitos do que realmente o são. O medo passa a ser um de nossos
principais inimigos e será ele que, em muitos momentos, nos impedirá
de seguir nossos sonhos, de arriscar uma tentativa ou de fazer uma
mudança radical. A mídia pode ser considerada aqui uma causadora da
proliferação do medo na sociedade, pois o medo deixou de
relacionar-se a estórias de contos e mitos, da imaginação durante
reuniões de família, para ser um aglomerado de imagens e
informações que a televisão transmite todos os dias dentro de cada
lar e para todas as famílias. O mundo líquido mostrado por Bauman é
uma espécie de irrealidade dentro da qual estamos mergulhados, um
mundo de aparência absoluta, de ameaças que quase nunca se
configuram reais, mas que nos são mostradas cotidianamente,
principalmente pela mídia. Diante disso, ele expõe o medo como uma
forma inconstante. Podemos ter medo de perder o emprego, medo do
terrorismo, da exclusão. O homem vive numa ansiedade constante, num
cemitério de esperanças frustradas, numa era de temores. E, assim,
passamos a construir inimigos e fantasmas, nos deixando levar por
todo tipo de informação que nos é imposta sem nem ao menos
questionar a real veracidade dos fatos. É inegável que vivemos em
uma sociedade violenta, com altos índices de barbáries, mas o
problema não está na prevenção de possíveis ameaças, mas em
considerar que tudo e todos possam ser ameaçadores. A consequência
mais importante é uma crise de confiança na vida, uma vez que, o
mal pode estar em qualquer lugar e que todos podem estar, de alguma
forma, a seu serviço, gerando uma desconfiança de uns com os
outros.
Schecaira
(apud BAYER, 2013) entende que a mídia é uma fábrica
ideológica condicionadora, pois não hesitam em alterar a realidade
dos fatos criando um processo permanente de indução criminalizante.
Assim, os meios de comunicação desvirtuam o senso comum através da
dominação e manipulação popular, através de informações que,
nem sempre, são totalmente verdadeiras.
Com
isso, propagando o medo do criminoso (identificado como pobre), os
meios de comunicação aprofundam as desigualdades e exclusão dessa
parcela da sociedade, aumentando as intolerâncias e os preconceitos.
Utiliza-se do medo como estratégia de controle, criminalização e
brutalização dos pobres, de forma que seja legitimo as demandas de
pedidos por segurança. A mídia incute na sociedade uma política de
higienização e rotulação dos desiguais que devem ser banidos da
convivência social.
realidade,
o principal objetivo da mídia é chamar a atenção do público e
obter lucro.
Assim,
a mídia passa a utilizar expedientes sensacionalistas com fatos
negativos como crimes e catástrofes, disseminando um sentimento de
insegurança no seio social, ocasionando o surgimento da cultura do
medo e formando uma “Sociedade do Medo”. Ou seja, nem tudo
que vimos nos telejornais são de extrema veracidade, grande parte
desta informação estará sempre relacionada a um fim lucrativo.
A
televisão tenta retratar os fatos de forma a tornar a informação o
mais real possível aproximando os acontecimentos do cotidiano das
pessoas e fazendo-as crer que aquela situação de risco poderá
acontecer a qualquer momento dentro de suas próprias casas, nos seus
grupos sociais. Assim, os telejornais propagam informações
sensacionalistas através da exploração da dor alheia, do
constrangimento de vítimas desoladas e da violação da privacidade
de algumas pessoas.
Com
isso, cria-se a “Sociedade do Medo” aqui abordada que,
além de cruel e preconceituosa, passa a ser ignorante e submissa a
tudo que lhe é apresentado como verdade absoluta.não podemos
permitir que o que vimos na TV influencie nossa vida a ponto de
pararmos de viver, a ponto de guardarmos sonhos que gostaríamos de
realizar ou de nos impedir de promover uma mudança.
É
também, uma forma da elite livrar-se do sentimento de culpa em
relação aos pobres.


