segunda-feira, 20 de maio de 2019

CULTURA DO MEDO II


Revia o filme do diretor sueco Ingmar Bergman, de 1977 "O Ovo da Serpente" que fala do nascimento do nazismo, de um Hitler ainda em início de carreira, desacreditado pelos alemães e de como havia na mídia uma forte campanha contra os judeus, com muitas fake news visando aumentar as hostilidades contra este povo que me fez pensar que todo ditador precisa de um inimigo - no caso do nazismo foram os judeus. Fazendo um paralelo com a disseminação do medo à violência na mídia brasileira e a série “Rio do Medo” pensei que o inimigo da  extrema direita brasileira, hoje no governo, é falta de segurança,  disseminada pela mídia televisiva.

Qual é o objetivo da mídia ao criar uma cultura do medo na classe média? uma forma de grupos dominantes manter controle sobre a classe média através do medo, q a paralisa e impede que reivindiquem direitos. (Célio Pezza, Gazeta Digital 27/02/2919): “É também a melhor forma de manipular as pessoas. Maquiavel Já Maquiavel aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súditos, porque este era mais potente e duradouro que o amor. Governar pelo medo! Esta era a sua orientação, sempre seguida fielmente pelos tiranos e opressores. Os governos usam e abusam da cultura do medo e com isso vão restringindo a nossa liberdade, nossa criatividade, nosso questionamento e nosso conhecimento. Andamos cheios de medos e essa é a melhor forma de sermos manipulados. “
(Raquel do Rosário e Diego Augusto Bayer: “O crime desperta curiosidade na população por apresentar uma ameaça. A mídia atua explorando essa fragilidade humana, estimulando a sensação de insegurança e medo em toda população. A curiosidade pela narração do crime e suas possíveis consequências acabam por ser uma das causas de uma nova cultura de violência, em que essa aparece como um fato normal, corriqueiro, que faz parte do cotidiano.
Existe uma influência mútua entre o discurso sobre o crime — atos violentos — e o imaginário que a sociedade tem dele e entre as notícias e o medo do delito. Com isso, pode-se sustentar que existe uma relação (sórdida) entre as ondas de informação e a sensação de insegurança. Quando a transmissão é ao vivo, as imagens passam uma veracidade ainda maior aos telespectadores (...) levando-nos a crer que os delinquentes são em maior número e praticam mais delitos do que realmente o são. O medo passa a ser um de nossos principais inimigos e será ele que, em muitos momentos, nos impedirá de seguir nossos sonhos, de arriscar uma tentativa ou de fazer uma mudança radical. A mídia pode ser considerada aqui uma causadora da proliferação do medo na sociedade, pois o medo deixou de relacionar-se a estórias de contos e mitos, da imaginação durante reuniões de família, para ser um aglomerado de imagens e informações que a televisão transmite todos os dias dentro de cada lar e para todas as famílias. O mundo líquido mostrado por Bauman é uma espécie de irrealidade dentro da qual estamos mergulhados, um mundo de aparência absoluta, de ameaças que quase nunca se configuram reais, mas que nos são mostradas cotidianamente, principalmente pela mídia. Diante disso, ele expõe o medo como uma forma inconstante. Podemos ter medo de perder o emprego, medo do terrorismo, da exclusão. O homem vive numa ansiedade constante, num cemitério de esperanças frustradas, numa era de temores. E, assim, passamos a construir inimigos e fantasmas, nos deixando levar por todo tipo de informação que nos é imposta sem nem ao menos questionar a real veracidade dos fatos. É inegável que vivemos em uma sociedade violenta, com altos índices de barbáries, mas o problema não está na prevenção de possíveis ameaças, mas em considerar que tudo e todos possam ser ameaçadores. A consequência mais importante é uma crise de confiança na vida, uma vez que, o mal pode estar em qualquer lugar e que todos podem estar, de alguma forma, a seu serviço, gerando uma desconfiança de uns com os outros.
Schecaira (apud BAYER, 2013) entende que a mídia é uma fábrica ideológica condicionadora, pois não hesitam em alterar a realidade dos fatos criando um processo permanente de indução criminalizante. Assim, os meios de comunicação desvirtuam o senso comum através da dominação e manipulação popular, através de informações que, nem sempre, são totalmente verdadeiras.
Com isso, propagando o medo do criminoso (identificado como pobre), os meios de comunicação aprofundam as desigualdades e exclusão dessa parcela da sociedade, aumentando as intolerâncias e os preconceitos. Utiliza-se do medo como estratégia de controle, criminalização e brutalização dos pobres, de forma que seja legitimo as demandas de pedidos por segurança. A mídia incute na sociedade uma política de higienização e rotulação dos desiguais que devem ser banidos da convivência social.
realidade, o principal objetivo da mídia é chamar a atenção do público e obter lucro.
Assim, a mídia passa a utilizar expedientes sensacionalistas com fatos negativos como crimes e catástrofes, disseminando um sentimento de insegurança no seio social, ocasionando o surgimento da cultura do medo e formando uma “Sociedade do Medo”. Ou seja, nem tudo que vimos nos telejornais são de extrema veracidade, grande parte desta informação estará sempre relacionada a um fim lucrativo.
A televisão tenta retratar os fatos de forma a tornar a informação o mais real possível aproximando os acontecimentos do cotidiano das pessoas e fazendo-as crer que aquela situação de risco poderá acontecer a qualquer momento dentro de suas próprias casas, nos seus grupos sociais. Assim, os telejornais propagam informações sensacionalistas através da exploração da dor alheia, do constrangimento de vítimas desoladas e da violação da privacidade de algumas pessoas.
Com isso, cria-se a “Sociedade do Medo” aqui abordada que, além de cruel e preconceituosa, passa a ser ignorante e submissa a tudo que lhe é apresentado como verdade absoluta.não podemos permitir que o que vimos na TV influencie nossa vida a ponto de pararmos de viver, a ponto de guardarmos sonhos que gostaríamos de realizar ou de nos impedir de promover uma mudança.
É também, uma forma da elite livrar-se do sentimento de culpa em relação aos pobres.






ESTADÃO DO DIA 19 DE MAIO DE 2019



quarta-feira, 8 de maio de 2019

NEOFASCISMO NO BRASIL


Olavo de Carvalho e Eduardo Bolsonaro vem se reunindo com Steve Bannon.
Bannon é um ex-estrategista de Trump que pretende ressuscitar o neofascismo no ocidente e tem influenciando governos de direita na Europa, como o da Itália e Hungria.
Também no Brasil Bannnon ocupa o lugar de consultor informal O combate ao estrablisment faz parte da retórica do seu movimento, retórica também utilizada pelo astrólogo da Virgínia e pela família Bolsonaro.
Os ataques sistemáticos do guru Olavo de Carvalho tem por objetivo dividir a direita com a finalidade de criar a extrema-direita no país. Significando que não vão parar de atacar os militares visto que é parte da estratégia para enfraquecê-los.
Revi o filme do diretor sueco Ingmar Bergman, de 1977, "O Ovo da serpente", que fala do nascimento do nazismo sob Hitler, em início de carreira e ainda desacreditado pelos alemães e países da Europa. Mostrando como havia na mídia uma forte campanha contra os judeus, com muitas fake news, muito ódio e agressões gratuitas nas ruas, percebi a grande semelhança com o que ocorre atualmente no país.
Como todo ditador, Hitler precisava de um inimigo. Para o nazismo foram os judeus e aqui, para o governo e a extrema direita, é o "marxismo cultural" ou a esquerda insana" como referiu-se a ela o presidente, esquecendo que os partidos de esquerda são legais porque somos um país plural e democrático -
acolhermos, direita, esquerda, brancos, negros, heteros e homos, porque esta é a riqueza do Brasil: a diversidade de credos, ideologias, raças, etc.