quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A REGRA DO JOGO OU A CAMINHO DA VENEZUELA

Quando funcionária de uma repartição pública, fui à trabalho em uma cidade próxima e no fim do mês recebi uma diária de almoço por conta da viagem. Achei que não estava correto porque almoçara, assim como os demais colegas de trabalho, na casa do prefeito, portanto, não havia tido gasto com alimentação. Devolvi, então, o valor recebido só, que os demais que estiveram comigo no evento não fizeram o mesmo e, no dia seguinte estavam de cara amarrada.
Conto isto para chegar nos políticos e no assunto propina e, para dizer que esta é a regra do jogo. Aceitar vantagens indevidas faz parte da nossa cultura.  Assim como os presentinhos "inocentes" e, quem os recebe tenta se justificar dizendo: " não estou prometendo nada em troca, não tenho porque não aceitar". E vai, aos poucos cedendo, mesmo porque, se for muito careta corre o risco que os colegas fiquem de cara amarrada. E cedendo na contrapartida para o corruptor. É um comportamento que já está naturalizado. É assim no serviço público e, mais ainda, na política.
Daí porque esta história de que é preciso escolher bem o candidato é pura enganação, uma grande mentira que esta sendo vendida pela mídia. Porque, como diz Giannetti da Fonseca "não importa a qualidade dos jogadores, mas como funcionam as regras do jogo”. E, sem mudar as regras não importa se o cara é bom ou não, porque ele vai jogar conforme essas regras.
O que também significa que são elas que precisam ser mudadas, que sem Reforma Política nada mudará. A reforma é necessária e urgente mas, não pode ser esta que querem nos fazer engolir goela. Precisamos exigir uma verdadeira reforma com Clausula de Barreira e fim das coligações e, se possível também como fim da propaganda na TV.
Mas para isto é preciso que o povo se mobilize para impedir que esta nobiliarquia partidária, como diz José Nêumanne, que só suga o sangue do trabalhador continue no poder. E sugam não só da classe pobre mas, também, da classe média que tem que trabalhar em dobro para pagar escola e saúde privada, usar de transporte particular para ir trabalhar porque o Estado não oferece serviços públicos de qualidade.
Se deixarmos que aprovem esta Reforma Política que estão pretendendo, vão enterrar a Lava Jato - movimento orquestrado pelo capo Gilmar Mendes - ainda iremos acabar igual a Venezuela. Não se enganem, já estamos no rumo.
Precisamos, portanto, ir para as ruas antes que seja tarde porque depende só de nós e de mais ninguém tirar este país deste lamaçal em que foi colocado.