Primeiro tenho que dizer que é impossível não gostar de algumas coisas em Manhattan, como o Central Park, os museus, a ponte do Brooklyn mas, também é impossível não odiar o trânsito engarrafado, a poluição e o barulho.
Mas, nada disto marcou tanto quanto a impressão de um país dividido entre uma classe rica que anda de carro, frequenta bons restaurantes e o povão que anda de metrô e come fast food. São dois mundos muito distantes um do outro e a diferença em qualidade de vida entre essas duas classes me fez questionar o conceito de justiça social americano - não são eles os defensores da democracia no mundo?
Considero que um país democrático é aquele em que todos têm acesso à serviços públicos de qualidade e não foi o que vi em NY. O que vi foi um transporte coletivo péssimo, razão pela qual as ruas vivem congestionadas de carros e o cheiro de gás carbônico e resina asfáltica é terrível.
Alguém disse que país democrático não é aquele em que todos tem carro mas sim aquele em que todos andam de transporte coletivo. Como é o caso de Londres e Paris onde o congressista e o banqueiro vão para o trabalho de metrô.
E o metrô de NY deve ser o pior do mundo porque as linhas não possuem conexão entre si - a linha 6, em direção a Dowtown não passa pela mesma estação que a 6 em direção à Upptown, você tem que sair à rua e pegar outra estação se quiser mudar de direção - entendeu? Não? Não se preocupe, ninguém entende. Também as estações são mal conservadas e raras as que possuem escadas rolantes.
É difícil acreditar mas tem muita gente que fica fascinada com o ritmo frenético da cidade, mesmo sendo impossível flanar pelas ruas de Manhattan, parar para admirar uma vitrine, tomar um sorvete andando pela calçada, porque as pessoas vivem correndo, se esbarrando.
Esta não será nunca minha cidade preferida que, continua sendo Paris...agora também Viena...mas pode ser também Amsterdã - enfim, amo a Europa toda.
Outras observações sobre a U.S.A.:
1. O ar-condicionado era muito gelado em todos os ambientes, mesmo naqueles com pouca circulação de gente e, mesmo quando a clima era ameno, mostrando que não há preocupação com o desperdício de energia.
2. Tive muita dificuldade em encontrar alguns produtos europeus como La Roche Posay, encontrei Uma única e pequena loja da Benetton e nenhuma da Oysho. Ficou a pergunta: haveria dificuldade em entrar no mercado americano e seria isto um sinal de um protecionismo tão criticado pelos americanos em relação aos países do terceiro mundo, em especial ao Brasil?