quarta-feira, 5 de novembro de 2014

BRÉSILIENNES FONT TROUBLE

        Reclamava com uma recepcionista de um hotel na França, quando ouvi desta: " brésiliennes font trouble", que podemos traduzir como: brasileiros fazem confusão. Meio sem graça, respondi: "c'est bien", já decidida à "descer do salto" e encerrar a discussão.
         Desde então venho pensando como nós, brasileiros, nos comportamos como cidadãos. E hoje, passada as eleições, onde imperou a intolerância e a intriga nas redes sociais creio que é chegado o momento de fazermos uma autocrítica.
         Como nos comportamos no dia a dia, nas nossas relações sociais, nas ruas. Será que somos cordiais como sempre se disse ou, não será que estamos confundindo nosso temperamento latino com gentileza e educação? Sergio Buarque de Holanda fala que "Seria engano supor que essas virtudes possam significar "boas maneiras", civilidade. Nossa forma de convívio social é o contrário da polidez, mas ilude na aparência.

         Temos aversão ao ritualismo social e gostamos de estabelecer intimidade, que pode ser observado no habito da omissão do nome de família no trato social,  que esta relacionado ao desejo em abolir barreiras, eliminar distâncias
           Em "Raízes do Brasil", S.B.H. diz também: 
              "(...) onde predomina ainda a família do tipo patriarcal [Brasil e países
          emergentes] tende a ser precária a formação e evolução da sociedade. (...) Âmbitos 
          familiares excessivamente estreitos e exigentes circunscrevem demasiado os horizontes do indivíduo 
          dentro da paisagem domestica (...) havendo necessidade de uma revisão por vezes radical dos 
          interesses,  valores, sentimentos, atitudes e crenças adquiridas no convívio 
          da família. (...). A função da rua é separar o indivíduo da comunidade domestica, a liberta-lo
          das "virtudes familiares"."  
         
         Herdamos dos portugueses o hábito de viver em torno da casa, da família enquanto que na Europa a vida se dá nas ruas. O espaço público é o espaço da democracia, onde todos são iguais, onde aprendo a conviver democraticamente e nele eu me contituo como indivíduo político. 
         Ao contrario dos europeus nós, brasileiros, temodificuldade em aceitar as diferenças e somos preconceituosos. Mas a maior dificuldade ainda é lidar com situações de conflito: o vizinho faz barulho e o q fazemos é ir à janela e berrar para que baixe som. Tomamos como se fosse algo pessoal e respondemos da mesma forma, fazendo barulho. Quando, talvez, o vizinho não passe de um adolescente (ou não...) sem noção. 
         E ainda gostamos de dizer que os franceses é que são mal humorados! Nous faisons troubles, évidentimente!