Fico pensando qual prefeito não gostaria de transformar as escolas e postos de saúde do seu município em modelos de eficiência e qualidade? De dotar sua cidade de transporte coletivo de primeiro mundo, de belos parques e jardins? Qualquer um que tivesse dinheiro sobrando não pensaria duas vezes, mais ainda sabendo que estaria com a reeleição garantida.
Infelizmente não é assim que as coisas funcionam, a escolha das obras depende da conveniência dos grupos econômicos que financiaram o caixa dois da campanha. Para estes, interessam as grandes obras como viadutos, pontes e, a reforma da escola ou do posto de saúde só acontecerá se houver pressão da comunidade e apoio da mídia. Mas o valor gasto hoje na construção de um viaduto – se não houvesse superfaturamento – daria para construir não só o viaduto, como mais meia dúzia de escolas. O que significa que, somente quando o financiamento de campanha for publico e não privado o prefeito terá autonomia e sobrará dinheiro para construir escolas e reformar hospitais. Já avançamos um passo na semana passada quando o STJ votou a favor da ADI que acaba com o financiamento privado. Mas precisamos mais, precisamos de uma ampla reforma política.
Penso que acabaríamos com a corrupção e haveria uma melhora na qualidade da administração pública se a eleição para prefeito fosse indireta, através de um Colégio Eleitoral formado por um conjunto de delegados (o município seria dividido em regiões e cada região teria seu representante) - como ocorre na França na eleição para o Senado e na Suiça, para o Conselho de Estado, onde cada Cantão escolhe seu representante - pois se elegeria um técnico, não um político.
Já tivemos no Brasil, entre 64 e 80, quando os “prefeitos biônicos” eram eleitos indiretamente pelas Forças Armadas, porém sem a participação popular e totalmente dependente do poder central – vivíamos então em uma ditadura.